quinta-feira, 26 de maio de 2016

#21 - Tentando comer num restaurante local

Oi gente! Nós saímos de Shanghai e chegamos em Beijing na quarta. Uma viagem de trem bala (300 km/h) de quase 1400 km em quase 5 horas. É como se pudéssemos fazer SSA-SP, que não demora menos de 24h de ônibus. Só que em 5h. Espero poder um dia ver essa evolução no Brasil!

Mas voltando ao título do texto, espero que vocês não fiquem muito chocados nem sejam pegos de surpresa com esse fato, mas nem eu nem Luiz sabemos falar Chinês, kkkkk. E apesar de ter ouvido falar que em Shanghai é fácil encontrar quem fale Inglês por causa dos negócios, assim como no Brasil, nas ruas se fala muito pouco. E quando a pessoa fala alguma coisa, o sotaque dificulta bastante o entendimento. E olhar pra os ideogramas é a mesma coisa que estar olhando pra nada... Vou relatar aqui então minha tentativa, até que bem sucedida na medida do possível,  de comer num restaurante não turístico.

Num dos dias que Luiz estava trabalhando, eu acabei rodando a cidade sozinha. Aí a fome bateu forte uma hora e eu estava num bairro bem local, sem um gringo andando desacompanhado (exceto eu). Resolvi arriscar um restaurante que tinha um menu com fotos na porta e o nome dos pratos que tinham fotos estavam em inglês. Pensei: "não tem erro! É simples. Entro, aponto, sento, como, pago e parto". Realmente foi um parto!! Kkkkk. Entrei lá achando que a coisa mais óbvia ao entrar num restaurante era a que vc queria comer. Não foi bem isso que aconteceu:

Eu: Olá (em chinês, Pq normalmente eles gostam que vc tente falar)
Menino: X (ele respondeu algo em chinês que eu não entendi, mas estava sorrindo então ele gostou que eu dei oi em chinês)
Eu: Queria uma mesa, por favor (em inglês).
Menino: Como posso te ajudar? (numa versão chinesa do inglês, mas consegui entender)
Eu: Eu. Quero. Comer. (falando um inglês bem devagar pra ajudar ele a entender. Eu acreditando que a palavra comer seria fácil pra alguém que trabalha em restaurante entender)
Menino: Como posso te ajudar? (Piscando os olhinhos como se eu não tivesse falado absolutamente nada)
E ficamos nesse loop por alguns segundos até que levantei o dedo, apontei pra mim mesma, apontei pra mesa e levantei o dedo de novo dizendo que era pra 1 pessoa. Bendito seja o gesto universal de apontar.

Pedir foi quase fácil pq ele trouxe o cardápio e eu apontei pro prato que queria uma mini costelinha de porco barbecue. Mas eu queria perguntar se vinha com arroz branco de acompanhamento.

Eu: Acompanha. Arroz?
Menino: Ele só apontou para o cardápio e disse umas duas palavras em chinês olhando para minha cara. (Entendi que ele estava confirmando que era isso que queria).
Eu: Sim. Acompanha. Arroz?
Menino: Porco. Muito, muito bom!

Desisti e resolvi arriscar, por aqui sempre vem algum acompanhamento. No final veio o porco e só, sem arroz e mais nada e não estava tão bom assim como ele disse.

Comi e me lembrei que aqui na China vc tem que pedir a conta senão eles não trazem de jeito nenhum, nem perguntam se vc quer a conta.

Levantei meus braços agitadamente chamando ele. Não sei se ele veio Pq achou que eu estava engasgando, mas ele veio correndo.

Menino: Como posso ajudar? (De novo naaaaaaaaao, acho que ele só sabia falar isso e muito bom)

Eu: Pagar. A. Conta.
Menino: X (falou em chinês, mas pelo que constatei ele chamou uma outra colega que apareceu instantaneamente atrás de mim).

Vendo que a comunicação verbal não iria funcionar, eu peguei o celular (bendita seja a minha operadora dos states e o roaming internacional de graça) e joguei pagar a conta no Google Translate pra ver como era em chinês (porque não pensei nisso antes eu não sei...). Nesse meio tempo a colega que chegou pra fazer não sei o que praticamente colou a cabeça no meu ombro pra ver o que eu estava digitando no celular e olhava pra minha cara/pro celular em intervalos de 3 segundos. Achei q ela ia pedir pra tirar uma selfie.

Finalmente apareceu na tela do celular o que eu queria em chinês! Os dois ao mesmo tempo e bastante felizes pelo sucesso na comunicação: "ok!!!"

A conta chegou. Eu paguei e fui embora. Até agora estou sem entender o que a outra colega veio fazer. Acho que só dar apoio moral mesmo... Rs.

Um beijão e até a próxima gente! Vou postar mais algumas fotos no face dos últimos dias.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

#20 - Fazendo agachamento, e não é na academia

O post de hoje não é nada discreto. Vou falar de banheiros públicos na China.

