quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

#13 - Vida de Aeroporto nos EUA

Para não dizerem que só a Lorena que escreve, segue um post 100% meu. Finalmente o ano acabou e o período de viagens também, pelo menos em 2013.

Desde quando comecei a trabalhar no meio de julho foram 40 trechos diferentes, o que dá uma viagem (round trip) por semana, 68 mil milhas viajadas em seis meses. Por um lado é bom, você vira gold/platinum rapidinho em companhia aérea, hotel e locadora de carro, mas por outro, fica mais cansado, fica longe de casa, das suas coisas e da sua esposa... muito bom para um recém casado.

Falando em esposa, fiz as contas e vi que, desde que comecei a trabalhar, fiquei 88 dias com ela. Já o cliente vem correndo atrás com 80 dias. Pois é, quase tenho passado mais tempo com o cliente do que com minha própria esposa. E ele nem faz meu tipo. rss

Nestas tantas viagens já tive um pouco de cada. Já sentei na econômica, já sentei na primeira classe, já antecipei voo, já perdi voo. Já tive que correr de um terminal a outro para não perder a conexão, já tive que mudar de assento para balancear o peso do avião e já sentei ao lado de um bebê chorão. Já peguei aeronave congelada, já peguei outras que pareciam uma sauna, já andei em aviões grandes e até pequenos como o Brasilia. Já peguei voos tranquilos, já me senti em uma montanha russa, já vi pessoas rezarem no meio da emoção e já vi pessoas aplaudirem uma aterrissagem, enfim, não faltou diversão.
Abaixo imagem do Embraer Brasilia usado pela United para voos curtos.


Voar por aqui é bem parecido como voar no Brasil, mas com suas particularidades...

- Cartão de embarque - Antes do raio X você apresenta seu cartão de embarque e documento na segurança para checar se você é você mesmo. Difícil mesmo é o coitado do funcionário da TSA entender meu sobrenome. Como ele não cabe inteiro no cartão de embarque, eles removem os espaços, então fica  COELHODEARAUJOFILHO. Para um americano isso é hieróglifo. O funcionário disse: "Meu Deus, não vou nem tentar. Deve ser você mesmo."

- Raio X 1 - Aqui, mesmo nos voos internos, é preciso tirar cintos, sapatos, laptops de dentro da mochila. Nada líquido e gel com mais de 100 ml. No Brasil é melhor (ou não), pois pode passar com tudo. Infelizmente eu ando com 3 laptops, então cada vez é um parto para passar pelo raio x, uso a esteira inteira pois sao 4 bandejas, mais mochila e mala. Já fui apelidado de "Laptop Guy" no aeroporto que eu sempre passo.

- Raio X 2 - Em boa parte dos aeroportos o Raio X é aquele que mostra até o seu útero (o meu não), é um scan seu completo. Você para, levanta os braços e o scan gira em torno de você. Dizem que dá para ver tudo. rss Até os americanos reclamam deste modo meio intrusivo de garantir a segurança.

 Exemplos do Scan... eles juram que não armazenam dados....

- Embarque 1 - É muito comum eles fazerem overbooking, ou seja, vendem mais passagens do que cabe no avião. Quando isto acontece eles oferecem vouchers de 200 a 500 dólares para voluntários que não se importem em pegar voos mais tarde. Há quem diga que tem pessoas que vivem disso, juntam dinheiro com estes vouchers. Admito que já fiquei tentado, mas Lorena me mataria se eu não chegasse em casa.

- Embarque 2 - Quando a aeronave é pequena eles vão pedir para você despachar a bagagem na porta do avião, ainda que ela seja do tamanho permitido. Não se assuste como eu me assustei na primeira vez, ninguém vai roubar sua mala nem deixar ela para trás, é que o avião é tão pequeno que não cabe mesmo a bagagem de todos.

