quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

#13 - Vida de Aeroporto nos EUA

Para não dizerem que só a Lorena que escreve, segue um post 100% meu. Finalmente o ano acabou e o período de viagens também, pelo menos em 2013.

Desde quando comecei a trabalhar no meio de julho foram 40 trechos diferentes, o que dá uma viagem (round trip) por semana, 68 mil milhas viajadas em seis meses. Por um lado é bom, você vira gold/platinum rapidinho em companhia aérea, hotel e locadora de carro, mas por outro, fica mais cansado, fica longe de casa, das suas coisas e da sua esposa... muito bom para um recém casado.

Falando em esposa, fiz as contas e vi que, desde que comecei a trabalhar, fiquei 88 dias com ela. Já o cliente vem correndo atrás com 80 dias. Pois é, quase tenho passado mais tempo com o cliente do que com minha própria esposa. E ele nem faz meu tipo. rss

Nestas tantas viagens já tive um pouco de cada. Já sentei na econômica, já sentei na primeira classe, já antecipei voo, já perdi voo. Já tive que correr de um terminal a outro para não perder a conexão, já tive que mudar de assento para balancear o peso do avião e já sentei ao lado de um bebê chorão. Já peguei aeronave congelada, já peguei outras que pareciam uma sauna, já andei em aviões grandes e até pequenos como o Brasilia. Já peguei voos tranquilos, já me senti em uma montanha russa, já vi pessoas rezarem no meio da emoção e já vi pessoas aplaudirem uma aterrissagem, enfim, não faltou diversão.
Abaixo imagem do Embraer Brasilia usado pela United para voos curtos.


Voar por aqui é bem parecido como voar no Brasil, mas com suas particularidades...

- Cartão de embarque - Antes do raio X você apresenta seu cartão de embarque e documento na segurança para checar se você é você mesmo. Difícil mesmo é o coitado do funcionário da TSA entender meu sobrenome. Como ele não cabe inteiro no cartão de embarque, eles removem os espaços, então fica  COELHODEARAUJOFILHO. Para um americano isso é hieróglifo. O funcionário disse: "Meu Deus, não vou nem tentar. Deve ser você mesmo."

- Raio X 1 - Aqui, mesmo nos voos internos, é preciso tirar cintos, sapatos, laptops de dentro da mochila. Nada líquido e gel com mais de 100 ml. No Brasil é melhor (ou não), pois pode passar com tudo. Infelizmente eu ando com 3 laptops, então cada vez é um parto para passar pelo raio x, uso a esteira inteira pois sao 4 bandejas, mais mochila e mala. Já fui apelidado de "Laptop Guy" no aeroporto que eu sempre passo.

- Raio X 2 - Em boa parte dos aeroportos o Raio X é aquele que mostra até o seu útero (o meu não), é um scan seu completo. Você para, levanta os braços e o scan gira em torno de você. Dizem que dá para ver tudo. rss Até os americanos reclamam deste modo meio intrusivo de garantir a segurança.

 Exemplos do Scan... eles juram que não armazenam dados....

- Embarque 1 - É muito comum eles fazerem overbooking, ou seja, vendem mais passagens do que cabe no avião. Quando isto acontece eles oferecem vouchers de 200 a 500 dólares para voluntários que não se importem em pegar voos mais tarde. Há quem diga que tem pessoas que vivem disso, juntam dinheiro com estes vouchers. Admito que já fiquei tentado, mas Lorena me mataria se eu não chegasse em casa.

- Embarque 2 - Quando a aeronave é pequena eles vão pedir para você despachar a bagagem na porta do avião, ainda que ela seja do tamanho permitido. Não se assuste como eu me assustei na primeira vez, ninguém vai roubar sua mala nem deixar ela para trás, é que o avião é tão pequeno que não cabe mesmo a bagagem de todos.

- Durante o voo 1 - Quando a aeronave é pequena eles precisam balancear o peso pelo avião, então se os assentos do fundo estiverem vazios eles vao perguntar por voluntários para mudarem de assento e assim, balancear o peso. Uma vez eles encheram tanto o tanque do avião e ficou tão pesado que eles pediram para seis passageiros descerem e pegarem outro. O avião não sairia do chão enquanto eles não saissem. Claro que cada um ganhou um voucher de US$ 400.00. Ainda bem que eles não fazem como a gente no elevador, onde sempre cabe mais um, não importando o limite máximo.

- Durante o voo 2 - Desde novembro aparelhos eletrônicos pequenos são permitidos durante todo o voo, não tem aquela palhaçada de ficar desligando para pouso e decolagem, basta estar no modo "avião". Alguns voos possuem até wifi a um preço nao tão absurdo, U$ 6.00 o voo.
Eu tenho costume de ouvir música durante o voo, mas ao desligar o celular eu não tiro os fones de ouvido (não me pergunte o porquê). Uma vez, quando não era permitido usar o voo todo, a atendente veio pedir para desligar o celular (já que eu estava de fone o celuar estava ligado). Eu apenas mostrei a tela escura do celular e disse que estava off. Ele continuou insistindo para eu desligar e então eu mostrei o celular para ela e apertei o botão principal, mostrando que nada aparecia na tela, ou seja, estava desligado. Não sei se ela não entendeu, mas ela me pediu para apertar e segurar o botão para desligar o celular. Eu, já desesperado por ela não me entender, apertava freneticamente o botão principal N vezes para mostrar que estava desligado, "It is off!!!!" E ela, já desesperada por achar que eu não a estava entendendo, começou a gritar "Não solta o botão! Aperta e segura para desligar!" Já sem argumentos a única coisa que pensei foi dar o telefone para ela e pedir para ela desligar para mim. Depois de apertar todos os botões sem sinal de vida do celular, ela me vira e pergunta "Is it off?". Respirei fundo, sorri e disse "Yes, it is off."

- Durante o voo 3 - Americanos adoram conversar, não importa o voo nem o destino. Pessoas que se viram pela primeira vez  parecem amigos de longa data. Conversam sobre qualquer assunto e durante o voo todo. É sempre bom ir prevenido com um fone de ouvido quando quiser ficar na sua e tirar um cochilo. O fone já é o sinal de "Não enche o saco, não quero conversa."
Uma vez sentei ao lado de um cidadão esquisito, nada de conversa, ele apenas abria constantemente um vidrinho, molhava o dedo e encostava o dedo no nariz. Fiquei tentando observar de canto de olho para sacar o que era, mas nada. Não tinha cheiro forte, mas a cada 5 minutos ele molhava as narinas com os dedos e não fazia questão nenhuma de esconder. Descongestionante? Talvez... Admito que até fiquei na vontade de pedir um pouco, depois de 1 hora do choro constante do bebê aquele poderia ser o canal para o sossego. rss

- Pouso - Algumas aeronaves pequenas desligam o arcondicionado para pousos e decolagens. Eles precisam focar toda potência no avião, portanto no verão fica aquela sauna com as pessoas suando e formando aquela pizza debaixo do braço.

- Desembarque 1 - Quando o avião chega ao portão em geral as pessoas não se desesperam e saem atropelando as outras para tentar sair primeiro do avião. As pessoas vão saindo pelas fileiras, assim o passageiro da fila 5 espera todos das filas 4, 3, 2 e 1 sairem antes.
Uma vez estava viajando pelas filas do meio do avião, ao pousar e desligar o motor vi que ninguém se movimentava. Algumas poucas pessoas se levantavam na frente, mas ao olhar para trás todo mundo sentado. Um impulso interno me dizia "Levanta! Anda! O avião parou tem q levantar!", mas ao ver todo mundo sentado fiquei na dúvida se podia ou não. Eu, inquieto na cadeira, doido para levantar, 10 pessoas de pé e outras 60 sentadas. Até que me segurei e esperei para ver se vinha alguma autorização para levantar, mas não veio, as pessoas estavam apenas esperando a porta abrir, afinal, para que ficar em pé se espremendo e esperando se podia esperar sentado? Não é sempre assim, em geral mais pessoas se levantam, mas admito que fiquei com medo. Ficava pensando "Que P. é essa?".

- Desembarque 2 - É comum você ver pessoas no finger encostadas ao lado direito. A primeira vez eu achei que já fosse o pessoal do próximo voo para embarcar, pensei "que desespero é esse para não atrasar o próximo voo". Mas era apenas o pessoal que despachou a mala no portão esperando ela ser entregue. Se você despachou no portão, você retira no portão do avião, se você despachou no checkin, você retira na esteira.

- Esteira - As esteiras de bagagem de todos os voos nacionais ficam depois que você sai da área restrita de passageiros, assim qualquer pessoa que venha da rua também tem acesso àquela esteira. Pois é, será que funcionaria no Brasil? Nenhuma mala seria furtada?

Finalmente terminei a fase de voos este ano, mas ano que vem tem mais. Dia 06 já estou de volta ao aeroporto para mais "diversão".

Bom ano novo a todos. Em 2014 tem mais posts.

sábado, 14 de dezembro de 2013

#12 - "Frew" York

Oi pessoal!!

Como está esse verão no Brasil aí? Espero que bem quente!! Quando chegar aí vou querer expor cada célula do meu corpo ao máximo de raios UV que eu conseguir! Esse frio aqui tá demais..

E por falar em frio, quem me conhece sabe que mesmo os 3 anos morando em São Paulo (nossa... foi tempo...) a minha baianidade não me permitiu adaptação ao frio de 7 graus, 6 às vezes, que peguei em SP.

Aí me contaram a história de que o frio aqui em Houston não existia, que era quente e húmido igual a um pântano, que era um calor danado... etc etc... e eu sei que um dia eu acordei de manhã e o termômetro estava apontando 3 graus Celsius... Ah como eu reclamei... "Que frio", "Fui enganada", "Que frio aqui dentro de casa", "Esse vento tá me matando"... Se eu soubesse o que eu ira enfrentar algumas semanas depois em "Frew" York... digo... New York, eu jamais teria reclamado do frio de Houston.

Enfim... chegou o dia da tão esperada viagem, onde eu iria rever minhas amigas amadas que não via há quase 1 ano, Prisilha e Arields (e seus respectivos Leitão e Elcimar) e minha irmã, Larissa. E Prisilha toda animada no Whats App: "Eu tô liberada 10:40 PM, a gente pode se ver e fazer algo", eu pensei: "Essa menina tá é animada". Como sabíamos que iríamos chegar tarde, não deixamos nada pré-combinado, reservamos um taxi online e fomos para o ponto de espera, uma pista central similar àquelas que tem no aeroporto de Guarulhos.