Porque quando você viaja pra qualquer país no ocidente, ou até mesmo Europa, é estabelecido que o banheiro será uma louça relativamente alta na qual você, mulher, se senta pra fazer número 1 ou número 2. Já tinha ouvido falar que no oriente médio era diferente, já tinha ouvido falar que na Índia era diferente. Mas não imaginei que a Pérola do Oriente, a Paris do leste, a Nova York chinesa, também fosse ser diferente.

Luiz já havia me alertado que os colegas do trabalho que visitaram a China antes sempre disseram pra levar uma mudinha de papel higiênico na bolsa, porque em banheiro público aqui normalmente não tinha papel, mas achei que essa era a única "novidade" para a qual teria que me preparar.

E eis que estávamos no Yu Garden, um lugar lindo que comentei no outro post que visitamos e apertou a vontade de fazer xixi. E lá tinha um banheiro público. Fiquei meio hesitante mas Luiz apoiou: "tá na chuva é pra se molhar" e lá fui. A fila do banheiro feminino maior que a do masculino como de costume, até aí tudo igual. Na porta, ainda na fila antes de ir pra cabininha, um super rolo de papel higiênico (que bom, não ia precisar usar meu suprimento de emergência). Peguei papel higiênico pra cobrir 3 vasos sanitários inteiros (só pra garantir... Não sabia em que condição estaria o banheiro ou se teria que improvisar uma espécie de "luva" de papel pra não tocar em nada), fui olhada com estranheza pelas mocinhas da fila (novidade nenhuma nisso... Como está literalmente estampado na minha cara que não sou daqui, já me acostumei com o povo me encarando como um animal estranho) e finalmente segui o fluxo das mulheres chinesas até quase chegar a minha vez e BAM! Tinham 4 cabines, 3 escrito "Squat Cabin" com um símbolo que parecia uma prancha de snowboard e 1 escrito uma coisa que não me lembro agora, mas o símbolo era o velho e conhecido vaso sanitário.

Squat em inglês significa agachamento e até então só tinha visto esse termo ser usado em exercícios pra academia lá nos states. Mas pra mim tinha ficado muito claro o que acontecia por trás daquela portinha ali.

Outra lição aprendida foi a habilidade das mulheres aqui de abrir a porta da cabine com o pé. Assim que a pessoa que tava dentro sai, elas já vão com o pezinho numa posição meio de gancho, seguram e puxam a porta, dão um giro espiralado rolando pra dentro da cabine e, enquanto param, o pé já volta pro formato de gancho pra porta não bater. Tem algumas que nem trancam a porta pra não ter que tocar em nada. Vi duas fazendo essa coreografia antes de chegar a minha vez e meu gingado da Bahia me ajudou a completar a operação com sucesso. Como tinha coletado papel higiênico pra um mês, usei um pouco do mesmo para trancar a fechadura.

Nada se compara ao fato de vc efetivamente ter que usar o diferente! Claro que tirei uma foto daquele novo conceito de vaso antes de fazer xixi!  Kkkkkkk

Confesso que achei muito mais higiênico que banheiros públicos comuns. Depois que termina vc da descarga com o pé sem precisar tocar suas mãos em outra coisa que não o papel higiênico que vc estava segurando. Porque até a porta vc abre com o pé. É só uma questão de focar pra não se desequilibrar, kkkkk. Graças a Deus não aconteceu comigo... Apesar de eu ter gargalhado no banheiro quando vi a estripulia que teria que fazer, consegui manter o equilíbrio. Refleti depois de tudo isso porque é tão difícil ver um chinês acima do peso. Os caras andam rápido e pra caramba, tem que ficar fazendo agachamento pra ir no banheiro, comem bastante fruta (é muito normal ao invés de vc ver eles com um pacote de cheetos, um pacote de ameixa ou cereja) e não tomam líquido gelado durante refeições. Só chá e sopa.

Agora... só não sei como faz se for número 2. Acho que aí a pessoa tem que esperar a outra cabine ficar vaga... Sei lá, melhor nem pensar! Hahahaha

No mais a experiência aqui está sendo muito legal! Visitamos a orla do rio Huangpu no final de semana onde a cidade velha e cidade nova se encontram, visitei um templo budista e o museu de Shanghai e adorei saber que pottery (não consegui lembrar a palavra em português) é um patrimônio da humanidade, mas a porcelana foi inventada na China e ajudou muito a prospecção econômica na época dos impérios chineses.  Fotos de tudo estarão no face :)

Um beijo galera! Depois conto mais novidades, porque tem muitas coisas curiosas acontecendo. Viajar pra um lugar tão diferente assim é muito legal.. Fato!

sábado, 21 de maio de 2016

#19 - Nos deslocando de metrô em Shanghai

Oi gente! Falei que essa viagem ia movimentar o blog de novo e promessa é dívida! E como havia dito no post anterior, a primeira emoção minha por aqui foi me deslocar de metrô.


Tudo começou quando saímos da grande passarela em formato de U que parecia a saída da São Silvestre (não lembra dela, veja o post #18) e nos deslocamos até o caixa do Shanghai Maglev Train, o trem de levitação magnética q liga o aeroporto ao metrô e faz 30,5 km em 7 minutos. Ele opera a 300 Km/h, mas já chegou ao recorde de 500 Km/h em testes.