- Durante o voo 1 - Quando a aeronave é pequena eles precisam balancear o peso pelo avião, então se os assentos do fundo estiverem vazios eles vao perguntar por voluntários para mudarem de assento e assim, balancear o peso. Uma vez eles encheram tanto o tanque do avião e ficou tão pesado que eles pediram para seis passageiros descerem e pegarem outro. O avião não sairia do chão enquanto eles não saissem. Claro que cada um ganhou um voucher de US$ 400.00. Ainda bem que eles não fazem como a gente no elevador, onde sempre cabe mais um, não importando o limite máximo.

- Durante o voo 2 - Desde novembro aparelhos eletrônicos pequenos são permitidos durante todo o voo, não tem aquela palhaçada de ficar desligando para pouso e decolagem, basta estar no modo "avião". Alguns voos possuem até wifi a um preço nao tão absurdo, U$ 6.00 o voo.
Eu tenho costume de ouvir música durante o voo, mas ao desligar o celular eu não tiro os fones de ouvido (não me pergunte o porquê). Uma vez, quando não era permitido usar o voo todo, a atendente veio pedir para desligar o celular (já que eu estava de fone o celuar estava ligado). Eu apenas mostrei a tela escura do celular e disse que estava off. Ele continuou insistindo para eu desligar e então eu mostrei o celular para ela e apertei o botão principal, mostrando que nada aparecia na tela, ou seja, estava desligado. Não sei se ela não entendeu, mas ela me pediu para apertar e segurar o botão para desligar o celular. Eu, já desesperado por ela não me entender, apertava freneticamente o botão principal N vezes para mostrar que estava desligado, "It is off!!!!" E ela, já desesperada por achar que eu não a estava entendendo, começou a gritar "Não solta o botão! Aperta e segura para desligar!" Já sem argumentos a única coisa que pensei foi dar o telefone para ela e pedir para ela desligar para mim. Depois de apertar todos os botões sem sinal de vida do celular, ela me vira e pergunta "Is it off?". Respirei fundo, sorri e disse "Yes, it is off."

- Durante o voo 3 - Americanos adoram conversar, não importa o voo nem o destino. Pessoas que se viram pela primeira vez  parecem amigos de longa data. Conversam sobre qualquer assunto e durante o voo todo. É sempre bom ir prevenido com um fone de ouvido quando quiser ficar na sua e tirar um cochilo. O fone já é o sinal de "Não enche o saco, não quero conversa."
Uma vez sentei ao lado de um cidadão esquisito, nada de conversa, ele apenas abria constantemente um vidrinho, molhava o dedo e encostava o dedo no nariz. Fiquei tentando observar de canto de olho para sacar o que era, mas nada. Não tinha cheiro forte, mas a cada 5 minutos ele molhava as narinas com os dedos e não fazia questão nenhuma de esconder. Descongestionante? Talvez... Admito que até fiquei na vontade de pedir um pouco, depois de 1 hora do choro constante do bebê aquele poderia ser o canal para o sossego. rss

- Pouso - Algumas aeronaves pequenas desligam o arcondicionado para pousos e decolagens. Eles precisam focar toda potência no avião, portanto no verão fica aquela sauna com as pessoas suando e formando aquela pizza debaixo do braço.

- Desembarque 1 - Quando o avião chega ao portão em geral as pessoas não se desesperam e saem atropelando as outras para tentar sair primeiro do avião. As pessoas vão saindo pelas fileiras, assim o passageiro da fila 5 espera todos das filas 4, 3, 2 e 1 sairem antes.
Uma vez estava viajando pelas filas do meio do avião, ao pousar e desligar o motor vi que ninguém se movimentava. Algumas poucas pessoas se levantavam na frente, mas ao olhar para trás todo mundo sentado. Um impulso interno me dizia "Levanta! Anda! O avião parou tem q levantar!", mas ao ver todo mundo sentado fiquei na dúvida se podia ou não. Eu, inquieto na cadeira, doido para levantar, 10 pessoas de pé e outras 60 sentadas. Até que me segurei e esperei para ver se vinha alguma autorização para levantar, mas não veio, as pessoas estavam apenas esperando a porta abrir, afinal, para que ficar em pé se espremendo e esperando se podia esperar sentado? Não é sempre assim, em geral mais pessoas se levantam, mas admito que fiquei com medo. Ficava pensando "Que P. é essa?".