Eu achei que o meu traje de guerra (2 calças, camisa de lã, casaco de 3 camadas sendo uma de papel alumínio pra manter o calor, cachecol, luva - que eu roubei de Luiz - e aquele protetor de orelhas com pelinhos) seria suficiente para conter o frio... obviamente não foi. Chuva, sensação térmica de -3 graus Celsius, e um vento de rasgar a espinha nos recepcionaram em NYC... E para completar a belezura, o taxi estava no terminal errado... Depois de alguns minutos de sofrimento, finalmente entramos no Lincoln preto e fui informar no Whats App que já havia chegado. Arields nem responder respondeu (liguei mais tarde pra o celular dela e Elcimar me disse que eles já estavam há muito tempo enrolados debaixo de tantas cobertas e que para tirá-los de lá seria praticamente uma incursão ao centro da terra), e Prisilha, a animada, simplesmente respondeu "Tá muito frio, estou voltando pro hotel, não vou fazer mais nada hoje não". Eu pensei: Rapaz... esse frio não deve estar de brincadeira.

Aí chegamos no lobby do hotel que estava mais movimentado que o lobby do Bellagio em Vegas, deixamos as malas e já descemos pra comer no restaurante do outro lado da rua... nem Einstein explica a quantidade de tempo que levou pra andar aqueles 50 metros, esperar o semáforo abrir e entrar no restaurante... eu diria que um mês se passou, de tanto frio que passei. Depois de despir metade das camadas (esse tira e bota de roupa cansa, viu?) conseguimos acessar o menu do restaurante. A sopa, o vinho e o file mignon estavam divinos e depois de um jantar reconfortante era chegada a hora de voltar... Cadê a coragem pra ficar esperando aquele semáforo abrir de novo? Aí meu marido, inteligente e sagaz, disse: "A gente fica aqui de dentro esperando o semáforo abrir... e quando abrir a gente.... VAAAAAAAAAAAAAAAAAAI abriu, abriu, abriu!". Tive 2 segundos pra me recuperar do susto e já fui sendo rebocada por Luiz que corria pra pegar o sinal aberto. Porque o frio extremo requer atitudes rápidas e extremas, hahaha.

O dia seguinte até que não foi tão sofrido, porque passamos a maior parte do tempo indoors (museu de cera, show da Broadway do Rei Leão e um bar inusitado que minha irmã levou a gente). Acho que era Deus amenizando o que nos aguardava no Domingo. 100% de chance de neve. A gente resolveu dar uma caminhada até o Rockfeller Center.. pra ver a árvore gigante... 4 quarteirões... não podia ser tão mal assim... até o terceiro quarteirão, até que estava suportável apesar dos 0 graus. Mas aí veio a maldita esquina do Radio City. E com ela, o vento. Eu entendi profundamente todas as pessoas que dizem que o problema não é a baixa temperatura, é o vento.  Eu achei que meus ossos iam trincar naquela hora... até senti um cheiro de queimado e pensei que estava delirando. Até agora n sei o que foi. O que eu sei é que nos jogamos na loja na NBC e eu fui me sentar porque estava para ter um piripaque. O rosto gelado, a mão e as orelhas congeladas. Luiz querendo disfarçar pra eu não me preocupar com ele, mas depois ele confessou que também passou mal. Tomei um choque BRUTAL ao me encostar no balcão do caixa... Luiz achou que eu estava exagerando e depois tomou o dele no corrimão da loja. O resultado: compramos um gorro pra ele e outro pra mim, vimos a árvore de dentro da loja mesmo e voltamos pra hotel, pra nos prepararmos para ir até o aeroporto em New Jersey de metrô / trem.

E começou a nevar. Aqueles floquinhos brancos caindo do céu até que foram bonitos nos primeiro 2 minutos. Na hora que tivemos que trocar do metrô pro trem tínhamos que sair ao ar livre e as instruções não eram claras e a gente ficou perdido uns 10 minutos na neve. E de novo a relatividade do tempo de parecer que se passou um mês. Nossa luva não era touch screen então tivemos que botar a mão pra fora pra ver a direção do trem no mapa do celular (DICA: use luva touch screen). E enfim achamos a estação do trem. Nessa parada tinham umas luzes bem quentes no terminal e o povo ficava se aglomerando igual a formiga no açúcar pra se aquecer do frio! Um negócio diferente. Mas antes da glória de chegar ao delicioso aquecedor do aeroporto, ainda teve mais....

Na segunda baldeação (uma parada antes do aeroporto) a estação não tinha a luz que atrai o povo na plataforma do trem. Eu fiquei na parte interna esperando Luiz comprar o último ticket e ele me vem com a seguinte notícia:
- "É 100 dólares o ticket pra ir até o aeroporto"
- "Oi? Mas é uma parada só... vc olhou direito"
- "Vc tá duvidando é? Eu fui na maquina que o homem da estação me apontou"
- "Não é possível, vou perguntar nesse trem que acabou de parar..."

Olhei pra trás e ele tava me seguindo e depois da filinha que tinha, perguntei a um funcionário se esse era o trem pra Newark (aeroporto). Ele com uma cara blasé e de poucos amigos me disse. "Sim, entre agora é a próxima parada". Feliz com o fim do suplício, olhei pra trás pra procurar Luiz e ele tinha sumido, quando olhei pra frente de novo, o trem vazou. Nãããããããão... Pra onde foi essa criatura, meu Deus? Não sei se foi o frio ou se ele achou que eu ia pagar mico perguntando, ele voltou pra onde tinha aquecedor. Ele disse que foi olhar a tabela de preços de novo. Falei pra ele não sair da minha cola e quando chegou próximo trem perguntei o preço a outro funcionário e ele me disse que era 2,75 dólares... 7,75 se vc pagasse dentro do trem. Aí a gente pulou dentro do trem e acabou nem pagando a passagem pq não deu tempo do cobrador chegar na gente. E a saga chegava ao fim: calor, aquecedor, aeroporto, paz.

Tudo bem que o avião atrasou mais de uma hora pra sair porque primeiro tinham que limpar a nave da pista, depois tinham que passar o avião por debaixo de umas luzes potentes pra derreter a neve e depois jogar um spray com um fluido anti congelante, pra só aí o avião poder decolar.

De toda essa experiência algumas conclusões:
* New York no inverno nem de graça
* Houston não é tão frio assim
* Comprar uma luva touch screen é essencial
* O frio irrita
* Neve atrapalha o dia-a-dia.
* Eu AMO o calor de SSA.

Beijo gente! E em menos de uma semana Brasil il il! E algumas fotos de NYC pra vcs.





quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

#11 - Trabalhando no estrangeiro: a missão - Parte 3 - O dia a dia no trabalho

Oi pessoal! E mais de dois meses depois, cá estou eu para completar a última parte da saga.

Mil perdões pela demora... é que foi juntando a rotina corrida com a preguiça interior e acabei não escrevendo nunca! Mas prometo que vou tentar atualizar isso aqui numa periodicidade digna... porque as situações inusitadas não pararam de acontecer....

Desculpas devidamente pedidas, lá vamos nós para a última parte (será que ainda lembro de tudo? hahaha). Passar esses dois meses adicionais trabalhando e conhecendo a essência e confirmando que as primeiras impressões se confirmaram. Então, relembrando os tópicos do post passado (depois desse abismo de tempo tem que relembrar):


1. CONTATO DE PRIMEIRO GRAU (Situação de Aprendizado / Mico)
2. REUNIÕES(Situação de Aprendizado / Mico)
3. CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS (Situação de Mico / Aprendizado)
4. ALMOÇO COMEMORATIVO (Situação Inusitada)
5. COCA COLA NA COPA (Situação Inusitada)
6. SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY (Situação Inusitada)

E sem "mi mi mi" vamos aos fatos nus e crus:


1.  CONTATO DE PRIMEIRO GRAU
Sabe aquela média que vc estava acostumado a fazer no Brasil para puxar papo com as pessoas da sua baia? Isso não existe na América... Bom dia aqui é educado, mas não é necessariamente uma convenção social a ser seguida... hahaha Eu me lembro que no Brasil se eu chegasse e não desse bom dia, normalmente 0,5 milésimos de segundo depois alguém perguntaria: "Dormiu comigo? Não me deu bom dia..." ou "Tá tudo bem? Chegou séria hj..." e, por bem ou por mal vc tinha que emitir algum grunhido de justificativa.

Eu aprendi isso na raça! Naquela de quebrar o gelo na malemolência brasileira fui perguntar a um colega qual era a impressora do andar, que eu ainda não sabia... pra adicionar e ver se ele perguntava o que eu tava fazendo, se estava gostando... aquelas coisas de praxe.
- Bom dia
- ... (aceno de cabeça)
- Desculpa interromper, mas... vc pode me dizer qual a impressora do andar pra eu configurar meu acesso.
- (cara de não desculpo a interrupção) (pausa dramática) (silêncio constrangedor) (cliques no mouse)... Acho (como assim acha? vc nunca imprimiu nada aqui?) que é a impressora XPTO.
- Err.. Obrigada... (#soquenão)

Lição aprendida e jamais esquecida: antes de fazer contato de primeiro grau, de preferência mande um email ou agende uma reunião (mesmo que essa vá durar apenas 10 minutos). Pode parecer estranho, mas até que já me acostumei e enxergo as motivações. Sem contar que em termos de planejamento de atividades do dia, esse approach é bem legal...

E por falar em reuniões:

2. REUNIÕES: 
Eu já postei alguns comentários sobre a eficiência das reuniões que participo aqui no face e é uma coisa que estou AMANDO. Reuniões programadas pra durar 30 min começam no horário (ou antes) e terminam no horário (ou antes). E, excetuando-se quando o membro atrasado é a peça principal da reunião elas vão começar: com ou sem vc. O chefão dos chefões aqui é britânico e as reuniões gerais, aquelas que tenderiam a se arrastar por horas e horas aqui tem agenda (com hora de início e fim para cada um q vai falar).