Toda feliz que finalmente estava em solo, fiquei na fila atrás de um rapaz que estava comprando o ticket dele mantendo a distância mínima de 2 passos, normal pra quando vc espera alguém terminar a transação no guichê a sua frente. Olhei por três segundos pra conversar alguma amenidade e o cara saiu. Falei pra Luiz:"Wohoo, é a gente agora!". Vi ele levantando a sobrancelha e enrugando a testa e disse: "É... Se a mulher não entrar na sua frente e.... Ela entrou". Gente, não demorou cinco segundos, sério. A mulher surgiu do nada pela lateral e se meteu na frente do guichê. Deu uma olhadinha de "oi"; blasè e passou. Só que ela ficou demorando pra achar o dinheiro ou sei lá o que ela estava procurando na bolsa, quando Luiz atrás de mim com certa urgência na voz dizia: "Deu mole, deu mole! Fura ela de volta, fura ela de volta!"

Assim o fiz! E comprei na frente da mulher!! Ela achou normal. Luiz, como falei, já estava muito mais preparado que eu para os jogos vorazes. Se deslocando com maestria e respondendo com grunhidos non-sense (quase um chinês fluente) quando alguém falava com ele alguma coisa q ele não entendia. "Faço cara de entendido e sigo caminho, se começar gritaria, aí eu olho pra ver se é comigo", disse ele se referindo a um episódio que ele esqueceu o cartão na catraca do metrô e a mulher saiu gritando qualquer coisa para avisá-lo, claro que ele agradeceu: Shu nã nô lá! Fez cara de entendido e seguiu. Depois que informei a ele que aprendi na aula de Chinês express da Luiza que obrigado é xièxiè.

O metrô é muito limpo e organizado, tem escada rolante pra entrar e sair de todas as estações, as máquinas de comprar o ticket são intuitivas e fáceis de usar e tem a opção de língua em inglês. Dez a zero no de New York. Você chega em qualquer lugar da cidade e o preço médio do trecho é 50 centavos de dólar!

Dentro do metrô também vc ouve o carinha falar as estações em Chinês e Inglês e uma coisa que amei é como eles projetam propagandas no metrô. Fiz até um vídeo disso. São vários banners iluminados seguidos ao longo do túnel que com a velocidade do metrô parecem uma imagem em movimento. Mas a internet lenta nao permitiu que eu fizesse o upload aqui.

Hoje depois de ter pego vários metrôs, posso dizer que estou dominando o modo de operação (inclusive do povo). Confesso que até estou exagerando um pouco pq teve uma hora que estava protegendo meu perímetro pra entrar no trem com tanta garra que chutei o tornozelo de uma moça sem querer. Ela deu uma coçada pq deve ter doído e seguiu em frente. Sem dramas, natural, acostumada.

Fui até uma boa samaritana! Estava sentindo algo pinicando meu casaco debaixo do sovaco e, quando levantei o braço pra ver o que era, tinha uma senhorinha cujo topo da cabeça batia no meu ombro dando cabeçada no sovaco, na hora pensei: "Que ousadia!" mas depois percebi que ela só estava tentando sobreviver à multidão e acessar a escada rolante. Abri os braços pra segurar a multidão pra ela passar e ela respondeu com um sorrisão é um "nhá-ah" que entendi como um muito obrigado.

Passamos o dia passeando pela cidade e apesar da chuva foi super legal. Fomos num jardim milenar da época do império chamado Yu Garden (Lindo!) e vimos coisas milenares, circulamos pelo Old City God Temple. A arquitetura da cidade velha aqui é deslumbrante. Vou postar algumas fotos no face desses lugares. Estamos tomando coragem pra arriscar uma negociação nas vendas locais, mas ainda estamos tímidos! Quem sabe nos próximos dias? Um abraço em todos e até a próxima postagem!

Zàijiàn!

sexta-feira, 20 de maio de 2016

#18 - E vamos à la China!

Oi pessoal!! Tem um tempão que não postamos nada blog! Mas nada melhor que uma viagem pra um lugar inusitado e desconhecido pra retomar os textos com força total.
Como uma boa parte de vocês já sabe, resolvemos vir pra China! Foi uma decisão meio em cima da hora porque surgiu um treinamento que Luiz precisava dar por aqui então ajustamos o plano de férias e viemos pra cá. Antes de começar a contar como foi o trajeto até aqui seguem algum fatos sobre a China em si:

  1. A China é um país que vive num regime comunista, que nos últimos 50 anos tem se aberto para o mundo capitalista... Você encontra todas as marcas símbolo do capitalismo ocidental aqui em Shanghai, a Paris do Leste ou Pérola do Oriente, como eles costumam se auto-entitular. Mesmo assim, a internet ainda é controlada pelo partido e o acesso a sites como Google e Youtube é proibido. Tive q usar o Yahoo (sim, o Yahoo buscas ainda existe!) pra procurar algumas coisas.
  2. Aqui são 13 horas a mais que o horário de Houston, 11 a mais que o Brasil. Então enquanto você recebe bom dia e está tomando café da manhã por aí, aqui vc já provavelmente está terminando o jantar e se preparando pra dormir ou ir pra Night, que ouvi falar q os Chineses adoram encher a cara.
  3. Aqui tem MUITA gente. Não vc não tem ideia do conceito de MUITA gente até chegar aqui. Você acha que tem. É como aquele momento que o chiclete com banana passa na passarela da alegria no Campo Grande e aparece aquela profusão de humanos surgindo de todos os lados. Só que em todos os lugares. Pelo menos em Shanghai, que é a cidade mais populosa da China e onde estamos agora. A população total do país é de 1.38 bi de pessoas! E isso exclui as províncias de Taiwan, Hong Kong e Macau. Quase 20% da população do mundo inteiro está aqui!