- Desembarque 2 - É comum você ver pessoas no finger encostadas ao lado direito. A primeira vez eu achei que já fosse o pessoal do próximo voo para embarcar, pensei "que desespero é esse para não atrasar o próximo voo". Mas era apenas o pessoal que despachou a mala no portão esperando ela ser entregue. Se você despachou no portão, você retira no portão do avião, se você despachou no checkin, você retira na esteira.

- Esteira - As esteiras de bagagem de todos os voos nacionais ficam depois que você sai da área restrita de passageiros, assim qualquer pessoa que venha da rua também tem acesso àquela esteira. Pois é, será que funcionaria no Brasil? Nenhuma mala seria furtada?

Finalmente terminei a fase de voos este ano, mas ano que vem tem mais. Dia 06 já estou de volta ao aeroporto para mais "diversão".

Bom ano novo a todos. Em 2014 tem mais posts.

sábado, 14 de dezembro de 2013

#12 - "Frew" York

Oi pessoal!!

Como está esse verão no Brasil aí? Espero que bem quente!! Quando chegar aí vou querer expor cada célula do meu corpo ao máximo de raios UV que eu conseguir! Esse frio aqui tá demais..

E por falar em frio, quem me conhece sabe que mesmo os 3 anos morando em São Paulo (nossa... foi tempo...) a minha baianidade não me permitiu adaptação ao frio de 7 graus, 6 às vezes, que peguei em SP.

Aí me contaram a história de que o frio aqui em Houston não existia, que era quente e húmido igual a um pântano, que era um calor danado... etc etc... e eu sei que um dia eu acordei de manhã e o termômetro estava apontando 3 graus Celsius... Ah como eu reclamei... "Que frio", "Fui enganada", "Que frio aqui dentro de casa", "Esse vento tá me matando"... Se eu soubesse o que eu ira enfrentar algumas semanas depois em "Frew" York... digo... New York, eu jamais teria reclamado do frio de Houston.

Enfim... chegou o dia da tão esperada viagem, onde eu iria rever minhas amigas amadas que não via há quase 1 ano, Prisilha e Arields (e seus respectivos Leitão e Elcimar) e minha irmã, Larissa. E Prisilha toda animada no Whats App: "Eu tô liberada 10:40 PM, a gente pode se ver e fazer algo", eu pensei: "Essa menina tá é animada". Como sabíamos que iríamos chegar tarde, não deixamos nada pré-combinado, reservamos um taxi online e fomos para o ponto de espera, uma pista central similar àquelas que tem no aeroporto de Guarulhos.

Eu achei que o meu traje de guerra (2 calças, camisa de lã, casaco de 3 camadas sendo uma de papel alumínio pra manter o calor, cachecol, luva - que eu roubei de Luiz - e aquele protetor de orelhas com pelinhos) seria suficiente para conter o frio... obviamente não foi. Chuva, sensação térmica de -3 graus Celsius, e um vento de rasgar a espinha nos recepcionaram em NYC... E para completar a belezura, o taxi estava no terminal errado... Depois de alguns minutos de sofrimento, finalmente entramos no Lincoln preto e fui informar no Whats App que já havia chegado. Arields nem responder respondeu (liguei mais tarde pra o celular dela e Elcimar me disse que eles já estavam há muito tempo enrolados debaixo de tantas cobertas e que para tirá-los de lá seria praticamente uma incursão ao centro da terra), e Prisilha, a animada, simplesmente respondeu "Tá muito frio, estou voltando pro hotel, não vou fazer mais nada hoje não". Eu pensei: Rapaz... esse frio não deve estar de brincadeira.