Eu mesma aprendi rapidinho.... de segunda a quinta temos uma reunião de 15 min às 09:30 da manhã que sempre acontece na sala A. Um dia aleatório, essa reunião foi marcada pra acontecer na sala B. Aí eu passei uns 3 minutos antes, cumprimentei a galera, perguntei se estava tudo certo pra reunião e me dirigi pra sala A (não reparei no aviso que naquele dia era na sala B. Estranhando que era 09:31 e não tinha chegado ninguém, resolvi voltar e dar uma checada na baia do pessoal que participaria da reunião... NINGUÉM! Pensei se era algum tipo de pegadinha com a novata... e pedi pra secretária olhar a reserva de salas. Ela me informou que a reunião estava agendada pra sala B. Cheguei na sala B às 09:06 e a reunião já estava no seu ápice, a penúltima pessoa que deveria dar o update já estava falando e eu havia perdido mais da metade das discussões.

Lição aprendida e jamais esquecida: cheque 3x o o local no MS Outlook antes de se dirigir pra uma reunião e chegue no horário. A reunião irá começar no horário.

Uma coisa importante pra chegar sempre no horário é lembrar do:

3. CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS
Essa foi engraçada tb... Aqui, o mesmo crachá que você usa para abrir as portas é o que você pluga no computador para acessar a rede segura da Siemens, ler email encriptados, etc... E eu fico no décimo andar, mas trabalho frequentemente com o pessoal do nono, então uso a escada pra não ficar esperando elevador e aproveitar e fazer um exercício... só que na escada tb tem o leitor de RFID pra abrir a porta... Vc consegue abrir a porta sem o crachá, mas uma vez nas escadas, só com crachá pra acessar outros andares... Um dia desci pra falar com o pessoal e... e.... adivinhem?! Deixei o crachá no note. Ai no instante em que ouvi a porta do andar de cima bater atrás de mim, olhei pra porta de baixo e me dei conta que estava presa... ali... novata... sem querer bater na porta pra não pagar mico. O desespero querendo dar as caras, fazendo acelerar as batidas do coração... Olhei pra minha mão e por sorte estava com o celular! Pensei: "Vou ligar pra Luiz abrir aqui pra mim e... ah não... ele tá na California...". "Vou ligar pra Fábio... e... ah não... essa bosta está sem sinal". "Vou sentar aqui, chorar, pedir pela minha mãe, e esperar até a hora que alguém resolva fazer um exercício e me encontre aqui... ou a minha caveira..." Até que tive a brilhante ideia de descer até o primeiro andar, hahaha e subir de elevador até a recepção principal. Para minha sorte a galera do sétimo andar não tinha controle de acesso e eu só precisei descer 2 andares pra executar meu plano.

Lição aprendida e jamais esquecida: Faça o checklist mental antes de descer de escada ou sair pra almoçar sem o seu crachá... Depois desse episódio já vi muita gente pagando mico e com cara sem graça dando batidinhas na porta, esperando que uma boa alma se levante e vá abrir a porta.


4. ALMOÇO COMEMORATIVO
Aqui, assim como no Brasil, tem essas celebrações corporativas, de fim de ano, de aniversário e etc... Eu me lembro de umas comemorações muito divertidas que tive no Brasil... tão divertidas que deixavam muita balada no chulé. Sem contar o fator interação social. Assim... no começo eu achei um pouco estranho, mas se vc mantiver na cabeça o fator produtividade, até que não é tão estranho assim... vc recebe um email dizendo: "Junte-se a nós na comemoração dos aniversariantes do mês tal!". Ai da primeira vez eu fui achando que ia ter bolo, parabéns, bingo, rê-tê-tê, presente, chamando o nome de todo mundo e talz... só acertei na parte do bolo (muito bom por sinal). Um parêntesis: acho que se eu tivesse nascido aqui eu iria curtir doces.

Enfim.. o povo chega, pega sua fatia, come.. alguns dão parabéns pros aniversariantes, outros conversam com seus grupinhos... e tem aqueles que vão só pra pegar a sobremesa descaradamente e voltar pra suas mesas, rs. Um grupo se destaca pela conversa animada e gargalhadas esporádicas... vcs tem uma chance de adivinhar a nacionalidade dos integrantes. hehehehe


5. COCA COLA NA COPA

Essa é rápida e : vending machine na copa a 25 centavos a latinha da coca. E com o plus de ter um máquina de pipoca... 0800. Preciso dizer mais alguma palavra sobre o assunto? Uma coisa que eu achei curioso é que para mim coca cola aqui nos states sempre foi Coke... mas em muitos lugares vc pede Coca Cola e na latinha tem escrito Coca Cola...

6. SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY
Eu não me lembro se ja entrei em detalhes sobre esse assunto, mas aqui quando vc entra na empresa, vc recebe um .ppt com um dress code para homem e para mulher dizendo o tipo de roupa que é que não é permitido vestir no trabalho. Até aí ok... o que eu fiquei chocada é que calça jeans e camisa pólo NÃO SÃO permitidas pelo dress code... e nem tênis... eu acho que 80% dos meus dias de trabalho no Brasil ou eu estava usando calça jeans ou camisa pólo, ou os dois... e achava que estava muito composta, hahaha. Me achando a última bolacha do pacote com aquela pólo classica, estilo Tommy Hilfiger que absolutamente todo mundo no Brasil tem, aqui eu estaria fora do dress code. E o mais engraçado é a frase final do power point: se ficou na dúvida se está adequado, é porque provavelmente não está!

Mas na sexta... ah... na sexta... como eu adoro! Além de ser o dia que até seus chefes vão embora 4 da tarde e 05 estar mais deserto que o Atacama, você pode vestir o que quiser. Jeans, Tênis, Pólo, camiseta amassada que vc pegou da roupa suja deu aquela cheirada e viu que dava pra vestir de novo e está mais amassada que se tivesse saído da boca do boi, vc vê de tudo e mais um pouco na sexta. O clima é realmente outro no escritório. E como aqui tem aquela esquema de trabalhar 1h a mais todo dia e folgar sexta sim, sexta não o ambiente fica bem mais vazio.

Acho que é isso gente... Por hoje é só e em breve eu volto com post novo... pelo menos mais breve que da última vez!

Beijos a todos.

sábado, 28 de setembro de 2013

#10 - Trabalhando no estrangeiro: a missão - Parte 2 - Visão Geral do Ambiente

Oie gente! Conforme prometido, vamos à parte 2 da saga :)

Depois que peguei o meu atestado e saí da clínica me restava ir para casa para relaxar de toda tensão,
mas lembrei que precisava resolver umas coisas no escritório do seguro social, pois o meu ainda não tinha sido enviado para minha casa. O escritório ficava uns 15Km distante o que para os padrões Houstonianos é até perto quando você pega as Highways (as estradas de alta velocidade que ficam dentro da cidade). Decidi ir lá, já que já estava na rua mesmo... até aí tudo bem.
No meio do caminho (e no meio da estrada) o litro de água que eu havia tomado na clínica começou a fazer efeito e cada micro oscilação que o carro fazia aumentava o meu desespero pra ir no banheiro pra me liberar do restante da água que estava urgindo pra sair. Foi aí que eu vi aquele gigante M amarelo se aproximando e eu lembrei que no Brasil, quando a vontade de fazer xixi apertava na marginal a solução era usar o banheiro do Mc Donalds. Quase como numa cena de velozes e furiosos dei uma girada brutal no volante para não perder a saída da Highway e parei no Mc. A parte estranha começa agora... Só depois que parei que eu percebi que o bairro ali não era assim tão amigável quanto os que eu costumava frequentar...

Pra não dizer que eu fui lá apenas para usar o banheiro, ainda tive a frieza de pensar em parar no balcão para pedir um McFlurry. Abri a porta do Mc andando mais estranho que a Valdirene da novela das 8 pra segurar minha bexiga e tinha 2 caras parados no balcão. Perfil negro de filme americano, uma mistura de P. Diddy \(antigo Puff Daddy) com Michael Jordan, uma touquinha na cabeça e as trancinhas saindo assim do lado. Quando um deles começa a falar.

Cara - Wow! Você é muito bonita.
Eu - Moça, bom dia, eu gostaria de um McFlurry oreo por favor (morrendo de medo de sequer olhar pra cara do homem, a vontade de fazer xixi chega se aquietou)
Atendente - A senhora quer que tamanho?
Cara - Lady, você é tão linda que eu tenho até vontade de cantar a sua beleza...
Eu - O menor. (o medo virou pânico)
Atendente - Qual o tamanho senhora? (a mulher parou de prestar atenção no que eu falava pra observar a cantoria do homem que começou a cantar alguma música com beautiful lady no meio num tom meio Justin Timberlake e dar uns gritinhos agudos entre uma estrofe e outra estilo Edson Cordeiro e fazer aqueles "uh, ahn" que a galera do hip hop faz).
Eu - O MENOR (pelo AMOR DE DEUS). Eu ignorava solemente aquela situação em que estava sendo literalmente cantada, como se eu estivesse sozinha com a atendente do Mc.
Atendende - Ok (a maldita se matando de rir da situação, juntamente com o amigo de "Michael Diddy", que n parava de cantar sua composição e ainda dava estaladinhas nos dedos pra marcar o ritmo).

Depois de 45 segundos tomada pelo pânico e vergonha, com o calor subindo e ficando vermelha querendo sair dali o mais rápido possível, parte da minha vida passou diante dos meus olhos, mas me lembrei do motivo que estava ali. Peguei o mcflurry na mão da mulher e corri para o banheiro, já avaliando se tinha uma saída na qual eu n precisasse passar na frente do cara de novo.

Depois dessa situação inusitada que precisava ser relatada vem o pulo no tempo onde viajamos com a família de Luiz para NYC + Vegas e voltamos para Houson para eles conhecerem aqui em casa. E na segunda fui para o meu primeiro dia de trabalho!!


