segunda-feira, 17 de março de 2014

#15 - Contar em Inglês... Você acha que sabe?

Oi pessoal!! E como vai essa força?

Quem acha que eu sou meio maluca por estar fazendo uma pergunta meio boba, porque qualquer bebê pode contar em inglês, pense de novo.

Desafio você a falar rápido o valor de $ 2,418,560.00 em inglês. Tentou? Sério, tente aí!! Você vai sentir na pele a nossa dificuldade diária, hahauhau.

Para quem ainda não sabe (!) eu e Luizinho somos engenheiros, e na engenharia, inevitavelmente vc tem que lidar com números, frações, quebrados, pontos e vírgulas. Até então isso nunca tinha sido um problema, afinal desde a época do vestibular que já sabia que seria (e queria que fosse) assim. Masss... eis que vem a roda viva e me joga pra ter uma vida profissional nos States.

Já não bastasse ter que aprender o nome das benditas moedas, que não se chamam simplesmente centavos como no Brasil, ainda trabalho numa função em que preciso lidar muito com valores e seus centavos.


Eu me embanano completamente! Já perdi a conta de quantas vezes em uma reunião eu recalculo os valores, aplico as margens percentuais, e... na hora de falar o valor final que todo mundo tá esperando dá "aquele câimbra" na língua, e eu começo a falar tudo errado. Falo de centenas quando quero falar de milhares e vice versa. Falo de milhares quando devo tratar de milhões, e por aí vai. Outro dia mesmo ocorreu o seguinte diálogo numa reunião:

- Colega: Lorena, vc pode simular o caso de revertermos a contingência de 5% para 3%, movermos as horas de treinamento do gerente para o líder, reduzindo a margem bruta em 5%.
- Eu: (cliques frenéticos no computador, função atingir meta no excel, alguns cliques no mouse, mão suando, porque como já falei antes as reuniões aqui começam a acabam no horário e... o número 150100 finalmente aparece na minha tela. Começo a falar) Considerando esse cenário o valor cai de 169 mil para aproximadamente 1 milhão e quinhentos mil dólares (fifteen hundred thousands).

Percebendo que o pessoal começa a se entreolhar percebo que falei uma maluquice e corrijo até dando um gritinho de susto misturado com ansiedade de falar certo:

-Eu: QUINZE mil dólares (fifteen thousands)... digo CENTO e cinquenta mil dólares (one hundred and fifty thousands). Ah, vou projetar na tela pq acho que ficou meio confuso... me passa o cabo aí colega 2.

Desse momento em diante eu só clicava no número e mudava a cor da fonte pra vermelho pra eles verem o novo valor simulado, huahauahauha. Agora já tô um pouco melhor, mas por um tempo eu só mostrava os números para evitar pagar mico.

Como dizia aquele programa das antigas: parece mentira, mas não é. Principalmente porque aqui, toda hora o pessoal usa uma terminologia diferente pra dizer a mesma coisa. Por exemplo, eles tem o hábito de contar as coisas em centenas. Para falar dois mil reais, por exemplo, eu jamais falaria 20 centenas de real. Aqui é super comum o povo falar twenty hundreds of  dollars. Simplesmente os palitinhos não se movem corretamente e 20 centenas vira 20 mil rapidinho (não 2 mil como deveria ser) .

Sem contar a gíria: 2 thousands também pode ser 2 grands... 2 dólares pode ser 2 bucks... Quando vc tem que falar uma vez, ok... mas imagine isso no dia-a-dia, dezenas de vezes ao dia...


Sem contar a maldita virgula... Aprendi desde os 6 anos, quando brincava de quadro valor de lugar, que quem separa a parte inteira da decimal é aaaaaa: vírgula! Certo? Nãããão. Aqui o separador decimal é definido como o ponto, a vírgula é separador de milhar.

Agora, quer dizer: apenas tudo ao contrário. É um verdadeiro trava cérebro!

Cansa a mente, minha gente...