Aí chegamos no lobby do hotel que estava mais movimentado que o lobby do Bellagio em Vegas, deixamos as malas e já descemos pra comer no restaurante do outro lado da rua... nem Einstein explica a quantidade de tempo que levou pra andar aqueles 50 metros, esperar o semáforo abrir e entrar no restaurante... eu diria que um mês se passou, de tanto frio que passei. Depois de despir metade das camadas (esse tira e bota de roupa cansa, viu?) conseguimos acessar o menu do restaurante. A sopa, o vinho e o file mignon estavam divinos e depois de um jantar reconfortante era chegada a hora de voltar... Cadê a coragem pra ficar esperando aquele semáforo abrir de novo? Aí meu marido, inteligente e sagaz, disse: "A gente fica aqui de dentro esperando o semáforo abrir... e quando abrir a gente.... VAAAAAAAAAAAAAAAAAAI abriu, abriu, abriu!". Tive 2 segundos pra me recuperar do susto e já fui sendo rebocada por Luiz que corria pra pegar o sinal aberto. Porque o frio extremo requer atitudes rápidas e extremas, hahaha.

O dia seguinte até que não foi tão sofrido, porque passamos a maior parte do tempo indoors (museu de cera, show da Broadway do Rei Leão e um bar inusitado que minha irmã levou a gente). Acho que era Deus amenizando o que nos aguardava no Domingo. 100% de chance de neve. A gente resolveu dar uma caminhada até o Rockfeller Center.. pra ver a árvore gigante... 4 quarteirões... não podia ser tão mal assim... até o terceiro quarteirão, até que estava suportável apesar dos 0 graus. Mas aí veio a maldita esquina do Radio City. E com ela, o vento. Eu entendi profundamente todas as pessoas que dizem que o problema não é a baixa temperatura, é o vento.  Eu achei que meus ossos iam trincar naquela hora... até senti um cheiro de queimado e pensei que estava delirando. Até agora n sei o que foi. O que eu sei é que nos jogamos na loja na NBC e eu fui me sentar porque estava para ter um piripaque. O rosto gelado, a mão e as orelhas congeladas. Luiz querendo disfarçar pra eu não me preocupar com ele, mas depois ele confessou que também passou mal. Tomei um choque BRUTAL ao me encostar no balcão do caixa... Luiz achou que eu estava exagerando e depois tomou o dele no corrimão da loja. O resultado: compramos um gorro pra ele e outro pra mim, vimos a árvore de dentro da loja mesmo e voltamos pra hotel, pra nos prepararmos para ir até o aeroporto em New Jersey de metrô / trem.

E começou a nevar. Aqueles floquinhos brancos caindo do céu até que foram bonitos nos primeiro 2 minutos. Na hora que tivemos que trocar do metrô pro trem tínhamos que sair ao ar livre e as instruções não eram claras e a gente ficou perdido uns 10 minutos na neve. E de novo a relatividade do tempo de parecer que se passou um mês. Nossa luva não era touch screen então tivemos que botar a mão pra fora pra ver a direção do trem no mapa do celular (DICA: use luva touch screen). E enfim achamos a estação do trem. Nessa parada tinham umas luzes bem quentes no terminal e o povo ficava se aglomerando igual a formiga no açúcar pra se aquecer do frio! Um negócio diferente. Mas antes da glória de chegar ao delicioso aquecedor do aeroporto, ainda teve mais....

Na segunda baldeação (uma parada antes do aeroporto) a estação não tinha a luz que atrai o povo na plataforma do trem. Eu fiquei na parte interna esperando Luiz comprar o último ticket e ele me vem com a seguinte notícia:
- "É 100 dólares o ticket pra ir até o aeroporto"
- "Oi? Mas é uma parada só... vc olhou direito"
- "Vc tá duvidando é? Eu fui na maquina que o homem da estação me apontou"
- "Não é possível, vou perguntar nesse trem que acabou de parar..."