Cheguei lá na recepção no horário combinado, vestida de acordo com o dress code (sim, eu recebi um email com dezenas de instruções do que era permitido ou não usar - nota: não é permitido ir de calça  jeans nem camisa polo)e antes de abrir a boca pra falar qq coisa a recepcionista: "Vc é a "Lourêinah"?. Fiquei impressionada, parecia até que o pessoal estava na espreita... Ai ela me veio com mais alguns papeis pra assinar e pediu pra eu entrar pela porta ao lado. Nisso a mulher falou alguma coisa rapidinho, me encostou na parede, já sacou uma câmera e tirou uma foto minha. Eu ainda meio atordoada com o flash e com a situação nova perguntei:
- É pro crachá?
- Sim, e aqui está o seu crachá provisório, seu crachá do estacionamento, a sua pasta de boas vindas, a sua caneca (!) e a sua plaquinha com o seu nome para colocar na mesa. Pode me aguardar aí fora de novo por favor...
(5 minutos depois)
- Pronto "Lourêinah", eu estou pronta para você agora (só agora?!). Este aqui é seu notebook, vamos lá em cima na sala da sua chefa e eu vou preparar o seu lugar enquanto conversa com ela.


Eu estava em choque com a eficiência e praticidade. Simplesmente seguia o que a moça mandava eu fazer. Depois do papo com a chefe fui lá sentar na minha baia e achei meio estranho que os caras que compartilhavam o lugar comigo não me deram bom dia. Ok.. Deviam estar ocupados.. pensei. Depois eu vi q não era nada disso... a eficiência aqui é levada beeem a sério... tem gente que nem sai pra almoçar pra acabar o que tem pra fazer e ir pra casa cedo... tem dia que por volta do meio dia sobe aquele cheiro de pipoca de microondas... é o almoço de muita gente. Parar para bater aquele papo e saber das novidades do dia com seu colega de baia não existe! Futrico no café então? NO WAY! Vou descrever algumas situações que eu passei nessas primeiras semanas pra vocês entenderem a essência de se trabalhar num escritório americano e os micos que paguei na adaptação, mas como esse post já tá muito grande vou escrever outro em breve descrevendo com detalhes as situações abaixo para vocês não se cansarem!

CONTATO DE PRIMEIRO GRAU
REUNIÕES
CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS
ALMOÇO COMEMORATIVO
COCA COLA NA COPA
SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY

See ya!!

sábado, 21 de setembro de 2013

#9 - Trabalhando no estrangeiro: a missão - Parte 1 - O Processo Seletivo

Oi pessoal, depois de um período sabático, o blog voltou! E obrigado por todos aqueles que cobraram a gente por novos posts. Agora eles voltarão!! Tivemos que dar uma pausa porque passamos por um período agitado aqui com viagens seguidas, processos de emprego, visitas da família e otras cositas mais. Desculpas devidamente pedidas vamos ao novo post.

Como a maior parte já sabe, eu vim para cá para os EUA com o visto L2, que nada mais é que um visto de cônjuge de visto L1, que é um visto de trabalhadores qualificados transferidos pela mesma empresa (que é o caso do Luiz). Uma das boas coisas da categoria L para visto é que o cônjuge pode trabalhar, mediante uma autorização da imigração e com uma carteirinha conhecida popularmente como "work permmit". A primeira coisa que fizemos quando cheguei aqui foi dar entrada na papelada para tirar essa permissão porque o cargo de 100% dona de casa, definitivamente, não casava com o meu perfil agoniado de ser.

Desde o Brasil, eu já fica mandando CV e preenchendo formulários para a minha area de engenharia, mas o fato de ainda não estar morando nos EUA influenciava. Recebi alguns emails de "adoramos seu curriculo, mas como vc n mora aqui, vamos seguir com outros candidatos". Depois que cheguei, surgiram umas novas oportunidades na mesma empresa que eu e Luiz trabalhávamos no Brasil e, tchan tchan tchan tchan: fui chamada pra entrevista! Depois do momento de euforia, veio o pânico: a única entrevista que fiz na minha via foi pra entrar no programa de estágio e sempre trabalhei no mesmo lugar... agora além de tudo era entrevista como profissional e... em inglês, que convenhamos, o meu está longe de ser fluente...

Como estou tomando aulas de inglês, pedi a professora para reforçar esse ponto de entrevista profissional e ela veio com 3 livros sobre entrevista de emprego e foram dias e noites e horas e horas lendo e me preparando para não gaguejar, travar e ainda, de quebra, mostrar minha experiência profissional. E no dia da entrevista, deixei Luiz no aeroporto (pq esse homem só faz viajar desde que chegou aqui, rs), e fui pra casa me preparar para o momento tentando me manter zen e não entrar em autocolapso.

A entrevista até que correu bem, eram 3 pessoas de uma vez me entrevistando metralhando uma pergunta atrás da outra, pra ver se eu sabia explicar cada bullet do meu currículo. Por sorte, eu usei um blazer pra esconder a pizza enorme que se formava embaixo do meu braço, porque eu estava suando mais que cuzcuz no fogo e minhas mãos estavam geladas. Assim que me levantei da cadeira chique de couro da sala de entrevista e me despedi dos entrevistadores, dei aquela olhadinha rápida para o lugar que eu estava sentada e morri de vergonha... eu suei tanto que as duas marcas das minhas pernas molhadas estavam na cadeira, como se eu tivesse tido incontinência urinária... pedi a Deus que nenhum dos entrevistadores tivesse visto aquilo. E voltei pra casa, deitei no carpete mesmo e fiquei ali naquele estado letárgico até anoitecer, tentando repor minhas energias.

Depois disso foram duas semanas esperando pra saber o resultado, quando às 05:30 da manhã de uma sexta-feira recebi a ligação! Vocês podem estar estranhando 05:30 da manhã?! Não... o pessoal não é tão workaholic assim... é que eu estava acompanhando Luiz na califórnia e lá são duas horas a menos, aqui em Houston eram 07:30 já... eu dei um pulo na cama, me desequilibrei e quase me estribuchei no chão e falei: "Luizzzz, é um número de Houstoooon" e fiquei fazendo aqueles aquecimentos na garganta pra moça do RH não reparar que eu estava no milesimo sono. Eu tinha certeza que era o pessoal me ligando.

Atendi.

- Alô. (tentando soar o mais naturalmente possível dentro da minha agonia)
- Alô, é Lorena?
- Sim, sou eu..
- Olá, aqui é Fulaninha XYZ, do departamento de RH da Empresa, tudo bem?
- Oi! Tudo bem e vc?
- Tudo maravilhoso!
- Ótimo!
- Estou ligando para te informar que você foi selecionada para a vaga. Você tem interesse na posição?
- Sim! (pergntando a macaco se que banana, baby?!)
- Ok, em breve te enviaremos um email com a oferta formal e informações sobre a verificação internacional do seu background e o seu teste de drogas.
- Verificação do background? (como assim?!)
- Sim, sim... precisamos ter certeza que você não é uma criminosa, nem nada assim no Brasil... Leva mais ou menos duas semanas, vc vai ter que preencher alguns formulários (quando ela disse alguns, na verdade ela queria dizer milhares) e vamos te enviar o nome da clínica para você ir fazer o teste de drogas. Podemos marcar o seu início daqui a 3 semanas?
- Ah tah...ok então! Daqui a 3 semanas!
- Muito obrigada, e seja bem vinda!
- Obrigada a você!

Depois de fazer uma espécie de dancinha da vitória antes das 06 da manhã e ver Luiz, apesar do sono, dar uma risadinha e me dar um parabéns caloroso, voltei a dormir.

Voltei pra Houston e comecei a preencher as dezenas de milhares de formularios, sempre reconhecendo que "se eu estivesse mentindo ou omitindo dados eu poderia ser criminalmente penalizada e extraditada dos estados unidos". Perdi a conta de quantas vezes tive que dizer ok, eu entendo isso. E tive que mandar informações de toda a minha vida pregressa no Brasil, onde morei e trabalhei ons últimos 10 anos, certidões de todo o tipo, histórico medico e etc etc etc (acho que esse povo faz investigação de vidas passadas... pra ver se vc cometeu algum crime no ano de 1600 quando vc vivia na sua capitania hereditária).

O exame de drogas tb foi curioso. Achei que fosse ser exame de sangue. Aí cheguei na clínica, preenchi mais formularios, e esperei. Fui pega de surpresa quando fui chamada na sala e vi que não era através do sangue que eles iriam verificar que eu estava "limpa"... era através da urina. A moça, falando mais rápido que a nêga do leite, me deu um potinho e disse que eu teria que encher até um determinado ponto senão o teste seria invalidado e etc etc etc... Foi tanta informação e condições a serem seguidas que fui pro banheiro e o xixi simplesmente não queria cooperar e parecia ter fugido como o diabo foge da cruz. Com a cara de vergonha, alguns minutos depois, cansada de mentalizar cachoeiras e aguas correntes pra ver se ajudada, e o pote vazio saí.. olhei para a cara da moça e disse:
- Err.. não consegui..
- Ok... vou colocar aqui que a quantidade de amostra não foi suficiente, obviamente, pq vc n tem amostra nenhuma. Vc tem 3h para nos fornecer uma nova amostra satisfatória e tem agua lá fora para você ficar tomando. Se vc não urinar em 3h nós vamos entrar em contato com a empresa para ver o que eles querem fazer. (me prendi pra não dar risada).
- Ok.
- Quando você achar que está pronta vc avisa a qq pessoa na recepção.
- Ok... (vou falar o que gente... oi, quero fazer xixi).
- E ATENÇÂO, isso é MUITO IMPORTANTE, não saia do predio ou o teste sera invalidado. (pq? vou mandar minha irmã gêmea vir e fazer xixi no meu lugar?! Mas n quis perguntar nada...)

Tomei 2 garrafas de quinhentos ML,  mal conseguia me mexer com a bexiga tão cheia e finalmente a vontade veio. Não queria perder a chance de começar no novo emprego porque não conseguia fazer xixi... Fiz o teste, o resultado sai na hora, pois eles botam o potinho de xixi numa máquina super moderna que dá o resultado em segundos... peguei meu atestado de não drogada e fui embora da clínica.

Estava tudo lindo e correndo bem... tirando o leve medo de ser atacada no Mc Donalds (cena do próximo post)... E foi nesse momento que me dei conta de que a odisséia de verdade ainda estava por começar: trabalhar e me comunicar em inglês o tempo inteiro... com pessoas novas, cultura e ambiente diferentes... e aí, novamente, o pânico começou a tomar conta, hahahaha.

Em breve postarei a segunda e mais divertida parte do texto que é o que aconteceu depois que saí da clínica e como foi a minha primeira semana de trabalho. Porque esse post já está grande demais!! Posso adiantar que é tudo beeeeeem diferente do Brasil.

