quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

#13 - Vida de Aeroporto nos EUA

Para não dizerem que só a Lorena que escreve, segue um post 100% meu. Finalmente o ano acabou e o período de viagens também, pelo menos em 2013.

Desde quando comecei a trabalhar no meio de julho foram 40 trechos diferentes, o que dá uma viagem (round trip) por semana, 68 mil milhas viajadas em seis meses. Por um lado é bom, você vira gold/platinum rapidinho em companhia aérea, hotel e locadora de carro, mas por outro, fica mais cansado, fica longe de casa, das suas coisas e da sua esposa... muito bom para um recém casado.

Falando em esposa, fiz as contas e vi que, desde que comecei a trabalhar, fiquei 88 dias com ela. Já o cliente vem correndo atrás com 80 dias. Pois é, quase tenho passado mais tempo com o cliente do que com minha própria esposa. E ele nem faz meu tipo. rss

Nestas tantas viagens já tive um pouco de cada. Já sentei na econômica, já sentei na primeira classe, já antecipei voo, já perdi voo. Já tive que correr de um terminal a outro para não perder a conexão, já tive que mudar de assento para balancear o peso do avião e já sentei ao lado de um bebê chorão. Já peguei aeronave congelada, já peguei outras que pareciam uma sauna, já andei em aviões grandes e até pequenos como o Brasilia. Já peguei voos tranquilos, já me senti em uma montanha russa, já vi pessoas rezarem no meio da emoção e já vi pessoas aplaudirem uma aterrissagem, enfim, não faltou diversão.
Abaixo imagem do Embraer Brasilia usado pela United para voos curtos.


Voar por aqui é bem parecido como voar no Brasil, mas com suas particularidades...

- Cartão de embarque - Antes do raio X você apresenta seu cartão de embarque e documento na segurança para checar se você é você mesmo. Difícil mesmo é o coitado do funcionário da TSA entender meu sobrenome. Como ele não cabe inteiro no cartão de embarque, eles removem os espaços, então fica  COELHODEARAUJOFILHO. Para um americano isso é hieróglifo. O funcionário disse: "Meu Deus, não vou nem tentar. Deve ser você mesmo."

- Raio X 1 - Aqui, mesmo nos voos internos, é preciso tirar cintos, sapatos, laptops de dentro da mochila. Nada líquido e gel com mais de 100 ml. No Brasil é melhor (ou não), pois pode passar com tudo. Infelizmente eu ando com 3 laptops, então cada vez é um parto para passar pelo raio x, uso a esteira inteira pois sao 4 bandejas, mais mochila e mala. Já fui apelidado de "Laptop Guy" no aeroporto que eu sempre passo.

- Raio X 2 - Em boa parte dos aeroportos o Raio X é aquele que mostra até o seu útero (o meu não), é um scan seu completo. Você para, levanta os braços e o scan gira em torno de você. Dizem que dá para ver tudo. rss Até os americanos reclamam deste modo meio intrusivo de garantir a segurança.

 Exemplos do Scan... eles juram que não armazenam dados....

- Embarque 1 - É muito comum eles fazerem overbooking, ou seja, vendem mais passagens do que cabe no avião. Quando isto acontece eles oferecem vouchers de 200 a 500 dólares para voluntários que não se importem em pegar voos mais tarde. Há quem diga que tem pessoas que vivem disso, juntam dinheiro com estes vouchers. Admito que já fiquei tentado, mas Lorena me mataria se eu não chegasse em casa.

- Embarque 2 - Quando a aeronave é pequena eles vão pedir para você despachar a bagagem na porta do avião, ainda que ela seja do tamanho permitido. Não se assuste como eu me assustei na primeira vez, ninguém vai roubar sua mala nem deixar ela para trás, é que o avião é tão pequeno que não cabe mesmo a bagagem de todos.

- Durante o voo 1 - Quando a aeronave é pequena eles precisam balancear o peso pelo avião, então se os assentos do fundo estiverem vazios eles vao perguntar por voluntários para mudarem de assento e assim, balancear o peso. Uma vez eles encheram tanto o tanque do avião e ficou tão pesado que eles pediram para seis passageiros descerem e pegarem outro. O avião não sairia do chão enquanto eles não saissem. Claro que cada um ganhou um voucher de US$ 400.00. Ainda bem que eles não fazem como a gente no elevador, onde sempre cabe mais um, não importando o limite máximo.