Olhei pra trás e ele tava me seguindo e depois da filinha que tinha, perguntei a um funcionário se esse era o trem pra Newark (aeroporto). Ele com uma cara blasé e de poucos amigos me disse. "Sim, entre agora é a próxima parada". Feliz com o fim do suplício, olhei pra trás pra procurar Luiz e ele tinha sumido, quando olhei pra frente de novo, o trem vazou. Nãããããããão... Pra onde foi essa criatura, meu Deus? Não sei se foi o frio ou se ele achou que eu ia pagar mico perguntando, ele voltou pra onde tinha aquecedor. Ele disse que foi olhar a tabela de preços de novo. Falei pra ele não sair da minha cola e quando chegou próximo trem perguntei o preço a outro funcionário e ele me disse que era 2,75 dólares... 7,75 se vc pagasse dentro do trem. Aí a gente pulou dentro do trem e acabou nem pagando a passagem pq não deu tempo do cobrador chegar na gente. E a saga chegava ao fim: calor, aquecedor, aeroporto, paz.

Tudo bem que o avião atrasou mais de uma hora pra sair porque primeiro tinham que limpar a nave da pista, depois tinham que passar o avião por debaixo de umas luzes potentes pra derreter a neve e depois jogar um spray com um fluido anti congelante, pra só aí o avião poder decolar.

De toda essa experiência algumas conclusões:
* New York no inverno nem de graça
* Houston não é tão frio assim
* Comprar uma luva touch screen é essencial
* O frio irrita
* Neve atrapalha o dia-a-dia.
* Eu AMO o calor de SSA.

Beijo gente! E em menos de uma semana Brasil il il! E algumas fotos de NYC pra vcs.





quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

#11 - Trabalhando no estrangeiro: a missão - Parte 3 - O dia a dia no trabalho

Oi pessoal! E mais de dois meses depois, cá estou eu para completar a última parte da saga.

Mil perdões pela demora... é que foi juntando a rotina corrida com a preguiça interior e acabei não escrevendo nunca! Mas prometo que vou tentar atualizar isso aqui numa periodicidade digna... porque as situações inusitadas não pararam de acontecer....

Desculpas devidamente pedidas, lá vamos nós para a última parte (será que ainda lembro de tudo? hahaha). Passar esses dois meses adicionais trabalhando e conhecendo a essência e confirmando que as primeiras impressões se confirmaram. Então, relembrando os tópicos do post passado (depois desse abismo de tempo tem que relembrar):


1. CONTATO DE PRIMEIRO GRAU (Situação de Aprendizado / Mico)
2. REUNIÕES(Situação de Aprendizado / Mico)
3. CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS (Situação de Mico / Aprendizado)
4. ALMOÇO COMEMORATIVO (Situação Inusitada)
5. COCA COLA NA COPA (Situação Inusitada)
6. SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY (Situação Inusitada)

E sem "mi mi mi" vamos aos fatos nus e crus:


1.  CONTATO DE PRIMEIRO GRAU
Sabe aquela média que vc estava acostumado a fazer no Brasil para puxar papo com as pessoas da sua baia? Isso não existe na América... Bom dia aqui é educado, mas não é necessariamente uma convenção social a ser seguida... hahaha Eu me lembro que no Brasil se eu chegasse e não desse bom dia, normalmente 0,5 milésimos de segundo depois alguém perguntaria: "Dormiu comigo? Não me deu bom dia..." ou "Tá tudo bem? Chegou séria hj..." e, por bem ou por mal vc tinha que emitir algum grunhido de justificativa.

