sábado, 14 de dezembro de 2013

#12 - "Frew" York

Oi pessoal!!

Como está esse verão no Brasil aí? Espero que bem quente!! Quando chegar aí vou querer expor cada célula do meu corpo ao máximo de raios UV que eu conseguir! Esse frio aqui tá demais..

E por falar em frio, quem me conhece sabe que mesmo os 3 anos morando em São Paulo (nossa... foi tempo...) a minha baianidade não me permitiu adaptação ao frio de 7 graus, 6 às vezes, que peguei em SP.

Aí me contaram a história de que o frio aqui em Houston não existia, que era quente e húmido igual a um pântano, que era um calor danado... etc etc... e eu sei que um dia eu acordei de manhã e o termômetro estava apontando 3 graus Celsius... Ah como eu reclamei... "Que frio", "Fui enganada", "Que frio aqui dentro de casa", "Esse vento tá me matando"... Se eu soubesse o que eu ira enfrentar algumas semanas depois em "Frew" York... digo... New York, eu jamais teria reclamado do frio de Houston.

Enfim... chegou o dia da tão esperada viagem, onde eu iria rever minhas amigas amadas que não via há quase 1 ano, Prisilha e Arields (e seus respectivos Leitão e Elcimar) e minha irmã, Larissa. E Prisilha toda animada no Whats App: "Eu tô liberada 10:40 PM, a gente pode se ver e fazer algo", eu pensei: "Essa menina tá é animada". Como sabíamos que iríamos chegar tarde, não deixamos nada pré-combinado, reservamos um taxi online e fomos para o ponto de espera, uma pista central similar àquelas que tem no aeroporto de Guarulhos.

Eu achei que o meu traje de guerra (2 calças, camisa de lã, casaco de 3 camadas sendo uma de papel alumínio pra manter o calor, cachecol, luva - que eu roubei de Luiz - e aquele protetor de orelhas com pelinhos) seria suficiente para conter o frio... obviamente não foi. Chuva, sensação térmica de -3 graus Celsius, e um vento de rasgar a espinha nos recepcionaram em NYC... E para completar a belezura, o taxi estava no terminal errado... Depois de alguns minutos de sofrimento, finalmente entramos no Lincoln preto e fui informar no Whats App que já havia chegado. Arields nem responder respondeu (liguei mais tarde pra o celular dela e Elcimar me disse que eles já estavam há muito tempo enrolados debaixo de tantas cobertas e que para tirá-los de lá seria praticamente uma incursão ao centro da terra), e Prisilha, a animada, simplesmente respondeu "Tá muito frio, estou voltando pro hotel, não vou fazer mais nada hoje não". Eu pensei: Rapaz... esse frio não deve estar de brincadeira.

Aí chegamos no lobby do hotel que estava mais movimentado que o lobby do Bellagio em Vegas, deixamos as malas e já descemos pra comer no restaurante do outro lado da rua... nem Einstein explica a quantidade de tempo que levou pra andar aqueles 50 metros, esperar o semáforo abrir e entrar no restaurante... eu diria que um mês se passou, de tanto frio que passei. Depois de despir metade das camadas (esse tira e bota de roupa cansa, viu?) conseguimos acessar o menu do restaurante. A sopa, o vinho e o file mignon estavam divinos e depois de um jantar reconfortante era chegada a hora de voltar... Cadê a coragem pra ficar esperando aquele semáforo abrir de novo? Aí meu marido, inteligente e sagaz, disse: "A gente fica aqui de dentro esperando o semáforo abrir... e quando abrir a gente.... VAAAAAAAAAAAAAAAAAAI abriu, abriu, abriu!". Tive 2 segundos pra me recuperar do susto e já fui sendo rebocada por Luiz que corria pra pegar o sinal aberto. Porque o frio extremo requer atitudes rápidas e extremas, hahaha.