Beijos para todos!

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

#8 - Abastecer o carro sempre foi tão simples no Brasil...

Oi pessoal!! Pra quem estava com saudade, estamos de volta! E hoje pra contar sobre a aventura que foi a minha primeira vez num posto de gasolina sozinha nos states. Foi, no mínimo, curioso!

Começando do começo: Luiz, por necessidades do trabalho, foi passar 3 semanas na Califórnia, numa cidadezinha chamada Bakersfield. Como eu estou nesse período de "férias", decidimos que as duas últimas semanas eu passaria lá com ele e que faríamos um road trip até San Francisco. Demaaais!

Fui num vôo diferente do dele, porque ele precisava chegar mais cedo lá, além de o meu vôo ser mais barato, por ser mais tarde. Assim sendo, fiquei com incumbência de devolver o carro alugado e, para isso, precisava encher o tanque próximo ao aeroporto. E assim começou a saga de um "new nativo" que precisa se virar sozinho. Até este momento, sempre tive Luiz ao meu lado para discutir e chegar a um consenso sobre o melhor jeito de resolver algum problema intercultural que ocorresse... mas agora era Just Me... Nem ligar eu podia, pois ele estava voando pra Bakersfield.

Não sei se todos sabem, mas aqui os postos de gasolina são self-service... fui repassando o checklist mental sobre o passo a passo para encher o tanque sem erros de percurso que eu tinha feito antes de deixar Luiz no aeroporto de manhã e me questionei por que cargas d'água eu não saí do carro nenhuma das vezes em que abastecemos o carro pra ver como ele fazia... Mas... em tese é simples: coloca o cartão na máquina, diz que é débito, seleciona o tipo da gasolina, espera o ok, tira a magueira (ou qualquer que seja o nome científico) da bomba, abre o tanque, coloca a mangueira lá e aperta até encher. Cheguei confiante na bomba, desliguei e saí do carro, coloquei o cartão e... "por favor, insira novamente o seu cartão". Coloquei novamente o cartão e... "por favor, dirija-se ao caixa". Nããão... tudo que eu não queria era ter que fazer interface naquele momento, quase que pensei em encher com a limonada que eu estava tomando já que o pote era tão grande... mas encarei a realidade de que não dava os 10 galões que precisava encher o tanque. Fui lá. Já tentando me explicar para o caixa da loja de conveniência tudo que tinha ocorrido até então. O homem com uma cara blasè e de poucos amigos me disse "I already know... Just leave your card here and get back to the pump" (que traduzindo em português e associando à cara que ele fez, significa: Eu sei, querida... o sistema aqui é informatizado e eu já sei inclusive qual a bomba... deixe a droga do cartão aqui, volte lá para fazer o seu trabalho e não me atrapalhe no meu").

Fiz a obediente e voltei. Aí já fui puxando a mangueira quando o alto-falante da bomba (sim... tinha um alto falante na bomba) com a voz delicada do nosso amigo do caixa e me avisava "suavemente":
- Senhora, selecione o combustível primeiro.
- ... (eu dei uma travada para entender direito de que parte do além estava vindo aquela voz... ainda não tinha processado a mensagem que vinha da bomba)
- SENHORA, SELECIONE O TIPO DO COMBUSTÍVEL.
- Oi? Ah.. Ok... (nesse momento me lembrei do Chaves e queria ter falado um: tá bom, mas não se irrite)

O coração já palpitando com a situação tensa, selecionei o tipo do combustível. No meio da confusão o espírito mão de vaca falou mais alto e eu escolhi o mais barato. Ai a máquina me orientou a tirar a mangueira. Obedeci de novo e tirei, mas como Murphy não dorme em serviço, por causa de um centímetro de distância, a droga da mangueira não entrava no tanque... aí sem saber muito bem o que fazer, porque a máquina já tinha me ordenado a tirar a mangueira da bomba, dei dois passinhos na direção do tanque, meio que querendo esticar a mangueira até o talo... não rolou, já estava no talo... aí, meio na dúvida, me mantive segurando a mangueira e deixei o braço esticado para fora e para trás, liguei o carro e andei fiz ele andar um pouco para frente . Uma cena ridícula... eu fiquei imaginando o que as pessoas que olhavam aquela cena imaginavam... Mas, sem perder a pose nem olhar pra cara de ninguém, finalmente consegui colocar a mangueira no tanque.

Achei que o pior já tinha passado... Ledo engano... coloquei e comecei a apertar, mas eu notei que não estava travando quando eu deixava lá. No Brasil eu sempre vi os frentistas deixarem a bomba lá carregando e irem limpar o vidro e depois, automaticamente, o abastecimento parava na hora certa. Essa mágica não estava acontecendo naquela hora... PORQUE MISTER M., PORQUEEEE? Já suando mais que uma leitoa, eu fui ler as instruções na tampinha do tanque e elas diziam que tinha que pressionar a mangueira no tanque... as imagens não estavam muito intuitivas, mas eu entendi (achava) que tinha que push (empurrar). Aí comecei a empurrar essa mangueira com toda a força que Deus me deu pra ver se travava, e nada.. a bicha voltava... e eu empurrava aquela maldita mais ainda. Ficamos naquele empurra-empurra, eu de cá e ela de lá, mas pelo menos eu mantive o meu dedo pressionando a alavanca e jogando a gasolina pra dentro durante o processo. Até que uma hora ele travou e, segundo meu marido me informara, isso era um indício de encheu até o automático. Obrigada, Senhor!!
Fui lá falar com o "mister simpatia" pra pegar meu cartão de volta e pagar. Aí nem bem abri a porta ele falou:
- Seu total foi de 30 dólares e 58 centavos.
- Ok.
- Qual será forma de pagamento.
- Débito. (por acaso o cartão está aí com você, meu bem... É esse aí que tem a minha cara impressa nele... achou?)
- OK.

E ele me deu o cartão pra eu passar, pq aqui e vc mesmo que passa o cartão na máquina. Pra completar ainda passei o lado errado, o cara deu uma reviradinha nos olhos e eu com aquele sorriso amarelo repassei, agora do lado certo. E a odisséia, finalmente, estava acabada!

Agora eu entendo porque Luiz ficava tão agoniado, parecendo até que ia defender uma tese de doutorado, toda vez que a gente ia abastecer o carro nas nossas primeiras viagens juntos pra cá... se eu soubesse que teria que brincar de touro mecânico com a bomba de gasolina eu tinha ido de chapéu! hehehe Mas fica a dica para vocês quando vierem abastecer aqui nos EUA. Eu recomendo levar alguém com experiência :)

Beijos e até a próxima. Desculpem a demora em postar é que estamos no meio de um total de 3 semanas fora de casa e viajando pra lá e pra cá nas horas em que Luiz não está trabalhando (e a gente neeeem gosta de viajar). Algumas fotos dos points pelos quais passamos nos últimos tempos aí embaixo.

Dallas, no lugar em que JFK tomou o seu segundo tiro, o tiro fatal! Olha o x embaixo dos nossos pés.




 Big Sur, uma cidade que é toda construída na beira da estrada, um pub que almoçamos.

Monterrey, no labirinto de espelhos.. a mente dá um nó...

 Stanford, a nata econômica e pensante do mundo está aqui.

LA, a cidade proibida!

A caminha de Santa Barbara, na estrada que corre do lado do mar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

#7 - Let's dance (or try to)!

Oi gente!! Como vocês podem ver pelo título do post, o hoje foi a experiência da nossa primeira balada aqui em Houston!

Como estamos no Texas, o estado country dos Estados Unidos, nada melhor do que escolher um local inspirado nesta temática para fazer a nossa estréia na vida noturna local.

Fomos num lugar chamado "Wild West" (http://wildwesthouston.com/), indicado pelos nossos companheiros na night: Alysson, Vitor e Laís. Era um sábado a noite e o lugar estava bem cheio, nem tinha lugar onde parar o carro e isso aqui em Houston é uma coisa raríssima!! Quase tivemos que parar no Valet, mas por uma cochilada de Murphy um carro saiu quando dávamos a quarta volta no estacionamento, hehehe.

Como decidimos ir de última hora, não deu pra ir devidamente caracterizada para o ambiente. Já havíamos sido avisados de que lá o estilo era country e, realmente, um chapéu, uma camisa xadrez, um cinto de fivelão e uma bota pros homens e uma camisa xadrez com umbiguinho de fora, nano-shorts e uma bota fashion para as meninas eram a maioria das roupas por ali. Mas tinha gente vestido a paisana como nós, então não foi tão estranho estar com calça jeans e camisa.

Na porta, depois de uma filinha pra entrar, um cara com o típico ar Texano recebendo a galera e pedindo pra mostrar a ID diz que existe oficialmente um dress code. Não entendi muito bem, mas ele falou algo sobre calça branca e tênis branco não serem permitidos... Isso é uma coisa constante nas baladas aqui: tem umas regras malucas pra entrar... homem tem que estar de jaqueta, ou não pode ter uma peça de determinada cor... Lá no Wild West se estivesse com camisa xadrez, bota, espora, fivela e... uma calça branca... não podia entrar... Como se fosse um absurdo vc se dirigir com uma calça branca para uma balada...Mas enfim, hehehe, todos passamos no dress code e fomos pagar a entrada, por que yes Baby, essa era uma das baladas mais caras de Houston, pelo menos que a gente conhecia, e tivemos que pagar 6 dólares pra entrar. Em São Paulo vc n entra em balada nenhuma por menos de 20 reais... A que eu mais gostava lá chegava a cobrar 170 reais pra homeme entrar e 70 pra mulher! Aqui a maioria dos lugares é de graça pra entrar, você só paga o que consumir, então é comum as pessoas saírem a noite e ficarem passeando de bar em bar, balada em balada para descobrir qual estar melhor e depois ficar em um lugar.

Ok, entramos... uma moça preparava umas bebidas vestida (?) dessa maneira singela:


Dei aquela olhadinha de canto pra cara de Luiz pra ver qualquer micro-esboço de reação... Ele estava normal... Ou disfarçou muito bem, hahahaha. Andamos mais um pouquinho e logo à frente estava a pista de dança! Aí o lugar que eu estava achando meio "zuado" começou a ganhar créditos.