A minha solução paliativa, quando não quero me arriscar de jeito nenhum, é  falar número por número, seguido de vírgula e ponto. Devo ficar parecendo que tenho dificuldades de aprendizado, hahaha, mas é a zona de segurança. De um até nove eu consigo, né? Acho... rs.

Beijos e até a próxima! Já temos dois posts engatilhados aí, hein? Fica o teaser...

segunda-feira, 3 de março de 2014

#14 - Fazer a unha pode ser uma experiência única

Oi pessoal!

E como estão os festejos de momo no Brasil? Por aqui fomos arriscar um carnaval do Brasil no sábado passado pra não passar em branco! Ainda mais que os últimos 3 carnavais eu e Luiz estivemos juntinhos no carnaval de SSA, curtindo tudo na terra do Axé... Até que deu pro gasto... pra quem tá longe e gosta de carnaval é melhor isso do que nada, é ou não é? Deu até pra dar umas boas risadas com a cena que estava no limite da comédia e da depressão: as "mulatas" precisando de um sol que se apresentaram na festa... só de lembrar eu dou risada... Pra vocês terem uma ideia, a mais mulata era uma gringa que fazia qq movimento com os pés, menos samba...


Bom, mas mudando de assunto, pra retomar as postagens eu vou falar da experiência singular de fazer a unha nos estados unidos... No Brasil, era uma coisa tão natural e automática que nunca cheguei nem a pensar em todo o processo. Eu ia toda semana, ligava pra marcar com a manicure que gostava. Chegando lá era só fazer a unha,  pagar no final e ir embora.

Depois de perceber que eu realmente precisava de 4x o tempo de uma manicure pra pintar a minha unha com poucos borrões eu resolvi tentar fazer a unha por aqui. Mas eu queria uma que tirasse a cutícula... pq já tinha tentado 2 vezes por aqui e não tinha muito sucesso. E sim, eu queria tentar um lugar perto de casa... não me deslocar quarenta km pra fazer uma unha, como tem gente que faz. Aí fiz o procedimento padrão, procurei um site de expatriadas em Houston, vi uma recomendação, por sorte o lugar era menos de 2 milhas aqui de casa.

Vi que fechava as 7 da noite e resolvi ir lá depois do trabalho... tava um frio desgraçado, aí eu eu cheguei lá com aquele casaco de quem vai esquiar, de luva e etc. Era uma lojinha modesta com aquela luz neon marcando open e o preço de 30 dólares, melhor do que o que eu pagava em SP (já convertendo!!).

- "Haaai"! - disse a moça que eu acho que é vietnamita ou tailandesa, com um sotaque mais carregado que o meu - Como posso ajudar madame?
 Ainda um pouco chocada com aquela produção em série, com milhares de moças todas iguais e o naquele espaço pequeno eu disse:

- Mani-pedi? (abreviação de manicure e pedicure)

- Ceeeeerto madame minha querida (sim elas emendam o ma'am com o my dear em todas as frases), pode escolher a sua cor e sentar na cadeira 2.

Demorei um pouco pra entender que precisava escolher a cor e fui me dirigindo a cadeira 2, mais por causa do gesto que ela fez do que porque realmente tinha entendido... ai fui andando assim como quem vai mais não vai... meio hesitante... até que a moça me pegou pelo braço (não tão delicadamente quanto eu esperava) e eu consegui entender a palavra "color" no final. Ai fiz a sinapse e fui escolher a cor. Depois sentei na bendita cadeira 2. Bem acolchoada e confortável.

 

As moças que iam fazer minha unha chegaram e uma delas se esgueirou do lado da cadeira 2. De repente: ziiiiiiiiiiiiiiin. A cadeira começou a inclinar e a me massagear. Cadeira massageadora... huuum, chique! E agradeci por ela não ter me perguntado. Simplesmente ligou e me deu o controle na mão. A cadeira é tipo essa da foto aí embaixo.



Agora era só relaxar e... Oi? Olho pra frente e a moça tava fazendo um monte de gestos, aparentemente era comigo... ah sim... é definitivamente comigo. Oi? Tirar o casaco... mas eu ainda tô com frio, gente... (todo esse dialogo interno era em pensamento). Achei melhor obedecer.