O dia seguinte até que não foi tão sofrido, porque passamos a maior parte do tempo indoors (museu de cera, show da Broadway do Rei Leão e um bar inusitado que minha irmã levou a gente). Acho que era Deus amenizando o que nos aguardava no Domingo. 100% de chance de neve. A gente resolveu dar uma caminhada até o Rockfeller Center.. pra ver a árvore gigante... 4 quarteirões... não podia ser tão mal assim... até o terceiro quarteirão, até que estava suportável apesar dos 0 graus. Mas aí veio a maldita esquina do Radio City. E com ela, o vento. Eu entendi profundamente todas as pessoas que dizem que o problema não é a baixa temperatura, é o vento.  Eu achei que meus ossos iam trincar naquela hora... até senti um cheiro de queimado e pensei que estava delirando. Até agora n sei o que foi. O que eu sei é que nos jogamos na loja na NBC e eu fui me sentar porque estava para ter um piripaque. O rosto gelado, a mão e as orelhas congeladas. Luiz querendo disfarçar pra eu não me preocupar com ele, mas depois ele confessou que também passou mal. Tomei um choque BRUTAL ao me encostar no balcão do caixa... Luiz achou que eu estava exagerando e depois tomou o dele no corrimão da loja. O resultado: compramos um gorro pra ele e outro pra mim, vimos a árvore de dentro da loja mesmo e voltamos pra hotel, pra nos prepararmos para ir até o aeroporto em New Jersey de metrô / trem.

E começou a nevar. Aqueles floquinhos brancos caindo do céu até que foram bonitos nos primeiro 2 minutos. Na hora que tivemos que trocar do metrô pro trem tínhamos que sair ao ar livre e as instruções não eram claras e a gente ficou perdido uns 10 minutos na neve. E de novo a relatividade do tempo de parecer que se passou um mês. Nossa luva não era touch screen então tivemos que botar a mão pra fora pra ver a direção do trem no mapa do celular (DICA: use luva touch screen). E enfim achamos a estação do trem. Nessa parada tinham umas luzes bem quentes no terminal e o povo ficava se aglomerando igual a formiga no açúcar pra se aquecer do frio! Um negócio diferente. Mas antes da glória de chegar ao delicioso aquecedor do aeroporto, ainda teve mais....

Na segunda baldeação (uma parada antes do aeroporto) a estação não tinha a luz que atrai o povo na plataforma do trem. Eu fiquei na parte interna esperando Luiz comprar o último ticket e ele me vem com a seguinte notícia:
- "É 100 dólares o ticket pra ir até o aeroporto"
- "Oi? Mas é uma parada só... vc olhou direito"
- "Vc tá duvidando é? Eu fui na maquina que o homem da estação me apontou"
- "Não é possível, vou perguntar nesse trem que acabou de parar..."

Olhei pra trás e ele tava me seguindo e depois da filinha que tinha, perguntei a um funcionário se esse era o trem pra Newark (aeroporto). Ele com uma cara blasé e de poucos amigos me disse. "Sim, entre agora é a próxima parada". Feliz com o fim do suplício, olhei pra trás pra procurar Luiz e ele tinha sumido, quando olhei pra frente de novo, o trem vazou. Nãããããããão... Pra onde foi essa criatura, meu Deus? Não sei se foi o frio ou se ele achou que eu ia pagar mico perguntando, ele voltou pra onde tinha aquecedor. Ele disse que foi olhar a tabela de preços de novo. Falei pra ele não sair da minha cola e quando chegou próximo trem perguntei o preço a outro funcionário e ele me disse que era 2,75 dólares... 7,75 se vc pagasse dentro do trem. Aí a gente pulou dentro do trem e acabou nem pagando a passagem pq não deu tempo do cobrador chegar na gente. E a saga chegava ao fim: calor, aquecedor, aeroporto, paz.

Tudo bem que o avião atrasou mais de uma hora pra sair porque primeiro tinham que limpar a nave da pista, depois tinham que passar o avião por debaixo de umas luzes potentes pra derreter a neve e depois jogar um spray com um fluido anti congelante, pra só aí o avião poder decolar.

De toda essa experiência algumas conclusões:
* New York no inverno nem de graça
* Houston não é tão frio assim
* Comprar uma luva touch screen é essencial
* O frio irrita
* Neve atrapalha o dia-a-dia.
* Eu AMO o calor de SSA.

Beijo gente! E em menos de uma semana Brasil il il! E algumas fotos de NYC pra vcs.





Um comentário:

  1. Gente!! O frio é stressante!! Mas ruim mesmo é o verto cortante... Adotei a prática do samurai ou burca várias vezes! A tática da sinaleira também é boa... também praticamos!! hahaha! Isso tudo porque você não pegou chuva AND frio! Segura o guarda chuva, pára para pegar o celular e ver pra onde vai, tira a luva (sem touchscreen), demora pra achar, congela no frio, se desequilibra com tanta coisa na mão... Tenso, viu!! Chuva foi pior que neve!! Mas apesar de cansar MUITO, adorei a novidade, não vou negar!! Bjsss, Elds!

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