segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#8 - Abastecer o carro sempre foi tão simples no Brasil...

Oi pessoal!! Pra quem estava com saudade, estamos de volta! E hoje pra contar sobre a aventura que foi a minha primeira vez num posto de gasolina sozinha nos states. Foi, no mínimo, curioso!

Começando do começo: Luiz, por necessidades do trabalho, foi passar 3 semanas na Califórnia, numa cidadezinha chamada Bakersfield. Como eu estou nesse período de "férias", decidimos que as duas últimas semanas eu passaria lá com ele e que faríamos um road trip até San Francisco. Demaaais!

Fui num vôo diferente do dele, porque ele precisava chegar mais cedo lá, além de o meu vôo ser mais barato, por ser mais tarde. Assim sendo, fiquei com incumbência de devolver o carro alugado e, para isso, precisava encher o tanque próximo ao aeroporto. E assim começou a saga de um "new nativo" que precisa se virar sozinho. Até este momento, sempre tive Luiz ao meu lado para discutir e chegar a um consenso sobre o melhor jeito de resolver algum problema intercultural que ocorresse... mas agora era Just Me... Nem ligar eu podia, pois ele estava voando pra Bakersfield.

Não sei se todos sabem, mas aqui os postos de gasolina são self-service... fui repassando o checklist mental sobre o passo a passo para encher o tanque sem erros de percurso que eu tinha feito antes de deixar Luiz no aeroporto de manhã e me questionei por que cargas d'água eu não saí do carro nenhuma das vezes em que abastecemos o carro pra ver como ele fazia... Mas... em tese é simples: coloca o cartão na máquina, diz que é débito, seleciona o tipo da gasolina, espera o ok, tira a magueira (ou qualquer que seja o nome científico) da bomba, abre o tanque, coloca a mangueira lá e aperta até encher. Cheguei confiante na bomba, desliguei e saí do carro, coloquei o cartão e... "por favor, insira novamente o seu cartão". Coloquei novamente o cartão e... "por favor, dirija-se ao caixa". Nããão... tudo que eu não queria era ter que fazer interface naquele momento, quase que pensei em encher com a limonada que eu estava tomando já que o pote era tão grande... mas encarei a realidade de que não dava os 10 galões que precisava encher o tanque. Fui lá. Já tentando me explicar para o caixa da loja de conveniência tudo que tinha ocorrido até então. O homem com uma cara blasè e de poucos amigos me disse "I already know... Just leave your card here and get back to the pump" (que traduzindo em português e associando à cara que ele fez, significa: Eu sei, querida... o sistema aqui é informatizado e eu já sei inclusive qual a bomba... deixe a droga do cartão aqui, volte lá para fazer o seu trabalho e não me atrapalhe no meu").

Fiz a obediente e voltei. Aí já fui puxando a mangueira quando o alto-falante da bomba (sim... tinha um alto falante na bomba) com a voz delicada do nosso amigo do caixa e me avisava "suavemente":
- Senhora, selecione o combustível primeiro.
- ... (eu dei uma travada para entender direito de que parte do além estava vindo aquela voz... ainda não tinha processado a mensagem que vinha da bomba)
- SENHORA, SELECIONE O TIPO DO COMBUSTÍVEL.
- Oi? Ah.. Ok... (nesse momento me lembrei do Chaves e queria ter falado um: tá bom, mas não se irrite)

O coração já palpitando com a situação tensa, selecionei o tipo do combustível. No meio da confusão o espírito mão de vaca falou mais alto e eu escolhi o mais barato. Ai a máquina me orientou a tirar a mangueira. Obedeci de novo e tirei, mas como Murphy não dorme em serviço, por causa de um centímetro de distância, a droga da mangueira não entrava no tanque... aí sem saber muito bem o que fazer, porque a máquina já tinha me ordenado a tirar a mangueira da bomba, dei dois passinhos na direção do tanque, meio que querendo esticar a mangueira até o talo... não rolou, já estava no talo... aí, meio na dúvida, me mantive segurando a mangueira e deixei o braço esticado para fora e para trás, liguei o carro e andei fiz ele andar um pouco para frente . Uma cena ridícula... eu fiquei imaginando o que as pessoas que olhavam aquela cena imaginavam... Mas, sem perder a pose nem olhar pra cara de ninguém, finalmente consegui colocar a mangueira no tanque.

Achei que o pior já tinha passado... Ledo engano... coloquei e comecei a apertar, mas eu notei que não estava travando quando eu deixava lá. No Brasil eu sempre vi os frentistas deixarem a bomba lá carregando e irem limpar o vidro e depois, automaticamente, o abastecimento parava na hora certa. Essa mágica não estava acontecendo naquela hora... PORQUE MISTER M., PORQUEEEE? Já suando mais que uma leitoa, eu fui ler as instruções na tampinha do tanque e elas diziam que tinha que pressionar a mangueira no tanque... as imagens não estavam muito intuitivas, mas eu entendi (achava) que tinha que push (empurrar). Aí comecei a empurrar essa mangueira com toda a força que Deus me deu pra ver se travava, e nada.. a bicha voltava... e eu empurrava aquela maldita mais ainda. Ficamos naquele empurra-empurra, eu de cá e ela de lá, mas pelo menos eu mantive o meu dedo pressionando a alavanca e jogando a gasolina pra dentro durante o processo. Até que uma hora ele travou e, segundo meu marido me informara, isso era um indício de encheu até o automático. Obrigada, Senhor!!
Fui lá falar com o "mister simpatia" pra pegar meu cartão de volta e pagar. Aí nem bem abri a porta ele falou:
- Seu total foi de 30 dólares e 58 centavos.
- Ok.
- Qual será forma de pagamento.
- Débito. (por acaso o cartão está aí com você, meu bem... É esse aí que tem a minha cara impressa nele... achou?)
- OK.

E ele me deu o cartão pra eu passar, pq aqui e vc mesmo que passa o cartão na máquina. Pra completar ainda passei o lado errado, o cara deu uma reviradinha nos olhos e eu com aquele sorriso amarelo repassei, agora do lado certo. E a odisséia, finalmente, estava acabada!

Agora eu entendo porque Luiz ficava tão agoniado, parecendo até que ia defender uma tese de doutorado, toda vez que a gente ia abastecer o carro nas nossas primeiras viagens juntos pra cá... se eu soubesse que teria que brincar de touro mecânico com a bomba de gasolina eu tinha ido de chapéu! hehehe Mas fica a dica para vocês quando vierem abastecer aqui nos EUA. Eu recomendo levar alguém com experiência :)

Beijos e até a próxima. Desculpem a demora em postar é que estamos no meio de um total de 3 semanas fora de casa e viajando pra lá e pra cá nas horas em que Luiz não está trabalhando (e a gente neeeem gosta de viajar). Algumas fotos dos points pelos quais passamos nos últimos tempos aí embaixo.

Dallas, no lugar em que JFK tomou o seu segundo tiro, o tiro fatal! Olha o x embaixo dos nossos pés.




 Big Sur, uma cidade que é toda construída na beira da estrada, um pub que almoçamos.

Monterrey, no labirinto de espelhos.. a mente dá um nó...

 Stanford, a nata econômica e pensante do mundo está aqui.

LA, a cidade proibida!

A caminha de Santa Barbara, na estrada que corre do lado do mar.