Eu aprendi isso na raça! Naquela de quebrar o gelo na malemolência brasileira fui perguntar a um colega qual era a impressora do andar, que eu ainda não sabia... pra adicionar e ver se ele perguntava o que eu tava fazendo, se estava gostando... aquelas coisas de praxe.
- Bom dia
- ... (aceno de cabeça)
- Desculpa interromper, mas... vc pode me dizer qual a impressora do andar pra eu configurar meu acesso.
- (cara de não desculpo a interrupção) (pausa dramática) (silêncio constrangedor) (cliques no mouse)... Acho (como assim acha? vc nunca imprimiu nada aqui?) que é a impressora XPTO.
- Err.. Obrigada... (#soquenão)

Lição aprendida e jamais esquecida: antes de fazer contato de primeiro grau, de preferência mande um email ou agende uma reunião (mesmo que essa vá durar apenas 10 minutos). Pode parecer estranho, mas até que já me acostumei e enxergo as motivações. Sem contar que em termos de planejamento de atividades do dia, esse approach é bem legal...

E por falar em reuniões:

2. REUNIÕES: 
Eu já postei alguns comentários sobre a eficiência das reuniões que participo aqui no face e é uma coisa que estou AMANDO. Reuniões programadas pra durar 30 min começam no horário (ou antes) e terminam no horário (ou antes). E, excetuando-se quando o membro atrasado é a peça principal da reunião elas vão começar: com ou sem vc. O chefão dos chefões aqui é britânico e as reuniões gerais, aquelas que tenderiam a se arrastar por horas e horas aqui tem agenda (com hora de início e fim para cada um q vai falar).

Eu mesma aprendi rapidinho.... de segunda a quinta temos uma reunião de 15 min às 09:30 da manhã que sempre acontece na sala A. Um dia aleatório, essa reunião foi marcada pra acontecer na sala B. Aí eu passei uns 3 minutos antes, cumprimentei a galera, perguntei se estava tudo certo pra reunião e me dirigi pra sala A (não reparei no aviso que naquele dia era na sala B. Estranhando que era 09:31 e não tinha chegado ninguém, resolvi voltar e dar uma checada na baia do pessoal que participaria da reunião... NINGUÉM! Pensei se era algum tipo de pegadinha com a novata... e pedi pra secretária olhar a reserva de salas. Ela me informou que a reunião estava agendada pra sala B. Cheguei na sala B às 09:06 e a reunião já estava no seu ápice, a penúltima pessoa que deveria dar o update já estava falando e eu havia perdido mais da metade das discussões.

Lição aprendida e jamais esquecida: cheque 3x o o local no MS Outlook antes de se dirigir pra uma reunião e chegue no horário. A reunião irá começar no horário.

Uma coisa importante pra chegar sempre no horário é lembrar do:

3. CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS
Essa foi engraçada tb... Aqui, o mesmo crachá que você usa para abrir as portas é o que você pluga no computador para acessar a rede segura da Siemens, ler email encriptados, etc... E eu fico no décimo andar, mas trabalho frequentemente com o pessoal do nono, então uso a escada pra não ficar esperando elevador e aproveitar e fazer um exercício... só que na escada tb tem o leitor de RFID pra abrir a porta... Vc consegue abrir a porta sem o crachá, mas uma vez nas escadas, só com crachá pra acessar outros andares... Um dia desci pra falar com o pessoal e... e.... adivinhem?! Deixei o crachá no note. Ai no instante em que ouvi a porta do andar de cima bater atrás de mim, olhei pra porta de baixo e me dei conta que estava presa... ali... novata... sem querer bater na porta pra não pagar mico. O desespero querendo dar as caras, fazendo acelerar as batidas do coração... Olhei pra minha mão e por sorte estava com o celular! Pensei: "Vou ligar pra Luiz abrir aqui pra mim e... ah não... ele tá na California...". "Vou ligar pra Fábio... e... ah não... essa bosta está sem sinal". "Vou sentar aqui, chorar, pedir pela minha mãe, e esperar até a hora que alguém resolva fazer um exercício e me encontre aqui... ou a minha caveira..." Até que tive a brilhante ideia de descer até o primeiro andar, hahaha e subir de elevador até a recepção principal. Para minha sorte a galera do sétimo andar não tinha controle de acesso e eu só precisei descer 2 andares pra executar meu plano.