Agora que já alinhei esses fatos sobre o fato de a China ter uma quantidade de pessoas surreal, vamos ao caminho até aqui. Que não foi nada rápido e onde as diferenças culturais ficaram evidentes! Luiz já estava aqui na China há quase 15 dias, então eu tive que vir sozinha de Houston.

Saí de casa às 6 da manhã e dirigi até o aeroporto. Uma hora até lá e por volta das 7 peguei a vanzinha do estacionamento. Minha cabeça já tinha começado a chavear que não iria entender praticamente nada do que falassem comigo nos próximos dias e nem o que o homem do rádio falava no walkie talk pra mocinha da van e entendi. Pensei que era bom pra ir me acostumando.

Já no aeroporto, meu voo saia as 9 para Los Angeles e já comecei a ter uma ideia do comportamento do povo chinês ainda em Houston. Como o hub da United é lá, muita gente estava pegando esse mesmo voo pra LA pra pegar o outro direto pra Shanghai. MUITA gente = muito chinês. Enquanto esperava na fila pra chamarem o meu grupo de embarque, um senhorzinho que tinha mais de 60 com certeza, veio assim como quem não quer nada e ZUP se enfiou na frente da fila claramente formada. Sem o mínimo constrangimento. Meu olho se esbugalhou por uma fração de segundo com o descaramento, mas até aí tudo bem... To de férias e já vi muito disso no Brasil. Não vou me estressar.

3 horas e meia depois estava em Los Angeles (se vc se perdeu nas contas, já se passaram cerca de 7 horas desde que saí de casa) e depois de 1:30, começaram a chamar pro embarque pro voo pra Shanghai. Nessa hora 90% dos viajantes eram chineses ou descendentes. E a noção de Chineses com relação a fila e espaço pessoal começou a se tornar muito clara: ela não existe!!!!! Kkkkk

Fui encoxada na fila por um outro senhor que queria desrespeitar a lei de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, olhei pra trás com minha cara "super simpática" e perguntei se ele queria passar. Com um gesto impaciente e falando "chu chin cha-á" que eu entendi como um "anda logo" ele mandou eu seguir o barco. Pelo menos ele parou de fungar no meu cangote depois disso.

Olho pro lado duas senhoras de mais de 60 (o que dão pros velhos nesse país gente?) passaram por debaixo da faixa que organizava a fila tentaram passar na frente das quase 100 pessoas que estavam embarcando pro avião. Furar a fila não pareceu ser um problema pra mulher da United, mas as tias abusaram. Elas eram grupo 4 e estavam embarcando o grupo 2. A mulher falou algo que soou como um esporro em Chinês para velhinhas e elas não conseguiram entrar até a a hora do grupo delas.

Enquanto o resto do pessoal entrava, como estava na poltrona do corredor, tomei uma mochilada na cara. Ainda estava começando a me irritar com a primeira, tomei a segunda! Aí me lembrei de Matrix, fiquei mais atenta e quando a terceira mochila veio na minha direção, me esquivei lindamente. Assim como todas as outras subsequentes que até perdi a conta de quantas foram. Entrei no modo de alerta máximo! Isso me proporcionou um voo tranquilo e livre de contatos de primeiro grau indesejado com Chineses, kkkkk. A comida do voo era bem boa, a melhor a já comi na classe econômica, o que me deu uma dica q vou AMAR a comida chinesa na China.

E 14 horas depois (23 desde que saí de casa) estava finalmente em Shanghai! Um outro fato curioso é a saída depois q vc pega a bagagem. Tem aquele nada a declarar de praxe e quando se abre a portinha tem um caminho longo quer vc tem q passar até efetivamente estar livre no lobby. É tipo um "U" gigante em que no meio ficam os carinhas com plaquinha pra receber pessoas, oferecendo Taxi, e do lado de fora os familiares esperando. Mas pense num caminho longo. Me senti a loira do tchan com luuuuuuz na passarela. Luiz confessou que com ele o sentimento foi como se tivesse chegando no final da São Silvestre, com a galera toda toda acenando... Kkkkk

E o meu marido amado estava lá no final do "U" pra me buscar. Que alívio foi vê-lo lá depois de ter desfilado na passarela.

Em outro post ele falaremos de como ele já entrou no modo "Hunger Games" chinês de se deslocar no metrô e nas ruas (senti que tinha meu guarda costas e guia pessoal) e como foi essa minha primeira aventura aqui, mas esse post já está muito longo, vai ficar pro próximo. Bye!

quarta-feira, 10 de junho de 2015

#17 - Seguro morreu de SUSTO!