A pista estava super cheia, tocando música country e os casais dançando o "2 step", a dança típica daqui que é quase um forró, mas as pessoas não fazem o famoso "2 pra lá, 2 pra cá", é "2 pra lá, 1 pra cá", então os casais ficam andando em círculos no salão no sentido anti-horário (mais conhecido como "sentido do salão"), só que é mais rápido. Parece uma pista de patinação no gelo, onde todo mundo fica girando rápido. rsss

Aí de repente, a música para e o dj anuncia algo no microfone q não consegui entender de primeira. Começaram os gritinhos de "woohooo", o povo dando aquelas goladas grandes nas bebidas pra acabar logo e correr pra pista de dança e começa a formar uma multidão na pista. Eles não estavam aos pares como antes... pensei: "o que vai acontecer aqui? Isso tá parecendo um arrastão..." e aí tocou uma musiquinha que todo mundo fazia o passo igual, chega me arrepiei e fui logo lá tentar imitar o pessoal. É o que eles chamam de "Line Dancing". Foi muuuuuuuito legal! É algo mais ou menos como no video abaixo que acontece várias vezes na noite e quando acontece a galera vai ao delírio. No começo é o treinamento pra vc aprender o passo e depois acelera! Dá para matar várias baratas ao longo da dança. Este vídeo é no próprio Wild West.


Line Dancing

Depois dessa parte começou um baladão, com direito a hip hop e música pop e aí eu vi como o povo aqui pode ficar animadíssimo, chegando a beirar a loucura, eu diria hahaha. Não é aquela dancinha de balada que o Will Smith nos ensina em "Hitch, o conselheiro amoroso"... O povo perde a compostura meeeesmo na hora do baladão: casais começam a dançar meio que uma dança do acasalamento parecendo que não tem ninguém olhando, Joelma do Calypso ficaria invejada com a quantidade de meninas fazendo aquele movimento do "bate-cabelo" jogando a cabeça pra frente e pra trás e os cabelos pra cima e pra baixo, e tome-lhe gritinhos e cantorias... a galera "divando" e soltando a franga que existe dentro de si... uma coisa única de se ver, e esse depoimento vindo de uma pessoa com muitos anos de carnaval na Bahia. Não posso negar que a energia positiva estava dominando!! Aí depois de umas 4 a 5 músicas do baladão volta o country e esse ciclo country+dancinha em grupo+baladão se repete a noite toda.

Uma das coisas mais legais que eu notei é que a parte da dança aqui era para todos os tipos de "dançarinos". Diferente do Brasil, que em geral, nas baladas de forró, 90% é de forrozeiros que dançam razoavelmente bem, assim como nas de salsa, zouk, samba rock e afins. Aqui é livre! Você definitivamente não precisa saber o 2 step pra dar o seu show no dancefloor. Na verdade vc não precisa nem saber dançar... claro que tinham os profissionais fazendo passos que me fizeram dar aquela busca rápida no google pra procurar academias que ensinavam a dança... mas a maior parte era de amadores e dentro dessa grande parte um pedaço era de pessoas que dançam dentro do seu próprio ritmo (que não necessariamente era o mesmo da música), hahahaha, muito engraçado e muito legal! Passava um casal de orientais parecendo que dançava a Polka, depois um pessoal dançando na velocidade 1 quando a música estava na velocidade 5 e vice versa, pessoas simplesmente andando de mãos dadas no sentido do salão...

A sensação de liberdade era tanta que até nós dois fomos lá arriscar o 2 pra frente / 1 pra trás do 2 step. Fomos atropelados algumas vezes pela massa que não tava nem aí em se bater com você, mas fomos com tudo. Na hora que o 2 pra frente / 1 pra trás dava pane nos nossos cérebros treinados pro 2 pra lá / 2 pra cá do forró, a gente jogava nosso intensivão de forró e dava uns giros lá, pra não ficar por baixo nem ser enquadrado no grupo dos orientais que faziam maluquice. Vídeo do próprio Wild West mostrando o "Two Step", perceba que tem pessoas que só andam pelo salão, outros que seguem um ritmo próprio e outros que só passam para dar um "oi" para a câmera.

Two Step

Foi muito bom! Eu super recomendo a experiência e, com certeza, vou comprar minha bota fancy e minha camisa xadrez pra voltar lá! Mas nada de nano-shorts e umbiguinho de fora, pq aí já é demais!! E tenho que garantir que NUNCA iremos lá dia de quarta, que tem um tal de bikini contest, que eles ficavam anunciando toda hora... A primeira colocada ganha 1000 dólares.. fico imaginando os critérios de avaliação.

Por hoje é só gente!! Um beijo grande!

sexta-feira, 26 de julho de 2013

#6 - Entrega Express = Eficiência até demais


Olá Pessoal!

E como vai esse frio aí? Só vejo o povo reclamando loucamente no facebook... eu vi que até nevou... a coisa tá gelada mesmo!

Aqui está o calorzinho característico de sempre e eu, que sempre andei para cima e para baixo com aquele meu casaco preto por precaução (quem conhece, sabe exatamente qual é, hahaha) comecei a deixar ele pendurado no guarda-roupa até pra sair a noite... pq aqui é sempre aquele bafinho quente até de madrugada. Eu prefiro, não vou mentir...

Enfim, o post de hoje é sobre os serviços de entrega aqui nos Estados Unidos... Depois de fazer a mudança das malas do hotel para cá e ficar dormindo 4 noites num colcão inflável, finalmente chegou o grande dia da entrega do primeiro lote de móveis aqui em casa!! Só pra situá-los, nós compramos os móveis numa loja chamada "Rooms to go" que quer dizer "Cômodos pra viagem" e é exatamente isso que eles fazem: vc vai no showroom ou na internet e escolhe uma sala de estar aí vem desde o sofá até o abajur, passando pelo rack e pela mesinha de centro, tudo combinandinho. Claro que vc pode comprar as coisas separadas, mas sai muito mais barato comprar todos em conjunto. No nosso caso, por exemplo, como compramos a sala toda, veio de "brinde" uma TV de 51 polegadas. Compramos a sala de estar e o quarto nessa loja. "Beautiful furniture and everything matches", como disse o vendedor.

Até aí, tudo lindo. Mas como precisávamos dos móveis pra anteontem, pq a casa n tinha nada, pedimos um express delivery e na hora que o vendedor tava dando baixa na compra eu vi a boca do vendedor dando aquela contorcida... achei meio estranho, mas deixei pra lá. Daqui a pouco ele, num tom preocupado, fala:
- Vai ter alguém em casa no horário da entrega?
- Sim, qual o horário da entrega?
- De 07 da manhã às 06 da tarde.
- Oi? Não dá pra definir um turno?
- Não... como é entrega expressa não podemos marcar hora...
- Ah... ok... eu vou estar em casa o dia todo (não vou mentir que fiquei meio contrariada pq ainda estamos sem internet banda larga e tenho muitas coisas pra resolver)
- Mas a senhora vai REALMENTE estar em casa, não vai?
- Vou moço! (só faltou completar com um "Oxente, eu já não disse que vou!", mas achei melhor parar no vou moço).
- Ah.. não repara não, é que na entrega expressa eles estão sempre correndo e se vc n estiver na hora que eles chegarem eles vão embora e cobram outra entrega da segunda vez.
- Mas eles ligam?
- Ligam sim.
- Perfeito!

No grande dia deixei Luiz no trabalho e fiquei pronta desde cedo esperando a galera da entrega expressa, aproveitando cada micro sinal da internet que aparecia aqui pra resolver minhas burocracias. Lá pras 10h da manhã começou um barulho que parecia umas 5 marretadas, como se estivessem fazendo uma obra no ap ao lado. Aí eu até pensei: esse horário comercial o pessoal da manutenção deve começar a trabalhar... continuei ali no computador. Daqui a pouco 5 marretadas ritmadas de novo.. até que resolvi ir até a porta pra ver onde era a obra... e qual não foi minha surpresa ao notar que as marretadas eram nada mais nada menos que as suaves mãos do entregador da "Rooms to go". Nem terminei de destrancar a porta ele já disparou a falar:
- Olá senhora, eu tenho uma entrega de uma sala de estar e de um quarto. É aqui? (disse o homem com um sotaque texo-mexicano)
- Err.. sim.. não esperava que já fossem vcs.. pensei que iam ligar (ainda meio desnorteada com a agrestia pra bater na porta, hehehe)
- A senhora pode segurar a porta por favor?
- Sim...

1 min depois surge um outro homem carregando uma cômoda nas costas... cômoda essa que eu n consigo nem arrastar no quarto de tão pesada. E eles continuaram indo e vindo até trazerem tudo pra cá. Como a porta aqui não fica 100% aberta, eu tinha que ficar segurando a porta pra eles não perderem tempo e irem entrando com tudo. Dando aquela virada básica no rosto e sentindo o ventinho passar quando alguma parte tirava fino (ou uma fina... dependendo da região do Brasil em que você está) do meu óculos ou do meu rosto... Até que na hora do sofá não teve jeito. Por mais que eu me comprimisse que nem um papel contra a parede e virasse a cara ao máximo, quase bancando a menina do exorcista pra segurar a porta, tomei, literalmente, uma "sofazada" na cara. Você pensa que a galera "express" parou? Que nada!! Eles nem viram... e prendendo a gargalhada continuei segurando a porta. Eu sei que eles foram colocando tudo pra dentro (lá ele) e depois de 1h, às 11 da manhã, nossa casa estava com um quarto e uma sala montados. E ainda tive que ouvir uma piadinha de que nossa cama estava tão alta que ia precisar de uma escada pra subir... Apesar dos pesares a eficiência e agilidade me impressionaram. Agora entendi o discurso do vendedor de que eles estavam sempre com pressa. Não havia um pingo de exagero!

