sábado, 21 de setembro de 2013

#9 - Trabalhando no estrangeiro: a missão - Parte 1 - O Processo Seletivo

Oi pessoal, depois de um período sabático, o blog voltou! E obrigado por todos aqueles que cobraram a gente por novos posts. Agora eles voltarão!! Tivemos que dar uma pausa porque passamos por um período agitado aqui com viagens seguidas, processos de emprego, visitas da família e otras cositas mais. Desculpas devidamente pedidas vamos ao novo post.

Como a maior parte já sabe, eu vim para cá para os EUA com o visto L2, que nada mais é que um visto de cônjuge de visto L1, que é um visto de trabalhadores qualificados transferidos pela mesma empresa (que é o caso do Luiz). Uma das boas coisas da categoria L para visto é que o cônjuge pode trabalhar, mediante uma autorização da imigração e com uma carteirinha conhecida popularmente como "work permmit". A primeira coisa que fizemos quando cheguei aqui foi dar entrada na papelada para tirar essa permissão porque o cargo de 100% dona de casa, definitivamente, não casava com o meu perfil agoniado de ser.

Desde o Brasil, eu já fica mandando CV e preenchendo formulários para a minha area de engenharia, mas o fato de ainda não estar morando nos EUA influenciava. Recebi alguns emails de "adoramos seu curriculo, mas como vc n mora aqui, vamos seguir com outros candidatos". Depois que cheguei, surgiram umas novas oportunidades na mesma empresa que eu e Luiz trabalhávamos no Brasil e, tchan tchan tchan tchan: fui chamada pra entrevista! Depois do momento de euforia, veio o pânico: a única entrevista que fiz na minha via foi pra entrar no programa de estágio e sempre trabalhei no mesmo lugar... agora além de tudo era entrevista como profissional e... em inglês, que convenhamos, o meu está longe de ser fluente...

Como estou tomando aulas de inglês, pedi a professora para reforçar esse ponto de entrevista profissional e ela veio com 3 livros sobre entrevista de emprego e foram dias e noites e horas e horas lendo e me preparando para não gaguejar, travar e ainda, de quebra, mostrar minha experiência profissional. E no dia da entrevista, deixei Luiz no aeroporto (pq esse homem só faz viajar desde que chegou aqui, rs), e fui pra casa me preparar para o momento tentando me manter zen e não entrar em autocolapso.

A entrevista até que correu bem, eram 3 pessoas de uma vez me entrevistando metralhando uma pergunta atrás da outra, pra ver se eu sabia explicar cada bullet do meu currículo. Por sorte, eu usei um blazer pra esconder a pizza enorme que se formava embaixo do meu braço, porque eu estava suando mais que cuzcuz no fogo e minhas mãos estavam geladas. Assim que me levantei da cadeira chique de couro da sala de entrevista e me despedi dos entrevistadores, dei aquela olhadinha rápida para o lugar que eu estava sentada e morri de vergonha... eu suei tanto que as duas marcas das minhas pernas molhadas estavam na cadeira, como se eu tivesse tido incontinência urinária... pedi a Deus que nenhum dos entrevistadores tivesse visto aquilo. E voltei pra casa, deitei no carpete mesmo e fiquei ali naquele estado letárgico até anoitecer, tentando repor minhas energias.

Depois disso foram duas semanas esperando pra saber o resultado, quando às 05:30 da manhã de uma sexta-feira recebi a ligação! Vocês podem estar estranhando 05:30 da manhã?! Não... o pessoal não é tão workaholic assim... é que eu estava acompanhando Luiz na califórnia e lá são duas horas a menos, aqui em Houston eram 07:30 já... eu dei um pulo na cama, me desequilibrei e quase me estribuchei no chão e falei: "Luizzzz, é um número de Houstoooon" e fiquei fazendo aqueles aquecimentos na garganta pra moça do RH não reparar que eu estava no milesimo sono. Eu tinha certeza que era o pessoal me ligando.