Oi Pessoal!

Nem vou mencionar a quantidade de tempo que estamos sem postar aqui pra não ficar feio pro nosso lado!! Vou direto ao ponto pra revelar um pouco da nossa experiência adquirida aqui com sistemas de segurança.

Então, lembra que no último post que escrevemos eu falei que o nosso apartamento tinha sido assaltado e que levaram absolutamente tudo que tinha um valor financeiro maior que 100 dólares? Pois bem, nós mudamos pro subúrbio em busca de uma vida mais sossegada e numa área com boas escolas pros filhos que virão (não tão em breve!). Tudo maravilhoso! Mas o trauma deixado pelo assalto fez a gente ficar mais ligado que taxista andando pela Linha Amarela.

Pois bem, resolvemos investir num sistema de segurança que é o estado da arte, (ahan!) hahaha. É tudo integrado com a empresa de monitoramento, polícia e o corpo de bombeiros... Se alguém tentar entrar em casa ou se houver um sinal de fumaça, dispara um alerta na central que aciona a polícia ou bombeiros e em 5 min eles já estão aqui. Se alguém soltar um pum mais venenoso já dispara alerta para os bombeiros... Toda vez que um dos sensores percebe algo, você ouve um sinal (tipo um "pi-pi") para alertar você morador que alguma porta ou janela foi aberta, ou que o sensor de fumaça detectou algo. E se o alarme estiver ligado e o sensor percebe algo, aí se prepara, a sirene é ensurdecedora... o condomínio todo consegue ouvir. Vou contar quatro episódios em ordem progressiva de desespero susto que o nosso querido sistema de alarme mostrou que não brinca em serviço!

1- O invasor misterioso:
Num domingo qualquer eu e Luiz estávamos montando um móvel aqui em casa. Depois q vc mora aqui por um tempo vc se rende ao fato de que montar vc mesmo é muito mais divertido, além de mais barato! Honestamente a diversão começa a passar depois de uma hora de montagem... Bom, já estavamos há quartro horas, cansados, aquela poeira subindo, cheiro de madeira nova, alergia pra cá, espirro para lá e de repente ouvimos o famoso "pi-pi". Os três moradores da casa estavam no mesmo cômodo. Eu e Luiz já nos entreolhamos e sem precisar falar nada sabíamos que tinha algo errado. Quem tinha entrado em casa??? Ele já saiu com o martelo em punho, caminhando vagarosamente para fora do escritório pra ver onde o invasor estava, Luke sentiu a tensão e estava em posição de guarda e eu com a furadeira engatada em uma mão e o celular com 911 digitado na outra caímos pra dentro. Rodamos todos os cômodos e NADA... Fizemos uma segunda checagem, quintal, fora e nem um sinal... Será q foi um bicho que entrou aqui? Tudo fechado... Finalmente resolvemos olhar a tela do alarme para procurar alguma pista. Qual não foi nossa surpresa ao constatar q o alarme q disparara foi justamente no cômodo q a gente estava?? Pois é, o sensor de quebra de vidro entendeu que o meu espirrinho foi tão singelo que parecia barulho do vidro quebrando, como alguém que tentasse entrar pela janela quebrando o vidro. Oi?! Kkkkkkk O meu espirro foi mais ou menos assim (vale a pena ver, muito bom)....



2- Erro básico de quem nunca teve alarme em casa:
Mais um Domingo... Porque Domingo é um daqueles dias em que vc só quer relaxar... Ai abre a porta do quintal ao acordar pra dar bom dia pro sol e prooooouééééééééééééééééeééé. Só o que eu ouvia era aquele barulho ensurdecedor. Quase levantei meus braços atrás da cabeça esperando o policial chegar pra me dar um baculejo, hahaha, quando me toquei q esqueci de desarmar o alarme antes de abrir a porta e, portanto, ele fez o que tinha q fazer quando alguém abre a porta com o alarme armado. Saí correndo pra o tecladinho pra colocar a senha e desarmar o alarme, mas aquele barulho e a tensão me deixaram nervosa q eu não conseguia acertar... Luiz já tinha dado um pulo da cama com os olhos arregalados para mim sem saber oque tava acontecendo, até que me acalmei, acertei a senha e a paz voltou a reinar. Hoje, depois de fazer isso umas 3x, (pois é, demorando para aprender haha) eu fiquei mais condicionada que o Luke a fazer xixi no pad: toda vez antes de abrir a porta eu checo se o alarme está desativado.