Lição aprendida e jamais esquecida: Faça o checklist mental antes de descer de escada ou sair pra almoçar sem o seu crachá... Depois desse episódio já vi muita gente pagando mico e com cara sem graça dando batidinhas na porta, esperando que uma boa alma se levante e vá abrir a porta.


4. ALMOÇO COMEMORATIVO
Aqui, assim como no Brasil, tem essas celebrações corporativas, de fim de ano, de aniversário e etc... Eu me lembro de umas comemorações muito divertidas que tive no Brasil... tão divertidas que deixavam muita balada no chulé. Sem contar o fator interação social. Assim... no começo eu achei um pouco estranho, mas se vc mantiver na cabeça o fator produtividade, até que não é tão estranho assim... vc recebe um email dizendo: "Junte-se a nós na comemoração dos aniversariantes do mês tal!". Ai da primeira vez eu fui achando que ia ter bolo, parabéns, bingo, rê-tê-tê, presente, chamando o nome de todo mundo e talz... só acertei na parte do bolo (muito bom por sinal). Um parêntesis: acho que se eu tivesse nascido aqui eu iria curtir doces.

Enfim.. o povo chega, pega sua fatia, come.. alguns dão parabéns pros aniversariantes, outros conversam com seus grupinhos... e tem aqueles que vão só pra pegar a sobremesa descaradamente e voltar pra suas mesas, rs. Um grupo se destaca pela conversa animada e gargalhadas esporádicas... vcs tem uma chance de adivinhar a nacionalidade dos integrantes. hehehehe


5. COCA COLA NA COPA

Essa é rápida e : vending machine na copa a 25 centavos a latinha da coca. E com o plus de ter um máquina de pipoca... 0800. Preciso dizer mais alguma palavra sobre o assunto? Uma coisa que eu achei curioso é que para mim coca cola aqui nos states sempre foi Coke... mas em muitos lugares vc pede Coca Cola e na latinha tem escrito Coca Cola...

6. SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY
Eu não me lembro se ja entrei em detalhes sobre esse assunto, mas aqui quando vc entra na empresa, vc recebe um .ppt com um dress code para homem e para mulher dizendo o tipo de roupa que é que não é permitido vestir no trabalho. Até aí ok... o que eu fiquei chocada é que calça jeans e camisa pólo NÃO SÃO permitidas pelo dress code... e nem tênis... eu acho que 80% dos meus dias de trabalho no Brasil ou eu estava usando calça jeans ou camisa pólo, ou os dois... e achava que estava muito composta, hahaha. Me achando a última bolacha do pacote com aquela pólo classica, estilo Tommy Hilfiger que absolutamente todo mundo no Brasil tem, aqui eu estaria fora do dress code. E o mais engraçado é a frase final do power point: se ficou na dúvida se está adequado, é porque provavelmente não está!

Mas na sexta... ah... na sexta... como eu adoro! Além de ser o dia que até seus chefes vão embora 4 da tarde e 05 estar mais deserto que o Atacama, você pode vestir o que quiser. Jeans, Tênis, Pólo, camiseta amassada que vc pegou da roupa suja deu aquela cheirada e viu que dava pra vestir de novo e está mais amassada que se tivesse saído da boca do boi, vc vê de tudo e mais um pouco na sexta. O clima é realmente outro no escritório. E como aqui tem aquela esquema de trabalhar 1h a mais todo dia e folgar sexta sim, sexta não o ambiente fica bem mais vazio.

Acho que é isso gente... Por hoje é só e em breve eu volto com post novo... pelo menos mais breve que da última vez!

Beijos a todos.