O cara da internet veio aqui tb instalar e eu notei que a batida na porta do tipo "marretada pra testar a resistência" é um padrão. Mas graças ao nosso vasto conhecimento de como funcionam as coisas aqui, não era possível instalar a internet sem ter, pasmem, uma televisão.. (vocês devem estar pensando: Oi?) Pois é... como compramos o pacote net+tv+telefone éramos obrigados a instalar as 3 coisas de vez e, por isso ele precisava da tv e do telefone pra instalar a internet. Como ainda não pegamos a TV que a gente ganhou lá na Best Buy vamos ficar mais uma semaninha sem internet, pq a do celular não pega muito bem aqui. O cara até tentou ajudar:
- Moça, vc não tem um vizinho que possa te emprestar uma TV... só agora?
- Ah... ainda não conheço ninguém... chegamos essa semana.
- E daí?
- (cara de interrogação) Err... não me sinto confortável pra bater na porta de quem eu não conheço pra pedir uma TV.
- A senhora é de onde?
- Brasil.
- Lá não é comum isso não?
- Não...
- Então peraí que eu bato na porta pra senhora.
- Err... Então tá...

Mas infelizmente nenhum dos 3 vizinhos que batemos estava em casa :-/.

Outro fato curioso sobre entregas: compramos umas coisas na Amazon (dentre elas a mega vassoura que postamos no face outro dia, rsrs) e eu fiquei muito surpresa. Saí pra resolver umas coisas na rua, voltei umas 4h depois e notei que tinham vários pacotes na porta... sabe-se lá por quanto tempo ficaram lá, mas ninguém mexeu em nada. Qualquer um poderia pegar as caixas ali e levar na boa, pq não tinha evidência nenhuma de assinatura nem de que o material tinha sido entregue. E nós jamais ficaríamos sabendo se alguém levasse... Realmente não imagino uma coisa dessas no Brasil, vocês imaginam?

Beijok e aí vão algumas fotos de como está ficando a nossa casa que agora tem um quarto, uma sala de estar e uma cozinha :)




terça-feira, 23 de julho de 2013

#5 - O que você levou anos para juntar, o câmbio do dólar e o IOF vão maltratar.

Oi pessoal!
Primeiramente desculpas por não termos postado há quase uma semana... Com essa história de mudança, as coisas ficaram muito corridas e ainda estamos sem internet, massss aí vai mais um post de curiosidades sobre a nossa vida por aqui!

Para você que não tem um caixa forte do Tio Patinhas e junta seu dinheiro suado mês a mês para fazer aquela viagem para os States, vou te dizer que não vai ser fácil...  Trazer e gastar Real aqui vai ser mais doloroso do que imagina... por razões simples:

- A cotação não ajuda... você costumava fazer aquela velha relação de 1 para 2? Esqueça! Isso é da época em que o Brasil era um país corrupto, hoje o gigante "acordou" e com isso o dólar também, não sai por menos de R$ 2,30.

- Cartão de Crédito ficou impossível depois que o IOF subiu para 6,38%. Qualquer compra fica quase 10% mais cara. Se o governo queria desestimular o envio de dólar para o exterior, não sei se conseguiu, porque tem muitooooo brasileiro fora do país, mas que tornou isso muito mais doloroso, tornou.

É praticamente um bullying econômico, o dólar jogando na sua cara que o seu realzinho é um lixo e não vale nada.

Trocar reais em dólar vivo nas casas de câmbio nem pensar, a taxa final não compensa, mas é sempre bom trazer algum dinheiro no bolso em caso de emergência. Quem nunca se deparou com a necessidade de comprar algo com cartão e ao usá-lo em outro país, descobre que o mesmo foi bloqueado? Comigo já aconteceu! E qual a surpresa quando você liga para sua Operadora de Cartão de Crédito? Além da surpresa da conta do celular do Brasil que teve que usar porque não tinha outra opção, você ouve a atendente dizer com a maior cara de pau que o cartão fora bloqueado para sua segurança. Como?? Em que situação é seguro estar em outro país, em uma língua que você não domina e com uma dívida que você não tem como pagar, pois seu cartão está bloqueado??? Obrigado Visa e Master!

Avisar, antes da viagem, a operadora do Cartão que você vai viajar ajuda, mas por experiência própria, não é suficiente, leve algo em dinheiro.


Com isso sobram duas opções plausíveis, fazer aquele cartão de viagem VTM ou sacar direto da conta corrente em dólar aqui. As duas requerem muita pesquisa, pois a cotação varia muito de banco para banco junto com o IOF.

Depois de muito pesquisar, tentar e errar, chegamos a conclusão que o Banco do Brasil possui a melhor taxa, tanto para o VTM quanto para sacar direto com cartão de débito da conta. Por exemplo, em um mesmo dia a cotação ficou em R$ 2,31 no BB enquanto que no Citibank, que se vangloria de poder sacar em dólar direto da conta, ficou R$ 2,39, tudo já com IOF incluso. O Itaú ficou R$ 2,38.

Após abrir uma conta em Banco americano tivemos que transferir o dinheiro do Brasil para usar aqui, enquanto o salário não cai. Isso tudo para não depender dos cartões brasileiros. Decidimos que iríamos sacar em dólar da conta do Brasil e depositar na conta dos EUA. O melhor é que poderíamos fazer tudo isso no mesmo caixa eletrônico.

É uma coisa engraçada esse evento de fazer um depósito em dinheiro em caixa eletrônico... Enquanto que no Brasil  é aquela coisa de porta com detector de metais, policial armado até os dentes e você com medo de ser vítima do golpe da saidinha bancária, aqui, simplesmente, o caixa fica fora do banco com um guardinha sexagenário, sorridente e barrigudo de chapéu na porta. No nosso caso, estávamos sacando toda a quantia pra colocar na conta aqui nos estados unidos. Então vc imagina: coloca o cartão do Brasil, seleciona saque, espera sair o dinheiro, fica com aquele chumaço de dinheiro na mão (umas 40 notas), pega o cartão americano, coloca o cartão americano, seleciona depósito em dinheiro, coloca as 40 notas. Todo o processo deve demorar uns 5 minutos, dos quais 3 se constituem em vc, a céu aberto, com um monte de dinheiro vivo na mão. Nas primeiras vezes tanto eu quanto a Lóris ficávamos desconfiadíssimos, olhando por cima do ombro de 5 em 5 minutos, só esperando o ladrão encostar e sussurrar "perdeu" ou melhor "you lost", hehehe. Qualquer pessoa que se aproximasse era motivo de tensão. Agora já estamos mais acostumados.

E mais engraçado que a nossa psicose de ser assaltado enquanto deposita o dinheiro é o medo da Lorena dos "malucos" de Houston. Como ela mesmo fala, "o meu medo aqui não é de ladrão, é de um maluco tirar uma arma e sair atirando em todo mundo". Outro dia estávamos jantando num restaurante argentino, quando ela notou os garçons cochichando. Aí ela reparou uma moça com atitude suspeita duas mesas ao lado da nossa... era realmente meio estranho o comportamento, mas até aí tudo bem. Até a hora que a mulher se levantou da mesa e começou a mexer na bolsa... aí a Lorena: "ai meu Deus, é agora, é agora....". Não sabia se ria, se comia, se corria. Depois a mulher sentou e ficou lá fingindo que lia o cardápio... Ela só ficou mais calma depois que pagamos a conta e fomos pro carro. No outro dia, vi essa mulher dormindo na porta do hotel... acho que era só uma pessoa pobre que resolveu fazer uma extravagancia, comer um bife de chourizo e queria dar um golpe pra não pagar... por isso a atitude suspeita.

Mas voltando às transações bancárias, aqui não existe DOC ou TED onde eletronicamente você transfere de uma conta para outra. Aqui as pessoas enviam cheques umas para outras, o cheque chega no seu nome e ao receber, você deposita na sua conta. Pois é, achei o Brasil mais avançado neste sentido, mas pelo menos você pode pegar o seu smartphone, tirar uma foto do cheque e fazer o depósito online com esta foto (impressionante, mas funciona!).

Ahhh, último detalhe preste atenção no limite que você tem para sacar em dólar, isso pode te impactar. Pode ser que você precise fazer este processo em vários dias para conseguir trazer o montante todo para cá. E se passar de US$ 10,000.00 você terá de declarar e pagar imposto nos EUA. Eu avisei, não é uma tarefa fácil. E eu reclamava quando o dólar estava R$ 1,70. Tolinho...

Bom, deixa ir que hoje temos que passar no banco mais uma vez... Um abraço a todos!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

#4 - Do you have exciting plans for the weekend?

Olá galera!

Estamos de volta... e depois de termos passado o nosso primeiro final de semana como residentes nos Estados Unidos constatamos uma curiosidade relacionada a ele! Na verdade, a constatação vai um pouco além do final de semana em si, mas vamos lá!

Se você, cidadão brasileiro, ouvisse a pergunta do título deste post, que em bom português quer dizer "E aí, vc tem planos empolgantes para o final de semana?" ou, em um português melhor ainda, "Qual a boa do findi?" de quem você esperaria ouvi-la em primeiro lugar:
a) Da caixa do supermercado;
b) Do garçom do restaurante;
c) Do policial do banco;
d) Da recepcionista do hotel;
e) Da atendente da loja;
f) De um amigo, parente ou colega de trabalho.

(ok... um tempinho pra pensar...)

Eu responderia a F facilmente, mas o ideal é que existisse uma G) Todas estão corretas. Pois é! Surpreenda-se... E todas vivenciadas pela gente aqui de forma parecida... é intimidade com pessoas que você nem imaginaria.

Pense você indo renovar o aluguel do carro e o atendente da loja virar pra você e falar: "E aí? O que vocês vão fazer de bom no fds?". A primeira reação da minha mente foi: Oxe, quem lhe deu essa "ósadia"? Depois pensei em dizer que iria lavar o banheiro, com medo de ele se convidar para participar, caso fosse algo interessante. Mas tendo em vista que já havíamos sido alertados de que isso poderia acontecer pelos nossos amigos brasileiros e orientadores de Houston (Michelle e Cesinha), a minha reação foi pensar no que responder sem ser íntimo demais, sem ser superficial demais... até que veio a terceira reação que foi travar por alguns segundos.

Olhei pra cara do Luiz pra pedir socorro: ela estava igualmente travada nesse momento. Até que emiti alguns grunhidos em inglês, tentando me justificar que ainda era nova por aqui e tal... aí Luiz, por uma obra divina, saiu do deadlock (ufa!!) e falou que a gente ainda não tinha planejado, o que é que tinha de bom pra se fazer em Houston e a coisa fluiu.