3-Atender a números desconhecidos de vez em quando é bom:
Um outro trauma adquirido na vida americana pela gente foi não atender números desconhecidos no celular... Pode ser alguém oferecendo algo com um sotaque difícil te fazendo perguntas que vc nem entendeu que eram perguntas inicialmente... Quanto mais que precisava respondê-las!!! Pois bem. O nosso sistema de alarme me ensinou a quebrar esse trauma.. Porque?! Porque um dia estávamos levando meus sogros no aeroporto e o celular tocou... Número desconhecido... Nem pestanejei: se quiser deixe um voice mail, oras. Como estávamos usando o GPS, não vimos que realmente deixaram um voicemail até que sobe a mensagenzinha do WhatsApp. Era minha amiga Daiane, que por coincidencia estava em um outro aeroporto pra pegar um voo, me perguntando se tinham me ligado da empresa de segurança dela (eu sou um dos três contatos de emergência que é obrigatório vc colocar). Ela estava preocupada porque estava fora da cidade e tinha ouvido uma mensagem de voz no celular dela que tinha sido ativado o alarme de movimento na sala dela. Ai saí do GPS e fui ouvir o voice Mail no meu celular e...... BAM! O alarme não tinha sido na casa de Daiane!!! Tinha sido na minha casa e ligaram pra ela porque ela te é meu contato de emergência! Depois de um breve momento de desespero do tipo: "roubo de novo naaaaaao!" me lembrei que não tinha sido eu a ativar o alarme (como normalmente acontece) e sim Luiz e já perguntei: vc ativou o sensor de movimento quando ligou o alarme? Ele: Eh... Hum... Talvez...
No primeiro "eh" eu já tava ligando pro número que a moça do voice mail: não tinha ladrão nenhum quem ativou o alarme foi Luke!!! Quando atenderam a moça falou: já enviamos a polícia... Quer que avise q foi alarme falso? Rapidez e eficiência, a gente vê por aqui. Coitado dos vizinhos e do Luke que tiveram q ouvir o alarme por uns 15 minutos até que ele parasse.

4-E pra terminar: Fire Alarm!!
Segunda de manhã, uma semana depois do ocorrido no item 3, estou saindo do dentista e chega a mensagem: fire alarm on your system. 1 segundo depois toca o celular. Número desconhecido. Depois da lição aprendida: obviamente atendi, já me tremendo mais que vara verde e vendo as laboaredas consumindo minha casa e levando o Luke pro céu dos cães.
- Olá, senhora Lorena. Só gostaria de informar q o alarme de incêndio foi disparado no endereco xxxxx e que os bombeiros já foram enviados. Ok?
Minha mente só pensava.. OK??? Não tá nada ok! Minha casa tão pegando fogo, meu cachorro deve estar morrendo queimado... Ei pera.. Luiz deve estar em casa tb! Vou ficar viúva!!
Desliguei o celular e liguei pra Luiz. Não me atendeu. O pânico tomou conta. Mas não por muito tempo, pois ele me ligou de volta em seguida. Ai ele:
-vc tb recebeu a ligação?
-sim, eu atendi... (Já aos prantos). Vc esta em casa?
-não... Acabei de chegar no escritório.
-Estou desesperada! Estamos a 30 min de casa, e Luke tá lá!! Ai, to passando mal... (com aquela voz de choro).
-Calma mulher! Não tá acontecendo nada demais. Eu já olhei nas câmeras, não está aparecendo nada na interna, parece tudo normal. Na externa consigo ver os bombeiros no quintal com um aparelhinho medindo algo em volta da casa. Acho que é alarme falso. Parece tudo bem!  Vá com calma e nos encontramos lá.
Pensei: essas câmeras valeram a pena mesmo!! E parti a mil pra casa. Na verdade a 110 para a polícia não me parar na rodovia.
Tudo sob controle, os bombeiros não estavam nem mais lá e tudo estava inteiro..  O sensor q foi ativado foi o de monóxido de carbono.. Até hj não sabemos o que o ativou... Nossa teoria é que Lulu liberou um metano pesado que enlouqueceu o sensor, rs....

Aqui é assim: vc coloca um sistema de segurança e ganha testes cardíacos de brinde!!

Um beijao e até a próxima gente!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

#16 - Aventuras na Quadra de Tênis

Oi meu povo!! Estamos de volta depois de um período sabático em que muita coisa nova ocorreu: pequenas viagens pela América, a adoção de um bebê cão (o nosso amado Luke), um roubo ao nosso apartamento e a decisão de uma mudança de domicílio (que ocorrerá em breve)... Mas tudo isso vai ser contado com calma ao logo de outros posts que, honestamente, espero que escrevamos numa freqüencia mais decente, né marido?!

Enfim... hoje o post não tem nada a ver com isso... tem a ver com uma situação engraçada que ocorreu há mais ou menos uma semana. E tem a ver com o o jeito americano de levar qq esporte MUITO a sério... A coisa chega num nível inimaginável... Vamos lá.

Eu e as minhas amigas queridas Daiane, Maurien, Michelle temos procurado manter uma rotina regular de "jogar" tentar bater a bola de tênis de um lado pro outro da quadra. Encaramos esse momento mais como uma oportunidade de exercitar o corpo e botar o papo em dia, tal... coisa de menina... E usamos as quadras do centro de tênis do Memorial Park (um parque bem grande aqui de Houston). Você paga a pechincha de apenas 6 dólares e tem direito a jogar 1,5h nas quadras. Olha um pedaço dele aí na foto abaixo.



