segunda-feira, 3 de março de 2014

#14 - Fazer a unha pode ser uma experiência única

Oi pessoal!

E como estão os festejos de momo no Brasil? Por aqui fomos arriscar um carnaval do Brasil no sábado passado pra não passar em branco! Ainda mais que os últimos 3 carnavais eu e Luiz estivemos juntinhos no carnaval de SSA, curtindo tudo na terra do Axé... Até que deu pro gasto... pra quem tá longe e gosta de carnaval é melhor isso do que nada, é ou não é? Deu até pra dar umas boas risadas com a cena que estava no limite da comédia e da depressão: as "mulatas" precisando de um sol que se apresentaram na festa... só de lembrar eu dou risada... Pra vocês terem uma ideia, a mais mulata era uma gringa que fazia qq movimento com os pés, menos samba...


Bom, mas mudando de assunto, pra retomar as postagens eu vou falar da experiência singular de fazer a unha nos estados unidos... No Brasil, era uma coisa tão natural e automática que nunca cheguei nem a pensar em todo o processo. Eu ia toda semana, ligava pra marcar com a manicure que gostava. Chegando lá era só fazer a unha,  pagar no final e ir embora.

Depois de perceber que eu realmente precisava de 4x o tempo de uma manicure pra pintar a minha unha com poucos borrões eu resolvi tentar fazer a unha por aqui. Mas eu queria uma que tirasse a cutícula... pq já tinha tentado 2 vezes por aqui e não tinha muito sucesso. E sim, eu queria tentar um lugar perto de casa... não me deslocar quarenta km pra fazer uma unha, como tem gente que faz. Aí fiz o procedimento padrão, procurei um site de expatriadas em Houston, vi uma recomendação, por sorte o lugar era menos de 2 milhas aqui de casa.

Vi que fechava as 7 da noite e resolvi ir lá depois do trabalho... tava um frio desgraçado, aí eu eu cheguei lá com aquele casaco de quem vai esquiar, de luva e etc. Era uma lojinha modesta com aquela luz neon marcando open e o preço de 30 dólares, melhor do que o que eu pagava em SP (já convertendo!!).

- "Haaai"! - disse a moça que eu acho que é vietnamita ou tailandesa, com um sotaque mais carregado que o meu - Como posso ajudar madame?
 Ainda um pouco chocada com aquela produção em série, com milhares de moças todas iguais e o naquele espaço pequeno eu disse:

- Mani-pedi? (abreviação de manicure e pedicure)

- Ceeeeerto madame minha querida (sim elas emendam o ma'am com o my dear em todas as frases), pode escolher a sua cor e sentar na cadeira 2.

Demorei um pouco pra entender que precisava escolher a cor e fui me dirigindo a cadeira 2, mais por causa do gesto que ela fez do que porque realmente tinha entendido... ai fui andando assim como quem vai mais não vai... meio hesitante... até que a moça me pegou pelo braço (não tão delicadamente quanto eu esperava) e eu consegui entender a palavra "color" no final. Ai fiz a sinapse e fui escolher a cor. Depois sentei na bendita cadeira 2. Bem acolchoada e confortável.

 

As moças que iam fazer minha unha chegaram e uma delas se esgueirou do lado da cadeira 2. De repente: ziiiiiiiiiiiiiiin. A cadeira começou a inclinar e a me massagear. Cadeira massageadora... huuum, chique! E agradeci por ela não ter me perguntado. Simplesmente ligou e me deu o controle na mão. A cadeira é tipo essa da foto aí embaixo.



Agora era só relaxar e... Oi? Olho pra frente e a moça tava fazendo um monte de gestos, aparentemente era comigo... ah sim... é definitivamente comigo. Oi? Tirar o casaco... mas eu ainda tô com frio, gente... (todo esse dialogo interno era em pensamento). Achei melhor obedecer.

E foi aí que percebi como fazer a unha aqui tem um procedimento super bem definido e que não mudou nenhuma vez desde que fui lá. Chega, escolhe a cor, senta na cadeira, tira o casaco, dobra a calça e por aí vai. E POBRE DE VOCÊ que saiu da sequência. As mocinhas vão colocar vc de volta no trilho nem que tenham que puxar pelo braço.