Atendi.

- Alô. (tentando soar o mais naturalmente possível dentro da minha agonia)
- Alô, é Lorena?
- Sim, sou eu..
- Olá, aqui é Fulaninha XYZ, do departamento de RH da Empresa, tudo bem?
- Oi! Tudo bem e vc?
- Tudo maravilhoso!
- Ótimo!
- Estou ligando para te informar que você foi selecionada para a vaga. Você tem interesse na posição?
- Sim! (pergntando a macaco se que banana, baby?!)
- Ok, em breve te enviaremos um email com a oferta formal e informações sobre a verificação internacional do seu background e o seu teste de drogas.
- Verificação do background? (como assim?!)
- Sim, sim... precisamos ter certeza que você não é uma criminosa, nem nada assim no Brasil... Leva mais ou menos duas semanas, vc vai ter que preencher alguns formulários (quando ela disse alguns, na verdade ela queria dizer milhares) e vamos te enviar o nome da clínica para você ir fazer o teste de drogas. Podemos marcar o seu início daqui a 3 semanas?
- Ah tah...ok então! Daqui a 3 semanas!
- Muito obrigada, e seja bem vinda!
- Obrigada a você!

Depois de fazer uma espécie de dancinha da vitória antes das 06 da manhã e ver Luiz, apesar do sono, dar uma risadinha e me dar um parabéns caloroso, voltei a dormir.

Voltei pra Houston e comecei a preencher as dezenas de milhares de formularios, sempre reconhecendo que "se eu estivesse mentindo ou omitindo dados eu poderia ser criminalmente penalizada e extraditada dos estados unidos". Perdi a conta de quantas vezes tive que dizer ok, eu entendo isso. E tive que mandar informações de toda a minha vida pregressa no Brasil, onde morei e trabalhei ons últimos 10 anos, certidões de todo o tipo, histórico medico e etc etc etc (acho que esse povo faz investigação de vidas passadas... pra ver se vc cometeu algum crime no ano de 1600 quando vc vivia na sua capitania hereditária).

O exame de drogas tb foi curioso. Achei que fosse ser exame de sangue. Aí cheguei na clínica, preenchi mais formularios, e esperei. Fui pega de surpresa quando fui chamada na sala e vi que não era através do sangue que eles iriam verificar que eu estava "limpa"... era através da urina. A moça, falando mais rápido que a nêga do leite, me deu um potinho e disse que eu teria que encher até um determinado ponto senão o teste seria invalidado e etc etc etc... Foi tanta informação e condições a serem seguidas que fui pro banheiro e o xixi simplesmente não queria cooperar e parecia ter fugido como o diabo foge da cruz. Com a cara de vergonha, alguns minutos depois, cansada de mentalizar cachoeiras e aguas correntes pra ver se ajudada, e o pote vazio saí.. olhei para a cara da moça e disse:
- Err.. não consegui..
- Ok... vou colocar aqui que a quantidade de amostra não foi suficiente, obviamente, pq vc n tem amostra nenhuma. Vc tem 3h para nos fornecer uma nova amostra satisfatória e tem agua lá fora para você ficar tomando. Se vc não urinar em 3h nós vamos entrar em contato com a empresa para ver o que eles querem fazer. (me prendi pra não dar risada).
- Ok.
- Quando você achar que está pronta vc avisa a qq pessoa na recepção.
- Ok... (vou falar o que gente... oi, quero fazer xixi).
- E ATENÇÂO, isso é MUITO IMPORTANTE, não saia do predio ou o teste sera invalidado. (pq? vou mandar minha irmã gêmea vir e fazer xixi no meu lugar?! Mas n quis perguntar nada...)

Tomei 2 garrafas de quinhentos ML,  mal conseguia me mexer com a bexiga tão cheia e finalmente a vontade veio. Não queria perder a chance de começar no novo emprego porque não conseguia fazer xixi... Fiz o teste, o resultado sai na hora, pois eles botam o potinho de xixi numa máquina super moderna que dá o resultado em segundos... peguei meu atestado de não drogada e fui embora da clínica.