Lá tem mais ou menos umas 20 quadras e, geralmente, o moço da recepção colocava a gente nas quadras de 15 pra cima, um pouco mais afastado do prédio central e onde nunca tivemos muitos problemas quando umas 387 vezes por jogo deixávamos a nossa bolinha escapar pra quadra ao lado.. ou, às vezes, duas quadras ao lado... três... enfim... Acho que deu pra entender que a gente não tava naquele nível Sharapova do tênis... rs. Maaaaaas eis que na semana passada, o mocinho da recepção, meio que reconhecendo a gente q tava ali com frequência diz:

- Ok, vcs estão na quadra 18.
- Tá
- Quer dizer... Olha só... A quadra 01 também está vazia, vou transferir vocês pra lá... assim vcs não precisam se deslocar láá pra 18

A quadra 18 nem é tão longe assim, mas pensei: Uhull!! (comemorações interiores), hoje a quadra 1 é nossa! Vamos ficar na cara do prédio! Finalmente nos reconheceram como boas clientes!

Até essa hora só estávamos eu e Maurien. Daiane estava fazendo um curso e não iria naquele dia e Michelle estava a caminho. Logo mandamos msg no WhatsApp: Hoje é na quadra 01! E nos dirigimos pra lá.

Chegando no portãozinho da quadra, a nossa dificuldade de abrir o dispositivo simples da porta já era um sinal de que tinha algo estranho no ar. Meio sem jeito pq tinham várias pessoas olhando, resolvemos encarar a dificuldade de abrir o portão como "essa carniça deve estar trancada, vamos entrar pelo portão da quadra 5). Ai lá fomos nós... passamos por uma mini arquibancada em frente a quadra 4, demos tchau prum cachorrinho que estava lá esperando a dona terminar de jogar e, entendendo o dispositivo de abrir o portão, entramos pela quadra 5.

De repente, nao mais q de repente, todas as bolinhas de tênis pararam de rolar de um lado pra outro. Todo mundo começou a olhar pra gente... Aí eu e Maurien nos entreolhamos... pq tava realmente uma coisa meio estranha... quadras 5, 4, 3 e 2, cada uma com duplas de mulheres com aquelas sainhas típicas, viseira e sua requete wilson ou babolat, ou head pro-duo-plus-master-blaster-ja-falei-que-é-pro todas paradas. Nos olhando. Aí a Maurien, dando até uma jogadinha de cabelo charmosa fala:

- Eles devem estar achando que a gente é famosa, menina.

- É mesmo... (Comecei até a dar uma desfiladinha em direção a quadra 1... não tava acostumada com aquela popularidade lá pelas bandas da 18 quando uma voz qause que do além, diz "Hey")

Era a menina na mini arquibancada da quadra 4.

- Voces não podem passar aí não. Deveriam ter dado a volta porque vocês estão PERTURBANDO o jogo.

- Ah.. ok... desculpa... (Mas meu eu interior estava gritando: É O QQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQQUUUUUUUUUUUUEEEEEEEEEEEEEEE rapaz? Atrapalhando o jogo... gente, tem mais de 5 metros de distancia daqui pra essa quadra... eu vou dar é uma voadora na sua cara, meu bem...). Olhei pra cara de Maurien... senti que o sentimento era o mesmo.

Depois de acalmado o animo, de ter xingado aquelas moças mentalmente 23x e do nosso desfile murcho até a quadra 1, começamos a tirar as nossas 11 bolas da bolsa (sim! eu disse 11... a gente não quer ir ficar catando bola lá longe toda hora... justo, não?) e eu saco minha raquete Wilson do combate ao câncer de mama que estava na promoção no Outlet... Vamos jogar, gentchy!

Já meio tímida, porque nas quadras anteriormente mencionadas, cada jogo tinha uma e somente uma bola (erros? Inexistentes... bola só colocada)... raquetes de primeira e roupas adequadas, constatei que eu com minha calça folgada da Adidas, daquelas que parece que vai dançar street dance, e sem viseira não estava adequada ali. O negócio era PROFISSIONAL, bebê... Mesmo sendo terça-feira a noite não valendo nada. Eu tenho a impressão que nem Serena Williams seria poupada caso cometesse o ABSURDO de passar a 5 metros da quadra, colada na grade, como nós estavamos.

Com o emocional abalado, hahahaha, nós não estavamos conseguindo jogar o nosso "melhor" jogo. E o que já não era uma maravilha... vcs podem imaginar como ficou... Pra resumir o q se deu em seguida em uma cena, conseguimos a peripércia de jogar a bola sobre a grade de contenção que fica atrás da quadra... a bola caiu no meio do jogo de outras profissionais (inclusive uma colega do trabalho estava nessa quadra... quer dizer... não tenho palavras pra descrever o nivel do mico). Uma das meninas ficou procurando de quem era a bola e deu um chutinho pra quadra do lado... porque era inimaginável que a bola pudesse vir da gente. Caladas estávamos... caladas permanecemos... e caladas concordamos que era melhor voltar com 10 bolinhas pra casa do que pagar aquele mico de dizer: "Ei, essa bolinha aí é nossa". hahaha

O ponto positivo de tudo isso foi que a gente corria igual a condenada caso sonhássemos que a bolinha tivesse uma chance de pegar a trajetória da quadra do lado... o que nos rendeu o melhor exercício aeróbico de todas as vezes que nos reunimos!

