Oie gente! Conforme prometido, vamos à parte 2 da saga :)
Depois que peguei o meu atestado e saí da clínica me restava ir para casa para relaxar de toda tensão,
mas lembrei que precisava resolver umas coisas no escritório do seguro social, pois o meu ainda não tinha sido enviado para minha casa. O escritório ficava uns 15Km distante o que para os padrões Houstonianos é até perto quando você pega as Highways (as estradas de alta velocidade que ficam dentro da cidade). Decidi ir lá, já que já estava na rua mesmo... até aí tudo bem.
No meio do caminho (e no meio da estrada) o litro de água que eu havia tomado na clínica começou a fazer efeito e cada micro oscilação que o carro fazia aumentava o meu desespero pra ir no banheiro pra me liberar do restante da água que estava urgindo pra sair. Foi aí que eu vi aquele gigante M amarelo se aproximando e eu lembrei que no Brasil, quando a vontade de fazer xixi apertava na marginal a solução era usar o banheiro do Mc Donalds. Quase como numa cena de velozes e furiosos dei uma girada brutal no volante para não perder a saída da Highway e parei no Mc. A parte estranha começa agora... Só depois que parei que eu percebi que o bairro ali não era assim tão amigável quanto os que eu costumava frequentar...
Pra não dizer que eu fui lá apenas para usar o banheiro, ainda tive a frieza de pensar em parar no balcão para pedir um McFlurry. Abri a porta do Mc andando mais estranho que a Valdirene da novela das 8 pra segurar minha bexiga e tinha 2 caras parados no balcão. Perfil negro de filme americano, uma mistura de P. Diddy \(antigo Puff Daddy) com Michael Jordan, uma touquinha na cabeça e as trancinhas saindo assim do lado. Quando um deles começa a falar.
Cara - Wow! Você é muito bonita.
Eu - Moça, bom dia, eu gostaria de um McFlurry oreo por favor (morrendo de medo de sequer olhar pra cara do homem, a vontade de fazer xixi chega se aquietou)
Atendente - A senhora quer que tamanho?
Cara - Lady, você é tão linda que eu tenho até vontade de cantar a sua beleza...
Eu - O menor. (o medo virou pânico)
Atendente - Qual o tamanho senhora? (a mulher parou de prestar atenção no que eu falava pra observar a cantoria do homem que começou a cantar alguma música com beautiful lady no meio num tom meio Justin Timberlake e dar uns gritinhos agudos entre uma estrofe e outra estilo Edson Cordeiro e fazer aqueles "uh, ahn" que a galera do hip hop faz).
Eu - O MENOR (pelo AMOR DE DEUS). Eu ignorava solemente aquela situação em que estava sendo literalmente cantada, como se eu estivesse sozinha com a atendente do Mc.
Atendende - Ok (a maldita se matando de rir da situação, juntamente com o amigo de "Michael Diddy", que n parava de cantar sua composição e ainda dava estaladinhas nos dedos pra marcar o ritmo).
Depois de 45 segundos tomada pelo pânico e vergonha, com o calor subindo e ficando vermelha querendo sair dali o mais rápido possível, parte da minha vida passou diante dos meus olhos, mas me lembrei do motivo que estava ali. Peguei o mcflurry na mão da mulher e corri para o banheiro, já avaliando se tinha uma saída na qual eu n precisasse passar na frente do cara de novo.
Depois dessa situação inusitada que precisava ser relatada vem o pulo no tempo onde viajamos com a família de Luiz para NYC + Vegas e voltamos para Houson para eles conhecerem aqui em casa. E na segunda fui para o meu primeiro dia de trabalho!!
Cheguei lá na recepção no horário combinado, vestida de acordo com o dress code (sim, eu recebi um email com dezenas de instruções do que era permitido ou não usar - nota: não é permitido ir de calça jeans nem camisa polo)e antes de abrir a boca pra falar qq coisa a recepcionista: "Vc é a "Lourêinah"?. Fiquei impressionada, parecia até que o pessoal estava na espreita... Ai ela me veio com mais alguns papeis pra assinar e pediu pra eu entrar pela porta ao lado. Nisso a mulher falou alguma coisa rapidinho, me encostou na parede, já sacou uma câmera e tirou uma foto minha. Eu ainda meio atordoada com o flash e com a situação nova perguntei:
- É pro crachá?
- Sim, e aqui está o seu crachá provisório, seu crachá do estacionamento, a sua pasta de boas vindas, a sua caneca (!) e a sua plaquinha com o seu nome para colocar na mesa. Pode me aguardar aí fora de novo por favor...
(5 minutos depois)
- Pronto "Lourêinah", eu estou pronta para você agora (só agora?!). Este aqui é seu notebook, vamos lá em cima na sala da sua chefa e eu vou preparar o seu lugar enquanto conversa com ela.
Eu estava em choque com a eficiência e praticidade. Simplesmente seguia o que a moça mandava eu fazer. Depois do papo com a chefe fui lá sentar na minha baia e achei meio estranho que os caras que compartilhavam o lugar comigo não me deram bom dia. Ok.. Deviam estar ocupados.. pensei. Depois eu vi q não era nada disso... a eficiência aqui é levada beeem a sério... tem gente que nem sai pra almoçar pra acabar o que tem pra fazer e ir pra casa cedo... tem dia que por volta do meio dia sobe aquele cheiro de pipoca de microondas... é o almoço de muita gente. Parar para bater aquele papo e saber das novidades do dia com seu colega de baia não existe! Futrico no café então? NO WAY! Vou descrever algumas situações que eu passei nessas primeiras semanas pra vocês entenderem a essência de se trabalhar num escritório americano e os micos que paguei na adaptação, mas como esse post já tá muito grande vou escrever outro em breve descrevendo com detalhes as situações abaixo para vocês não se cansarem!
CONTATO DE PRIMEIRO GRAU
REUNIÕES
CONTROLE DE ACESSO NAS ESCADAS
ALMOÇO COMEMORATIVO
COCA COLA NA COPA
SEXTA FEIRA É DIA DE CASUAL DAY
See ya!!

Ai, fiquei muito curiosa com pro próximo post, Lori!
ResponderExcluirTenho certeza que vou me divertir ao ler suas peripécias...
Enquanto isso, aqui no Brasil a gente faz 1h de almoço + pelo menos 2 intervalos para aquele cafezinho movido a boas conversas sobre futebol, fim de semana, família, etc etc etc... E continuamos sendo eficientes no nosso jeitinho brasileiro de trabalhar!
Beijos
Lívia T.