Estava tudo lindo e correndo bem... tirando o leve medo de ser atacada no Mc Donalds (cena do próximo post)... E foi nesse momento que me dei conta de que a odisséia de verdade ainda estava por começar: trabalhar e me comunicar em inglês o tempo inteiro... com pessoas novas, cultura e ambiente diferentes... e aí, novamente, o pânico começou a tomar conta, hahahaha.

Em breve postarei a segunda e mais divertida parte do texto que é o que aconteceu depois que saí da clínica e como foi a minha primeira semana de trabalho. Porque esse post já está grande demais!! Posso adiantar que é tudo beeeeeem diferente do Brasil.

Beijos para todos!

11 comentários:

  1. Lore!!! Adorei sua historia! Muito massa!!! Mas graças a Deus tudo deu certo!!! Muito sucesso!!! Espero ouvir falar sobre o code dress no próximo post!

    Beijos!!!!!!!

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    1. Silha! Pode aguardar que tem coisa curiosa por aí!! Beijok minha amiga!

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  2. Mesmo já tendo me contado antes, ler aqui é muito bom. Você detalha e de forma muito engraçada. Eu bem sei o stress e a letargia que ficou rsrs. Não é novela mais fico ansiosa para ver o próximo capítulo que será hilário como sempre. Falando do seu jeito agoniado de ser...( que conheço muito bem) : conta que não esperou e ligou para moça lá e a desculpa que vc deu. Porque agonia e sempre faz tudo prá ontem, lembra dos trabalhos da escola o prof. marcava trabalho para 15 dias, saiu da aula e você já começava a pesquisar e ficava pronto era logo? E eu falava misericórdia, nasceu de 7 meses! apesar de nascer no tempo normal como manda o figurino - 9 meses. Um bj minha filha adorada. Amo vc.

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    1. Pois é mãe, que bom que ainda consigo te surpreender com a escrita pq as historias vc ja sabe da maioria, hahhaha! Beijo! Amo vc!

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  3. uhuuu amiga!!!! eu pensei que o teste fosse feito com o cabelo!!!! já tava pensando aqui (vixe que cortaram um tufo e loli tá até hj tentando se recuperar psicologicamente!).
    tb estou na maior curiosidade do próximo, esse foi só o "teaser" pra gente ficar com vontade :)
    parabéns pela conquista, vc merece isso e muito mais. estarei sempre na torcida.
    bjs mil

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    1. hauahauhauahau vc bem sabe, né kerol? Mexa comigo, mas n mexa no meu cabelo... Em breve o próximo! E obrigada pelo apoio sempre, mesmo de longe vc é uma pedra e tanto!

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  4. Lore, saudade de suas narrativas!!! Continue contando sua saga! Bjão!!

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    1. HUahauahu! Ok Rastinha!! Vem aqui quando pra ouvir ao vivo?

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  5. Não vejo a hora da parte dois!!! kkkk. Lendo seu post lembrei de uma situação: passei em um concurso uma vez que para tomar posse exigia esse exame toxicológico, também pela urina. Chegando no local indicado pro exame tive que fazer xixi no potinho, com uma mulher olhando...Foi horrivel, pensa na cena, eu de cocoras, com o potinho na mão e xixi pra todo o lado...putz...vergonhoso...Mas pelo menos estava segura que iria trabalhar, pois sabia que meu xixi era o meu mesmo...kkkk

    BJUSS
    Mel

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    1. Huhauahauhauahauahu! Meeel, eu ri alto aqui... com certeza sua situação foi bem mais constrangedora que a minha, mas é bom essas coisas acontecerem pq temos histórias pra contar!
      Beijooos!

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  6. Lori, tô muito feliz por você, mocinha! Que bom que arranjou trabalho aí...!
    Tirei o dia pra me atualizar aqui com seus posts!
    Beijos,
    Lívia Tizzo

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