E é claro que ficou a lição aprendida... esporte nos states é levado a sério... você tem uma noção por aquele vídeo que eles fizeram pra copa... do "I believe we will win". Até vc acredita quando assiste o vídeo... mesmo sabendo que os EUA tem pouquissima tradição nesse esporte.

Semana que vem se o cara vier com "vou botar vocês na quadra 01", vou dizer que não obrigada... me bote na quadra 1837 (ou mais longe) junto com os aprendizes de amadores. Vai ser mais divertido...

Aff fiquei tensa durante aquela 1,5h... Michelle, que chegou nesse meio tempo, resolveu até parar de jogar e ir desenhar (atividade que ela é fera e detonaria qualquer daquelas profissionais amadoras metidas a ganhadoras de Wimbledon). rsrsrs ;)

Gente, por hoje é só! Espero que tenham se divertido um pouco e dado boas risadas. Beijooo

segunda-feira, 17 de março de 2014

#15 - Contar em Inglês... Você acha que sabe?

Oi pessoal!! E como vai essa força?

Quem acha que eu sou meio maluca por estar fazendo uma pergunta meio boba, porque qualquer bebê pode contar em inglês, pense de novo.

Desafio você a falar rápido o valor de $ 2,418,560.00 em inglês. Tentou? Sério, tente aí!! Você vai sentir na pele a nossa dificuldade diária, hahauhau.

Para quem ainda não sabe (!) eu e Luizinho somos engenheiros, e na engenharia, inevitavelmente vc tem que lidar com números, frações, quebrados, pontos e vírgulas. Até então isso nunca tinha sido um problema, afinal desde a época do vestibular que já sabia que seria (e queria que fosse) assim. Masss... eis que vem a roda viva e me joga pra ter uma vida profissional nos States.

Já não bastasse ter que aprender o nome das benditas moedas, que não se chamam simplesmente centavos como no Brasil, ainda trabalho numa função em que preciso lidar muito com valores e seus centavos.


Eu me embanano completamente! Já perdi a conta de quantas vezes em uma reunião eu recalculo os valores, aplico as margens percentuais, e... na hora de falar o valor final que todo mundo tá esperando dá "aquele câimbra" na língua, e eu começo a falar tudo errado. Falo de centenas quando quero falar de milhares e vice versa. Falo de milhares quando devo tratar de milhões, e por aí vai. Outro dia mesmo ocorreu o seguinte diálogo numa reunião:

- Colega: Lorena, vc pode simular o caso de revertermos a contingência de 5% para 3%, movermos as horas de treinamento do gerente para o líder, reduzindo a margem bruta em 5%.
- Eu: (cliques frenéticos no computador, função atingir meta no excel, alguns cliques no mouse, mão suando, porque como já falei antes as reuniões aqui começam a acabam no horário e... o número 150100 finalmente aparece na minha tela. Começo a falar) Considerando esse cenário o valor cai de 169 mil para aproximadamente 1 milhão e quinhentos mil dólares (fifteen hundred thousands).

Percebendo que o pessoal começa a se entreolhar percebo que falei uma maluquice e corrijo até dando um gritinho de susto misturado com ansiedade de falar certo:

-Eu: QUINZE mil dólares (fifteen thousands)... digo CENTO e cinquenta mil dólares (one hundred and fifty thousands). Ah, vou projetar na tela pq acho que ficou meio confuso... me passa o cabo aí colega 2.

Desse momento em diante eu só clicava no número e mudava a cor da fonte pra vermelho pra eles verem o novo valor simulado, huahauahauha. Agora já tô um pouco melhor, mas por um tempo eu só mostrava os números para evitar pagar mico.

Como dizia aquele programa das antigas: parece mentira, mas não é. Principalmente porque aqui, toda hora o pessoal usa uma terminologia diferente pra dizer a mesma coisa. Por exemplo, eles tem o hábito de contar as coisas em centenas. Para falar dois mil reais, por exemplo, eu jamais falaria 20 centenas de real. Aqui é super comum o povo falar twenty hundreds of  dollars. Simplesmente os palitinhos não se movem corretamente e 20 centenas vira 20 mil rapidinho (não 2 mil como deveria ser) .

Sem contar a gíria: 2 thousands também pode ser 2 grands... 2 dólares pode ser 2 bucks... Quando vc tem que falar uma vez, ok... mas imagine isso no dia-a-dia, dezenas de vezes ao dia...


Sem contar a maldita virgula... Aprendi desde os 6 anos, quando brincava de quadro valor de lugar, que quem separa a parte inteira da decimal é aaaaaa: vírgula! Certo? Nãããão. Aqui o separador decimal é definido como o ponto, a vírgula é separador de milhar.

Agora, quer dizer: apenas tudo ao contrário. É um verdadeiro trava cérebro!

Cansa a mente, minha gente...


A minha solução paliativa, quando não quero me arriscar de jeito nenhum, é  falar número por número, seguido de vírgula e ponto. Devo ficar parecendo que tenho dificuldades de aprendizado, hahaha, mas é a zona de segurança. De um até nove eu consigo, né? Acho... rs.

Beijos e até a próxima! Já temos dois posts engatilhados aí, hein? Fica o teaser...