E foi aí que percebi como fazer a unha aqui tem um procedimento super bem definido e que não mudou nenhuma vez desde que fui lá. Chega, escolhe a cor, senta na cadeira, tira o casaco, dobra a calça e por aí vai. E POBRE DE VOCÊ que saiu da sequência. As mocinhas vão colocar vc de volta no trilho nem que tenham que puxar pelo braço.

Aí começou o processo da unha mesmo, na sua sequencia bem definida tb. Até que a moça resolveu começar uma conversa... Veja bem... se eu não estou entendendo ela falando comigo "normalmente"... imagine com aquela mascara de gripe suína na boca... eu pegava palavras aleatórias e transformava uma palavra numa conversa que tentava conectar essas palavras... tentando não parar de falar até a próxima hora de mudança do procedimento. Como postei uma vez no face, a conversa chegou num ponto que eu pensei que a moça tava mandando eu levantar a perna e, na verdade, depois concluí que ela queria saber onde eu morava. :-D

Aí no meio do ciclo ela mandou tirar o relógio e a aliança e fez uma massagem no meu braço até o ombro com um hidratante (aí o tirar o casaco fez sentido). E me mandou colocar de novo o relógio e a aliança. Tudo no fluxo bem definido de sempre. A outra moça continuava frenética no pé. E de repente a moça fala:

-Now you pay to me (tradução: agora vc paga pra mim).
"Oxe meu bem... vc nem começou a pintar", pensei. Devo ter feito uma cara de interrogação tão grande que ela completou:
-Assim vc não estraga sua unha. Sua unha. Estragar. Não estraga a unha. Minha querida, madame.

Aaaaaaah, e mais uma vez o fluxo cadenciado delas fez sentido: a gente paga antes de pintar e não precisa meter a mão na bolsa e borrar o esmalte na saída (coisa que já fiz zilhões de vezes no Brasil). E depois que a gente paga e diz quanto vai ser a gorjeta (sim, objetividade master pra ela não precisar ajustar o valor no cartão depois) ela continua a pintar.

Uma coisa muito diferente tb é que elas ficam falando entre si, em murmúrios na língua nativa... que realmente me leva a pensar como elas conseguem ter uma conversa falando tão baixo. Às vezes uma fala lá no extremo norte da sala e a outra do extremo sul responde com um "chan chin chon, chaaa-án ná náá... á ná" (isso foi uma onomatopeia pra tentar descrever o tipo do som que ouço). No começo eu ficava sobressaltada, ligada em qq ruído que fosse direcionado a mim... depois relaxei... qq coisa ela me pegava pelo braço ou fazia um imagem e ação do que eu deveria entender.

Unhas pintadas, super brilho passado e... hora de ir embora, certo? Não, errado! Vc tem que descansar sua unha por 10 minutos (no mínimo) em uma mesinha com uma luz / aquecimento que fazem vc sair com o esmalte praticamente seco de lá. E depois da mesinha vc está finalmente pronta pra ir embora.

Eu particularmente gostei bastante desse lugar, tanto que volto lá praticamente toda semana. Elas tem um método agora já entendo cerca de 50% do que elas falam e elas tiram a cutícula razoavelmente bem. Tudo bem que não usam acetona (borram pouquíssimo os dedos, mas sempre fica aquele pouquinho de esmalte na pele). Já estou tão cativa lá que elas já me conhecem. Outro dia uma gostou na minha blusa e me pediu pra entrar no site pra ver se ainda tinha pq ela amou a estampa. Depois mandou eu girar e me pegou e me deu um giro digno de dançarino de zouk pra ver a blusa atrás. Tive até vontade de dar aquela jogada no cabelo, falar tum-tum-pá e fazer um cambret, hahahaha! Esse é o nível...

Me divirto! Um beijão gente e até a próxima! Continuem acompanhando as nossas aventuras. Estamos com saudades de vocês.