Depois de rir da situação, começamos a reparar que essa Pseudo Intimidade Não Intrusiva (PINI) é realmente comum por aqui. Não só pra planos pro fds, mas também pra saber como vc está ou só pra te dar um oi... Hoje mesmo, depois que peguei Luiz no trabalho, a moça da recepção deu um berro no corredor (Hiiiii guys!!!) e acenou pra gente, sendo que eu nunca havia visto essa moça em específico, hehehe. Acho que nem minha mãe falaria comigo naquela empolgação toda. Ontem no mercado, a mesma coisa na hora que a gente estava entrando... a garçonete de um restaurante até falou que morava pela região e que se a gente quisesse dar um rolé com ela pra conhecer o bairro que a gente vai morar era só voltar lá e procurar por ela. Inicialmente achei que ela poderia estar paquerando meu marido (sim! Tenho um marido, rs) bem na minha cara... mas depois lembrei da PINI.

No Brasil era muito comum dizer "Oi, eu quero uma pizza.". Aqui, antes de você dizer algo já chega um "Olá, como você está hoje?"   Eu penso: hoje? Como assim hoje? Você sabia como eu estava ontem?
Ou quando você já se adianta e manda um "Oi, como está?" você ouve um "Estou bem, obrigado. E você?"  Nas relações comerciais no Brasil aquele "Oi, tudo bem?" era uma pergunta retórica para mim, mas aqui não. As pessoas parecem de fato prestar atenção na sua resposta e responder.

No início pode assustar um pouco, mas depois acho que a tendência é se acostumar e até sentir falta se alguém não faz... O que a gente tem feito, enquanto ainda não consegue agir totalmente natural porque não conhece direito os pontos, é criar respostas padrão tipo as abaixo.

- Oi tudo bem? Como vão vocês? / - Tudo bem! E com vc?
- E aí? Qual a boa do findi? / - Nada em vista, o que você me recomenda de bom?
- E aí? Qual a boa do findi? / - Ah, acho que vamos dar uma volta no parque / Aquarium / NASA (qualquer ponto turístico serve nesse momento)... vc recomenda?

E o mais engraçado de tudo é se surpreender com uma pergunta inesperada em uma interação social e depois a gente se entreolhar, dar aquela levantada clássica na sobrancelha e mandar uma das respostas padrão quando acontece um claro exemplo de PINI.

Agora vocês já estão sabendo quando vierem aqui e, no mais, é isso gente! A coisa aqui está divertida... Saudades de todos :) Ahhhh... o que fizemos de bom nesse fds? Além de procurar pelos móveis pro ap novo, fomos almoçar no Downtown Aquarium.

Muito legal o ambiente do restaurante.

 Lá fora, só um sprayzinho de água pra aguentar o calor!

 A galera se refrescando... sem restrição de idade!

Glossário para os não engenheiros:

Deadlock - Travamento fatal do sistema, tipo deu tela azul no Windows.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

#3 - Em terra de nomes, quem tem um monte deles se dá mal...

Quem já não teve problemas com o nome fora do Brasil? Bom, até no Brasil é comum pessoas que escrevem errado, não entendem seu nome ou sobrenome e por aí vai, pensem em um país que não fala língua latina...

Os problemas aqui começam quando alguém pergunta seu nome. O meu não tem nenhuma complicação, pelo menos no Brasil, mas aqui é um parto para alguém entender. Luiz até que vai, afinal Houston é capital dos mexicanos onde existem muitos Luis, mas claro, escrever Luiz com Z jamais!!! Tudo bem, até no Brasil acontece com frequencia.

Mas voltando a Houston, agora quando te perguntam o seu sobrenome, ahhhhh, aí é um parto. Araújo é um hieróglifo para eles. Apenas os sacerdotes e membros da realeza entendem, pena que não encontrei nenhum deles nos EUA ainda. Já tentei com todas as pronúncias possíveis, Aráujio, Araiujo, Araiujio, Areiujo, já tentei estilo spanish Aráurro, mas nada! Já tentei soletrar letra por letra, mas não faz sentido na cabeça deles e tenho que repetir mais duas vezes.

Lorena não sofre tanto, dizer "Lorina" faz sentido para boa parte, e Nunes pode ser entendido depois de uma americanizada falando "Niunis", porém ontem em um restaurante o atendente perguntou seu nome e ela respondeu "Lorena", o que foi prontamente entendido pelo atendente, sinal de algo estranho a caminho. E não deu outra, o nome impresso ficou...



A segunda parte do problema, se você tem um nome gigante como o meu e o da lorena, "welcome to the jungle", você se deu mal. Vão olhar para o seu passaporte e vão te perguntar, com tanto nome, qual o seu Last Name??? Aí vai da sua criatividade e boa vontade de explicar como funcionam os nomes no Brasil, existem nomes compostos, uma parte vem da mãe, outra parte vem do pai e o "Last Name" é sempre o último nome.

Bom... para a maioria dos mortais sim, último é o Last Name, mas aí você lembra da sua mãe e, principalmente, do seu pai que colocaram um "Filho" no final para complicar tudo. Obrigado pai! rss Brincadeira, eu gosto do meu nome, só que lá vai você explicar que "Filho" não é sobrenome... Fazer um paralelo explicando que Filho é como se fosse Junior aqui funciona na maioria das vezes. Tenho inveja do meu amigo Rene Retz, não haveria dúvidas em saber qual é o First e qual é o Last.

Aqui existem First/Given Name, Middle Name, Last Name e algumas vezes Suffix. Em geral as pessoas possuem até 3 nomes, o que fica fácil encaixar.
  • First Name ou Given Name - é seu primeiro nome,
  • Middle Name - pode ser o complemento do seu primeiro nome ou o sobrenome de mãe e, em geral, é abreviado. Detalhe interessante é que muitos cadastros aqui permitem apenas 1 middle name, meio que forçando as pessoas a não terem mais de 1 middle name.
  • Last Name - Seu último nome ou nome de família.
  • Suffix - Alguns casos pode haver Jr., II, III, etc.
Por exemplo, meu querido amigo Fabio Eidi Terasaka aqui seria: First -> Fabio, Middle -> E. Last -> Terasaka, bem fácil.

Bom, agora tente encaixar Luiz Antonio Coelho de Araujo Filho ou Lorena Almeida Sento Se Nunes nestes campos... cri cri cri... é, já tentei algumas vezes e não cheguei a uma conclusão. Antonio é First ou Middle? E Coelho, Middle ou Last? Almeida Sento Se é tudo Middle, pois veio da mãe? Mas Middle deveria ser 1 nome só... Filho é sufixo, mas não existe aqui, então é Last? Ahhhhh! Complicado...

Como dica, como o seu passaporte é seu documento oficial aqui até você receber Carteira de Motorista, utilize como está estampado lá, pois é ele que será usado como referência. Como não tem Middle Name, fica assim:
  • First - Luiz Antonio
  • Last - Coelho de Araujo Filho
  • First - Lorena
  • Last - Almeida Sento Se Nunes.
Acostume-se, não existe uma solução fácil para você com nome grande.

Para terminar ficam exemplos de utilizações dos nossos nomes aqui nos States até agora, após o correto entendimento de quem ouviu/leu:
Luis, Mr. Fihlo, Arujo, Lorraine, Loraina, Coehlo, Nuñes, Sainto Se, Raujo, este último abrindo conta no banco.

Boa sorte aos que se aventurarem por aqui.

terça-feira, 9 de julho de 2013

#2 - Uma terra cheia de opções... mas é cheia meeeeeeesmo!

Oi minha gente!

Finalmente o dia chegou e nós estamos aqui em Houston. Os dois primeiros dias foram bem corridos, pois, além do cansaço das 10h de avião teve a questão de aluguel de carro, providenciar o celular, abrir conta em banco, se acostumar com o inglês... enfim... o que não faltou foi coisa pra fazer.

No momento a coisa que mais tem me chamado a atenção aqui no status de residente nos estados unidos é a quantidade de opção para absolutamente TUDO!

Chega a ser assustador. Desde as opções de seguro do carro que você está alugando, até o tipo de água que você quer comprar no supermercado, passando pelas infinitas opções de produtos de higiene pessoal e tipo de energia elétrica que você quer na sua casa. Sim... porque aqui você escolhe até o tipo de energia que chega (renovável, hidrelétrica, combustíveis fósseis... tipo isso...), além de qual a empresa que irá fornecer a luz pra sua casa. No Brasil é bem mais simples... vc entra em contato com a Coelba, Eletropaulo, Eletroqualquerestado e eles ligam a luz pra vc.

Uma pessoa indecisa aqui sofre demais. Eu me considero decidida e olha... me perdi pra escolher no site da Amazon uma simples pasta de dente, rs.

Hoje, por exemplo, fomos num super mercado, o Central Market, para comprar umas frutas... Decidi que queria pêras. Cheguei lá e me dirigi ao setor de frutas... rapaz... pense que tinha n tipos de pêra pra escolher: da Argentina, do Chile, da Nova Zelândia, Orgânica, dos Estados Unidos mesmo, pêra escura, pêra verde, pêras, pêras e mais pêras. Isso eu estou falando de um item.

Observamos também os tipo de carne moída: com gordura, sem gordura, extremamente sem gordura, carne moída de animais alimentados com grama e etc... Isso é uma coisa que tem me impressionado muito em 2 dias que estou habitando aqui... Tirei até uma fotos de um pedaço do setor de doces.... que não coube todo na foto.



Achamos também guaraná Antártica na promoção... 99 cents! Barganha!! Compramos, of course.




Por hoje é só pessoal... vou ali escolher dentre os n! tipos de shampoo qual o que eu vou comprar pra lavar o cabelo amanhã.

Beijo!


domingo, 2 de junho de 2013

#1 - Post Inaugural

Oi Gente!

A proximidade da mudança e o aperto no coração ocasionado por ela nos fizeram ter vontade de criar um blog e escrever sobre nossas aventuras e desventuras de morar em um país novo, com cultura diferente, recém-casados e longe dos nossos amigos e família.

A idéia é também ser uma fonte de referência para outros brasileiros que estejam passando por esta mesma situação, com dicas sobre documentação, moradia, cultura, alimentação, viagens internas e tudo mais.

Criamos também uma página no facebook para que as publicações fiquem mais acessíveis, mas esperamos muitas visitas e comentários por aqui, sim!

https://www.facebook.com/loriseluenomundo

Beijos a todos e espero que embarquem nessa junto com a gente... mesmo longe.

Lorena.