- Durante o voo 2 - Desde novembro aparelhos eletrônicos pequenos são permitidos durante todo o voo, não tem aquela palhaçada de ficar desligando para pouso e decolagem, basta estar no modo "avião". Alguns voos possuem até wifi a um preço nao tão absurdo, U$ 6.00 o voo.
Eu tenho costume de ouvir música durante o voo, mas ao desligar o celular eu não tiro os fones de ouvido (não me pergunte o porquê). Uma vez, quando não era permitido usar o voo todo, a atendente veio pedir para desligar o celular (já que eu estava de fone o celuar estava ligado). Eu apenas mostrei a tela escura do celular e disse que estava off. Ele continuou insistindo para eu desligar e então eu mostrei o celular para ela e apertei o botão principal, mostrando que nada aparecia na tela, ou seja, estava desligado. Não sei se ela não entendeu, mas ela me pediu para apertar e segurar o botão para desligar o celular. Eu, já desesperado por ela não me entender, apertava freneticamente o botão principal N vezes para mostrar que estava desligado, "It is off!!!!" E ela, já desesperada por achar que eu não a estava entendendo, começou a gritar "Não solta o botão! Aperta e segura para desligar!" Já sem argumentos a única coisa que pensei foi dar o telefone para ela e pedir para ela desligar para mim. Depois de apertar todos os botões sem sinal de vida do celular, ela me vira e pergunta "Is it off?". Respirei fundo, sorri e disse "Yes, it is off."

- Durante o voo 3 - Americanos adoram conversar, não importa o voo nem o destino. Pessoas que se viram pela primeira vez  parecem amigos de longa data. Conversam sobre qualquer assunto e durante o voo todo. É sempre bom ir prevenido com um fone de ouvido quando quiser ficar na sua e tirar um cochilo. O fone já é o sinal de "Não enche o saco, não quero conversa."
Uma vez sentei ao lado de um cidadão esquisito, nada de conversa, ele apenas abria constantemente um vidrinho, molhava o dedo e encostava o dedo no nariz. Fiquei tentando observar de canto de olho para sacar o que era, mas nada. Não tinha cheiro forte, mas a cada 5 minutos ele molhava as narinas com os dedos e não fazia questão nenhuma de esconder. Descongestionante? Talvez... Admito que até fiquei na vontade de pedir um pouco, depois de 1 hora do choro constante do bebê aquele poderia ser o canal para o sossego. rss

- Pouso - Algumas aeronaves pequenas desligam o arcondicionado para pousos e decolagens. Eles precisam focar toda potência no avião, portanto no verão fica aquela sauna com as pessoas suando e formando aquela pizza debaixo do braço.

- Desembarque 1 - Quando o avião chega ao portão em geral as pessoas não se desesperam e saem atropelando as outras para tentar sair primeiro do avião. As pessoas vão saindo pelas fileiras, assim o passageiro da fila 5 espera todos das filas 4, 3, 2 e 1 sairem antes.
Uma vez estava viajando pelas filas do meio do avião, ao pousar e desligar o motor vi que ninguém se movimentava. Algumas poucas pessoas se levantavam na frente, mas ao olhar para trás todo mundo sentado. Um impulso interno me dizia "Levanta! Anda! O avião parou tem q levantar!", mas ao ver todo mundo sentado fiquei na dúvida se podia ou não. Eu, inquieto na cadeira, doido para levantar, 10 pessoas de pé e outras 60 sentadas. Até que me segurei e esperei para ver se vinha alguma autorização para levantar, mas não veio, as pessoas estavam apenas esperando a porta abrir, afinal, para que ficar em pé se espremendo e esperando se podia esperar sentado? Não é sempre assim, em geral mais pessoas se levantam, mas admito que fiquei com medo. Ficava pensando "Que P. é essa?".

- Desembarque 2 - É comum você ver pessoas no finger encostadas ao lado direito. A primeira vez eu achei que já fosse o pessoal do próximo voo para embarcar, pensei "que desespero é esse para não atrasar o próximo voo". Mas era apenas o pessoal que despachou a mala no portão esperando ela ser entregue. Se você despachou no portão, você retira no portão do avião, se você despachou no checkin, você retira na esteira.

- Esteira - As esteiras de bagagem de todos os voos nacionais ficam depois que você sai da área restrita de passageiros, assim qualquer pessoa que venha da rua também tem acesso àquela esteira. Pois é, será que funcionaria no Brasil? Nenhuma mala seria furtada?

Finalmente terminei a fase de voos este ano, mas ano que vem tem mais. Dia 06 já estou de volta ao aeroporto para mais "diversão".

Bom ano novo a todos. Em 2014 tem mais posts.

Um comentário:

  1. Caraca Lue, nao sabia que a foto do raio x fica desse jeito! realmente entendo agora pq tanta gente reclama de passar nesse aparelho! hahaha

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