Aí começou o processo da unha mesmo, na sua sequencia bem definida tb. Até que a moça resolveu começar uma conversa... Veja bem... se eu não estou entendendo ela falando comigo "normalmente"... imagine com aquela mascara de gripe suína na boca... eu pegava palavras aleatórias e transformava uma palavra numa conversa que tentava conectar essas palavras... tentando não parar de falar até a próxima hora de mudança do procedimento. Como postei uma vez no face, a conversa chegou num ponto que eu pensei que a moça tava mandando eu levantar a perna e, na verdade, depois concluí que ela queria saber onde eu morava. :-D

Aí no meio do ciclo ela mandou tirar o relógio e a aliança e fez uma massagem no meu braço até o ombro com um hidratante (aí o tirar o casaco fez sentido). E me mandou colocar de novo o relógio e a aliança. Tudo no fluxo bem definido de sempre. A outra moça continuava frenética no pé. E de repente a moça fala:

-Now you pay to me (tradução: agora vc paga pra mim).
"Oxe meu bem... vc nem começou a pintar", pensei. Devo ter feito uma cara de interrogação tão grande que ela completou:
-Assim vc não estraga sua unha. Sua unha. Estragar. Não estraga a unha. Minha querida, madame.

Aaaaaaah, e mais uma vez o fluxo cadenciado delas fez sentido: a gente paga antes de pintar e não precisa meter a mão na bolsa e borrar o esmalte na saída (coisa que já fiz zilhões de vezes no Brasil). E depois que a gente paga e diz quanto vai ser a gorjeta (sim, objetividade master pra ela não precisar ajustar o valor no cartão depois) ela continua a pintar.

Uma coisa muito diferente tb é que elas ficam falando entre si, em murmúrios na língua nativa... que realmente me leva a pensar como elas conseguem ter uma conversa falando tão baixo. Às vezes uma fala lá no extremo norte da sala e a outra do extremo sul responde com um "chan chin chon, chaaa-án ná náá... á ná" (isso foi uma onomatopeia pra tentar descrever o tipo do som que ouço). No começo eu ficava sobressaltada, ligada em qq ruído que fosse direcionado a mim... depois relaxei... qq coisa ela me pegava pelo braço ou fazia um imagem e ação do que eu deveria entender.

Unhas pintadas, super brilho passado e... hora de ir embora, certo? Não, errado! Vc tem que descansar sua unha por 10 minutos (no mínimo) em uma mesinha com uma luz / aquecimento que fazem vc sair com o esmalte praticamente seco de lá. E depois da mesinha vc está finalmente pronta pra ir embora.

Eu particularmente gostei bastante desse lugar, tanto que volto lá praticamente toda semana. Elas tem um método agora já entendo cerca de 50% do que elas falam e elas tiram a cutícula razoavelmente bem. Tudo bem que não usam acetona (borram pouquíssimo os dedos, mas sempre fica aquele pouquinho de esmalte na pele). Já estou tão cativa lá que elas já me conhecem. Outro dia uma gostou na minha blusa e me pediu pra entrar no site pra ver se ainda tinha pq ela amou a estampa. Depois mandou eu girar e me pegou e me deu um giro digno de dançarino de zouk pra ver a blusa atrás. Tive até vontade de dar aquela jogada no cabelo, falar tum-tum-pá e fazer um cambret, hahahaha! Esse é o nível...

Me divirto! Um beijão gente e até a próxima! Continuem acompanhando as nossas aventuras. Estamos com saudades de vocês.

Um comentário:

  1. Lola, me divirto, como sempre, quando você escreve. As peculiaridades das suas histórias - no blog - são muito interessantes e de alguma forma supre aquilo que costumávamos fazer que era pura diversão e que sinto muitas saudades: ouvir suas histórias pessoalmente. Lembra quando chegava das festas e vc dizia: mãe cheguei, eu levantava para que vc me contasse as novidades e tínhamos que interromper senão ficava até amanhecer. A vida segue... mas lembro com carinho esses momentos e que vão ficar guardados para sempre na memória. Momento nostalgia.Bjs

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